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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Pré-história

por josé simões, em 30.06.09

 

 

 

Lembro-me de ter sido dos primeiros em Setúbal a ter um Walkman, trazido pelo meu pai, salvo erro, do Luxemburgo. Passava na Rua dos Ourives ou no Largo da Misericórdia e parava a rua inteira a olhar para mim. Ao princípio não havia pilhas que chegassem, nem dinheiro que chegasse para as comprar, por causa da escola e do “eh pá, ‘presta aí, deix’ouvir um ‘cadinho”. E depois era o “puxar atrás” a cassete, gastava muita pilha e fazia-se com uma caneta BIC, tipo roca, e lixava-se a cassete toda.

 

"tardé tres días en darme cuenta de que las cintas tienen otra cara". "No tiene función de reproducción aleatoria"

 

Un Walk-¿qué?

 

(Imagem fanada no Corriere della Sera)

 

|| Memória do PREC (*)

por josé simões, em 25.04.09

 

Surge esta posta no seguimento da minha escolha para avatar no Twitter, nos 35 anos do 25 de Abril, da bandeira do PRP / BR.

 

Eu e este ilustre (já falecido, paz à sua alma) que aparece ao meu lado na foto, como cabeças de lista, ganhámos em 1976 em eleições livres e justas, a corrida para a Direcção da Associação de Estudantes da Escola Industrial e Comercial de Setúbal – actual Secundária Sebastião da Gama –, então afecta ao PRP / BR.

 

Ganhamos é pouco, arrasámos. Com quase 400 votos (a esta distância não posso confirmar os números) contra 50 e poucos da anterior direcção, e cento e muitos de uma lista afecta ao PS. O PSD e o CDS na altura em Setúbal, eram como os gambozinos, não existiam.

 

Depois seguiu-se a ruptura com tudo o que esteve por detrás, ou ligado à composição desta lista, veio o punk, e parti para outra que, assim a oportunidade surja, será vítima de abordagem condigna.

 

Adenda: A foto foi tirada à porta da sala da Ass. De Estudantes no dia da vitória.

 

(*) Período Revolucionário Em Curso)

 

As costas largas – memória do 25 de Novembro

por josé simões, em 25.11.08

 

 

Andava eu no 12.º ano e tinha um prof. , daqueles meio marados e que descaradamente nos roubava “o estatuto”, porque – aparentemente - quem nunca estava na sala de aula era ele. O gajo até tinha fugido da guerra colonial, mas ao contrário dos outros não foi para Paris carpir as mágoas, antes baldou-se para Londres porque lá é que havia música boa e gajas; dizia ele. Adiante.

 

Falava-se bué (também foi por estas alturas que o termo apareceu trazido pelos retornados de Angola) de política nas aulas daquele sôtor (não digo o nome). E, por tudo e por nada, o gajo dizia: “O 25 de Novembro tem as costas largas!”. Nem eu, e calculo que nem ninguém naquela turma, alguma vez percebeu o que o sôtor “marado” queria dizer com aquilo.

 

Continuo a não perceber, mas lembro-me sempre dele no dia 25 do Mês do S. Martinho.

 

(Foto roubada no La Repubblica)

 

 

 

rew » play » - 8 pitch adj. (os polícias)

por josé simões, em 04.11.08

 

“O que se passa na Primavera de Praga é que o Dubcek, presidente do comité central do partido checo, encabeça uma revolta contra o poder estalinista e mostra uma alternativa. É uma enorme esperança para nós, que éramos jovens e acreditávamos no comunismo. Nesse ano, publico com o meu primo um livro com as propostas de Dubcek. Tê-lo feito limpa-me o nome. Agora, todos dizem que eram antiestalinistas. Eu era mesmo.
 
Isabel do Carmo
 
É um extracto da entrevista a Isabel do Carmo e a Carlos Antunes saída na Pública do passado domingo e que, ao contrario de outras, foi olímpicamente ignorada pelos policias da memória de plantão à blogocoisa.
 
Hipóteses para o facto da entrevista ter passado pelos intervalos da chuva:
 
a)      Nunca aceitaram Estaline, mesmo com alguma crítica
b)      Não comem caviar
c)      A China nunca foi socialista, mesmo antes do Deng Xiaoping
d)      O Benfica jogava em Guimarães
e)      Não pertencem ao jet set-socialite-gauche-chic
f)        Foram militantes do PCP
g)      Todas as alíneas anteriores são válidas.
 
(Foto de Mário Sousa)
 

 

'Pílula do esquecimento'

por josé simões, em 24.10.08

 

 

No seguimento do post anterior, nem de propósito hoje no Diário de Notícias:

 

«A memória compreende quatro diferentes estágios: a memorização, o fortalecimento, o armazenamento e a recordação de informações e eventos anteriormente memorizados»

 

(Link)

 

(Imagem de Luo Zhongl fanada no New York Times)

 

 

 

Aquela parte do Brasil onde ninguém vai nas férias

por josé simões, em 16.06.08

 

Por um acaso, descobri um site com ligação directa ao outro lado do Brasil; aquele onde ninguém vai passar férias, e onde, para os seus habitantes, o termo “férias” não faz parte do léxico: A Favela.

 

«O Favela Tem Memória faz parte do portal Viva Favela, uma iniciativa da organização Viva Rio. O objectivo do site é valorizar as lembranças e resgatar as experiências dos moradores mais velhos das favelas cariocas. É possível consultar depoimentos; saber curiosidades, como a origem do nome das comunidades; notícias e estatísticas.»

 

A Favela por Marcelo Monteiro:

 

“O nome de uma favela pode ter raízes religiosas (Santa Marta), geográficas (Grota), poéticas (Babilônia). Pode ser uma homenagem a uma personalidade importante (Vigário Geral), um agrado a um político (Vila do João) ou apenas uma brincadeira (Kinder Ovo). E pode ainda ter dois significados diferentes (Rocinha). Mas tem sempre uma explicação. 

O termo favela nasceu no Centro do Rio, com o Morro da Favela. E pegou quando outros barracos de zinco começaram a ser construídos em comunidades do Centro e da Zona Sul. Aí virou substantivo e se espalhou pela cidade. Nos anos 40 eram apenas 60 favelas. Hoje são mais de 600. E haja criatividade.

Nem sempre o nome é motivo de orgulho para os moradores. Mas depois que ele vinga não adianta querer voltar atrás. Entre as maiores fontes de inspiração está a televisão. A favela Salsa e Merengue, por exemplo, foi criada em 1996 - época da novela homônima da Rede Globo. Já Minha Deusa foi batizada em homenagem à atriz Vera Fischer, a Jocasta da novela Mandala.

Os moradores mais antigos têm sempre uma explicação. Nem sempre unânime. Mas o que importa não é a veracidade das histórias, e sim sua aceitação.”