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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A santidade automaticamente adquirida na hora da morte

por josé simões, em 21.03.23

 

jesus on a bike.jpg

 

 

Pergunta honesta: porque é que nos resumos biográficos de Rui Nabeiro, que nascem agora como cogumelos, nunca é referida a fuga para Espanha durante o PREC?

 

Foi a pergunta, em jeito de provocação que deixei no Twitter, com um erro propositado para ver até onde chegava a matilha, não foi durante o PREC, foi durante um governo chefiado por Maria de Lurdes Pintassilgo, e algumas respostas são um mimo:

 

 "E qual o problema ??". "Fuga ao fisco para um socialista é apenas um detalhe". "Ir buscar uma história com 40 anos, não é canalhice, ou se calhar é!!". "Diz-me que és um canalha, sem me dizeres que és um canalha.". "E daí, o Pinto da Costa já o fez pra fugir a cana e não está na biografia". "Se me deixarem desviar uns milhões, prometo que irei fazer o meu melhor para dar algum a ganhar ao erário público.". "Já teve a sua resposta honesta?". "Não estou contra o sr. Rui Nabeiro, mas as suas peripécias revelam os problemas que ele teve de enfrentar para contornar um Estado invasivo...". "No Alentejo, só não fugiram mais para Espanha durante o PREC porque não tinham como fugir. Não devia ser do interesse de quase ninguém viver sobre o domínio de criminosos, que invadiram, apropriaram, agrediram inocentes, etc. As pessoas não esquecem". "Agora é que reparei que és comunista. Pronto, esquece...".

 

Morre alguém conotado com a direita e aparece a esquerda apontar as falhas no percurso para a santidade, sendo de imediato insultada de pai para cima por falta de respeito pelo falecido, pela mesma direita que antes tinha apontado os hiatos na trajectória de uma personalidade de esquerda. Morre alguém do PS, ou ligado ao PS, que não é de esquerda nem de direita, e a história repete-se. É a santidade automaticamente adquirida na hora da morte tivesse o malogrado o percurso que tivesse.

 

Voltando à pergunta que deu início a este ror de alarvidades, não seria muito mais honesto referir a fuga do senhor para Espanha por fuga ao fisco, posteriormente amnistiado por Mário Soares que pesou o deve/ haver do investimento no interior e na raia alentejana e concluiu que era melhor esquecer os milhões devidos ao erário público, decisão que se revelou duplamente acertada e que mais uma vez mostra o fino instinto político do ex líder socialista, o senhor percebeu a importância e obrigatoriedade de pagar impostos para que o Estado social funcione, coisa que 30 anos depois Passos Coelho candidamente dizia desconhecer, e foi até aos dias da sua morte uma âncora criadora de riqueza, prosperidade e redistribuição para toda uma região. Que Deus o guarde, como sói dizer nestas ocasiões.

 

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