Barulhos e aberturas de telejornais

No tempo em que a queda da notação da dívida portuguesa abria todos os dias todos os telejornais e a direita berrava contra o despesismo socialista de viver acima das possibilidades, que o socialismo acabava quando acabava o dinheiro dos outros, sem nunca explicar quem eram "os outros", e Cavaco Silva, Presidente, dizia que não devíamos falar alto nem fazer barulho para não espantar ainda mais os mercados, mais as grandes análises económicas dos Zés Gomes Ferreiras desta vida, desse tempo já ninguém se lembra. Depois o PS roubou a agenda das boas contas à direita, que agora se vê relegada para a política dos casos e casinhos, da educação à saúde, passando pelos incêndios, a falta de água e à falta de vergonha na puta da cara, como se desde a primeira vez em que meteram os chispes no Governo pelas mãos de Mário Soares, era Freitas do Amaral do CDS, não tivessem nada a ver com isso, e com isto. Agora entramos na premier league da notação financeira e já não há abertura de telejornal que o valha, nem Zés Gomes, nem barulhos, que os mercados andam a fringanor mal grado a guerra na Ucrânia.
[Imagem de autor desconhecido]