"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
E a princípio não vai estar e vai esbracejar muito. E depois vai estar mediante certos e determinados princípios de que não abdica. Princípios esquerda, claro. No fim vai acabar por assinar tudo. O claro e o menos claro. De direita, claro. Tudo pela Pátria e pela Democracia e pelo Estado de direito e coisas assim. Não é defeito é feitio.
Constitucionalizar um limite ao défice e ao endividamento é assim a modos que fazer um PDM [Plano Director Municipal], não é? Vamos alterando consoante as maiorias e as conveniências. Não há-de vir grande mal ao mundo.
Ouvir no mesmo dia, António Saraiva, presidente da CIP, e Miguel Beleza, ex-ministro das finanças de Cavaco Silva, dizerem que não vêm necessidade de mexer nas leis do trabalho porque para o que é bacalhau basta, enquanto o Governo, com a bênção desse grande sindicato do sindicalismo dos homenzinhos responsáveis – a UGT, apresenta como the next big thing a redução dos valores das indemnizações a pagar pelas empresas aos trabalhadores (ou será colaboradores?) em caso de despedimento ou de rescisão do contrato de trabalho, ao mesmo tempo que propõe a criação de um fundo, sem as palavrinhas mágicas “fundos públicos”, mas fundeado nos descontos dos próprios trabalhadores candidatos ao despedimento, é qualquer coisa.
“Subtilmente” elimina-se o Governo Civil, coisa que ninguém sabe para que o serve, mas que toda a gente sabe a quem serve, e passa-se a ideia de que “somos” todos muito simplex e racionais na gestão do erário e da cousa pública. Mas depois “ficamos” com um problema (um graaaaande problema) em mãos, e, “subtilmente”…
Se “razão antendível” means exactamente o mesmo que “justa causa” e não tem cá nada a ver com liberalização dos despedimentos, então porquê mudar o léxico?
«Destacamos então a proposta de “infiltração em sistemas informáticos pessoais”, quando um indivíduo esteja indiciado pela prática de um “crime punível com pena de prisão igual ou superior a cinco anos”, mediante autorização judicial, bem como “o seguimento dos movimentos de uma pessoa através da localização à distância”.
Observando atentamente a situação actual, as autoridades policiais já podem, mediante autorização judicial, proceder a uma investigação em qualquer sistema informático. Uma vez que o PSDparece não conhecer a lei processual penal, aconselhamos a ler o referido código, nomeadamente o artigo 190º.
É óbvio que esta proposta não serve em coisa alguma para apanhar qualquer criminoso, e é sim mais uma medida numa tendência generalizada para abrir portas à invasão da privacidade dos cidadãos que dificilmente se poderá fechar mais tarde.
Esta obsessão do PSDem infiltrar-se nos sistemas informáticos dos cidadãos não é nova, relembramos que o deputado Fernando Negrão sugeriu em debate parlamentar, a possibilidade de se instalar remotamente à socapa Cavalos de Tróia espiões em computadores de pessoas que sejam suspeitas de crime.»
Para haver revisão constitucional são necessários dois terços dos votos dos deputados. Como o PCP e o BE não estão para aí virados, o PS, ao invés de deixar o PSD a falar sozinho para menos de dois terços do próprio PSD, «vai criar um grupo de trabalho para o debate constitucional». Como diz “o outro”: Para dançar el tango são precisos dois”.
(Imagem “Dance to the music of time - radio's golden age” via Fox Photos)
Trabalho há 20 anos na mesma empresa (privada) onde o meu pai trabalhou 40 anos, a maior do ramo no distrito, e onde a estratégia de crescimento passou/ passa pela aposta na continuidade e na estabilidade profissional dos empregados. São mais de 60 anos de longevidade empresarial conseguida com uma política assente na preferência e na prioridade aos familiares dos funcionários mais antigos nas contratações para o quadro de pessoal. Como eu são mais de 50% os trabalhadores que entraram para a empresa com base neste requisito, é quase uma empresa multifamiliar. Agora vêm-me falar na relação entre o aumento da produtividade e a flexibilidade e a mobilidade e ainda mais em despedir por “razão atendível”… atendível “é a tua tia, pá!”