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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A desgraça fica-vos tão bem

por josé simões, em 18.01.26

 

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Quatro dias antes das eleições a Intercampus apresentava uma sondagem com o taberneiro a vencer a primeira volta, seguido de Marques Mendes e Cotrim Figueiredo, apresentada na homepage do Sapo pela ex comissária da direita radical no Diário de Notícias.

 

O taberneiro, que não queria o apoio das elites para nada, queria o apoio do povo e nada mais que o povo, uma hora antes do final da campanha estava em directo no telejornal da RTP1 a dizer que conta com o apoio de Passos Coelho para a segunda volta.

 

Cotrim ter dito que era homem para votar no taberneiro para depois dizer que não tinha dito o que todos ouvimos dizer, Freud explica, mas isso é areia a mais para a camioneta do pessoal do economez.

 

António Filipe tem exactamente o mesmo paralapié que o comissário que não é militante tem no Soviete das Bicicletas, outrora um blogue decente das esquerdas várias, e assim vão continuar até à irrelevância total e assaltos a palácios de inverno é coisa que já lá vai.

 

Todos os candidatos, e respectivas famílias, são escrutinados, mas o taberneiro não tem pai nem mãe e a pastorinha, dona da casa onde dorme, não tem passado nem futuro, não sabe falar nem tem pensamento político.

 

Marques Mendes, que ganhava dinheiro para dizer merdas semana após semana, sem contraditório, e a desdizer na semana a seguir o que tinha dito na anterior, passou as últimas horas da campanha a criticar quem ficou em silêncio.

 

Marques Mendes, que ia meter "um jovem" no Conselho de Estado, ler um Bugalho ou um Duarte Marques, apresentou como trunfo eleitoral o pior que o país político já teve, a tralha cavaquista, Cavácuo [não é gralha] incluído.

 

A RTP abriu a noite do rescaldo eleitoral a dizer que o taberneiro estava na missa. Foi-se confessar das mentiras que disse nas últimas semanas e do ódio que vomitou. A partir de agora começa do zero, é para isto que serve a religião.

 

Uma das boas notícias da noite foi a de que Marques Mendes - o pior que o 25 de Abril produziu: compadrio, amiguismo, promiscuidade, o interesse privado acima do interesse público, desapareceu. [E quando lá chegares manda saudades que é coisa que cá não deixas].

 

A questão que agora se coloca é: o que é que vai passar pela cabeça do Cotrim nas próximas semanas?

 

Entre um democrata e um anti-democrata Marques Mendes não sabe em quem votar. Pequenino até na hora da morte.

 

Entre um democrata e um anti-democrata Luís Montenegro também não sabe em quem votar. A sua área política perdeu, diz. A sua área política não é a democracia, quer isto dizer. A direita que anda com a boca cheia de Sá Carneiro.

 

O almirante, que jurou bandeira e a Constituição, diz que ainda é cedo para decidir entre o apoio a um democrata e ficar calado e deixar um saudoso de três Salazares à solta. O almirante afinal é um cabo sonso.

 

Andaram, alegados social-democratas, centristas, liberais, durante anos a alimentar a imbecilidade do "espaço não socialista", agora a disputa não é entre democratas e anti-democratas, é entre socialistas e não socialistas, a democracia que se foda.

 

O taberneiro reivindica a liderança da direita com os líderes da direita - Montenegro e liberais calados, de orelhas baixas e rabo entre as pernas. O "pensamento político de Sá Carneiro", dizem, todos os anos no dia da morte do saudoso.  

 

No entanto ganhou o langonha, desculpem o meu inglês, mas fui criado perto das docas, em Setúbal, e na homepage do Sapo, agora gerido pela ex comissária da direita radical no Diário de Notícias, a foto é a do taberneiro a sorrir.

 

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