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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Impeachment!

por josé simões, em 25.04.13

 

 

 

Tocou o hino, discursaram os deputados em representação dos partidos, discursou a presidente da Assembleia da República, discursou, pela primeira vez e quebrando o protocolo, o chefe do Governo e o chefe da facção:

 

«As eleições não interessam para nada, o que conta é o memorando com a troika. As concepções ideológicas não interessam para nada, o que conta é o Tratado Orçamental. É preciso consenso político, o meu Governo é que sabe».

 

No dia 25 de Abril, no dia da Liberdade, na celebração do dia que restituiu a liberdade aos portugueses, "de nada valem as eleições, de nada vale a democracia", pela boca de um presidente [com pê pequeno] na casa que simboliza a Democracia devolvida pelos capitães ao povo há 39 anos.

 

Miserável.

 

[Imagem "#25abril Os cravos à frente de Cavaco Silva caíram ao chão…", via]

 

 

 

 

 

 

 

|| O Capitão

por josé simões, em 25.04.13

 

 

 

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"

 

Madrugada de 25 de Abril de 1974, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.

 

[Imagem de Carlos Gil]

 

 

 

 

 

 

|| Da cobardia

por josé simões, em 24.04.13

 

 

 

Além da maçada que é para o actual poder político [Presidente da República e Governo] celebrar a Liberdade, o Dia da Liberdade, e ouvir o povo olhos nos olhos, saudosos que são do respeitinho e da vénia com a espinha bem dobrada.

 

[Imagem]

 

Adenda: Se dúvidas houvessem de que o actual poder instalado não é representativo da vontade popular, a presidente da Assembleia da República fez questão de nos lembrar e confirmar.

 

 

 

 

 

 

|| E a puta que os pariu?

por josé simões, em 25.04.12

 

 

 

Entre outras, "Donos da Liberdade" e "Donos do 25 de Abril", foram expressões inventadas, com o intuito de desvalorizar a real importância da data na História de Portugal e na vida dos portugueses, por aqueles que sempre pactuaram com a ditadura do Estado Novo, que não perdoam aos capitães o terem devolvido ao povo o poder de dizer de sua justiça, e a quem sempre fez muita confusão os macacos não continuarem todos arrumadinhos, cada um no seu galho.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| O espírito da coisa

por josé simões, em 25.04.12

 

 

 

1974 – 2012

Sempre

 

[Na imagem Salgueiro Maia @ Largo do Carmo, Lisboa, 25 Abril 1974, fotografado por Rui Ochôa]

 

 

 

 

 

 

|| Serviço Público

por josé simões, em 24.04.12

 

 

 

Onde se recupera um post antigo deste blogue:

 

Grândola Vila Morena ... o porquê a canção de Abril

 

«Conto esta história na primeira pessoa, porque é a narrativa de uma experiência de vida difícil de esquecer…

Há quem pense que foi a letra que fez do “Grândola” a canção escolhida para “senha de avanço” na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, que foi o poema ou a figura de José Afonso, per se… mas não… se tudo isso pesou, e pesou decerto, a composição do Zeca tornou-se o símbolo da revolução dos cravos por um significado maior, que adquiriu menos de um mês antes. Foi num acontecimento em que participaram muitos portugueses, de forma espontânea, mas que passou relativamente despercebido na comunicação social de então, nesses tempos em que a Imprensa, para falar de certas coisas, tinha que fazê-lo “nas entrelinhas”…

 

Estava-se em Março de 1974.

A Casa da Imprensa organiza, no Coliseu dos Recreios, o “Primeiro Encontro da Canção Portuguesa”.

Quase não aconteceu, porque a necessária autorização nunca chegou. Segundo declarações de José Jorge Letria à Visão, trinta anos depois, “O regime já estava nitidamente em fase de implosão. Quiseram derrotar-nos não com uma proibição do Festival, mas com uma não-resposta. Até ao dia do espectáculo ainda não sabíamos se tínhamos, ou não, autorização. Por volta das 17 e 30 do dia 29, quando cheguei ao Coliseu, já havia muita gente à volta, e ao fundo da Avenida da Liberdade lá estava a polícia de choque… estava a desenhar-se ali um confronto!

O ambiente no país era tenso: menos de duas semanas antes tinha ocorrido o golpe frustrado de 16 de Março, a censura dominava.

 

Eu trabalhava então como repórter free-lancer para o programa “Limite” da Rádio Renascença (o tal que tocou o “Grândola Vila Morena”) e fazia em média seis reportagens de exteriores por semana, com não mais que uma a passar as malhas da censura.

 Nessa noite, fui ao Coliseu, armado de gravador e uma grande vontade de ouvir as vozes que os censores da rádio baniam.

O ambiente era quente, a despeito de uma primavera ainda fria… os bilhetes tido sido todos vendidos e houve quem ficasse à porta. O Governo fez deslocar para o Coliseu muitos agentes da ex-PIDE, que então se chamava DGS, misturados com os espectadores.

A primeira coisa que vi quando cheguei foram dois cavalheiros da censura a verificar as letras do que ia ser cantado – o visado era Adriano Correia de Oliveira, depois seguiram-se todos, sem excepção – o Zeca lá conseguiu ordem para cantar o Milho Verde e uma música alentejana que não pareceu perigosa aos senhores do lápis vermelho, o “Grândola”…

Do palco, a música abraçou um Coliseu com cerca de sete mil pessoas.

Ali estiveram Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Pedro Almeida, Fausto, Barata Moura, Vitorino, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Carlos Paredes, José Jorge Letria e Manuel Freire.

Tudo foi normal até à chegada ao palco do “cantor andarilho”. Zeca cantou o Milho Verde e a plateia pediu as canções que mais gostava… “Os Vampiros”, foi um grito que ouvi várias vezes.

Nessa altura, decidi sair dos bastidores e fui para a plateia, gravar tudo mais de perto.

José Afonso ia dizendo que não podia cantar o que o público queria… “Não pode ser, percebam… vamos cantar outra coisa”…

 

Foi então que se começou a fazer História.

Zeca cantou o Grândola. A meio, a plateia juntou-se-lhe, depois o resto do Coliseu, e também os artistas que tinham estado em palco – voltaram, deram-se braços, cantaram juntos, numa fila que enchia a boca de cena.

A canção estava no fim, por essa altura… e foi natural que nem chegasse a terminar, recomeçando agora a sete mil vozes!

Eu corria de pessoas em pessoa, recolhendo testemunhos que não conseguia ouvir, microfone encostado às bocas…

O som era avassalador, uma música simples, uma letra que todos sabiam, sete mil peitos em riste… até àquilo que foi a mais impressionante manifestação espontânea que assisti em toda a minha vida!

Já o Grândola ia em fins de segunda volta, aconteceu o inesperado…

… a certa altura, em vez de a música continuar alentejana, o próximo verso foi o primeiro do Hino Nacional – assim, sem pausa, sem transição, sem que ninguém tivesse dito nada… parece que foi um sentimento colectivo que sete mil pessoas tiveram!

Grândola Vila Morena transformou-se em Heróis do Mar e foi cantado da primeira à última estrofe, sete mil portugueses de pé a fazer vibrar a sala com o hino da pátria amordaçada, numa repentina liberdade assumida ali e então.

Nada poderia ter sido mais claro, nenhum grito faria mais sentido.

 

Foi um momento que ficou escrito em letras de memória para quem lá esteve, um momento inolvidável, uma pedra de História.

Tinha nascido a razão maior por que “Grândola Vila Morena”, menos de um mês depois, se tornaria a escolha natural para uma senha que iria abrir as portas a um pais novo!»

 

Pedro Laranjeira

 

 

 

 

 

 

|| " (…) são resultado dos aparelhos partidários fechados sobre si próprios" (*)

por josé simões, em 25.04.11

 

 

 

 

 

Ver os capitães de Abril descer a Avenida da Liberdade com uma cauda de bandeiras e palavras de ordem esquerda-retro-kitch, os "donos" do 25 de Abril, não vai com nada. O original, porque se leva a sério, é [muuuuuito] pior que a cópia, daí o sucesso dos Homens da Luta. O Dia da Liberdade não é d(a)e Esquerda nem é d(a)e Direita, não é um dia de luta e reivindicação, não é o 1º de Maio, é uma celebração. Custa muito perceber isto? Custa. E é por isso que uns festejam o 25 de Abril e outros o 25 de Novembro. Até que a morte os una.

 

(*) - "a perda de confiança nos dirigentes políticos é bem mais perniciosa do que a dívida pública"

 

(Imagem "A Poesia Está na Rua”, Maria Helena Vieira da Silva")

 

 

 

 

 

 

 

|| Canal História

por josé simões, em 25.04.11

 

 

 

 

 

Para memória futura o dia em que 3 + 1 ex-presidentes da República, o melhor que arranjaram para mostrar ao povo foi uma aula de história recente de Portugal, em formato "se a minha avó não tivesse morrido ainda hoje era viva". Para o ano há mais, valha-nos isso.

 

 

 

 

 

 

 

|| Como diz a “outra”: “Eu hoje acordei assim”

por josé simões, em 25.04.11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

|| 37 anos

por josé simões, em 25.04.11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

|| «O Estado escolhe p’lo Povo, o Estado decide p’lo Povo, o Estado produz p’lo Povo»

por josé simões, em 25.04.10

 

 

 

 

Compassada e repetidamente, o PSD de Pedro Passos Coelho vem repetindo as “palavrinhas mágicas”: há Estado a mais na vida dos cidadãos. Gostei do discurso de José Pedro Aguiar-Branco. Foi mesmo o melhor discurso da cerimónia. Gostei na forma e, fachavor, poupem-me a análises muuuuuito profundas ao conteúdo, isso agora também não interessa nada e o oráculo está fechado, a pitonisa foi para a praia porque hoje é dia feriado (lembram-se?), e o essencial foi dito e o spin passou.

 

Ver um “reaccionário direitista” agarrar nos ícones e nas bandeiras da Esquerda e esfregá-los na cara hipócrita de alguma da Esquerda causa incomodo a quem… não é de Esquerda. Eu levanto-me e aplaudo.

 

«Liberdade apenas para os membros do Governo e para os membros do partido não é liberdade de todo.»

 

(Imagem)

 

 

|| Dia da Liberdade

por josé simões, em 25.04.10

 

 

 

 

O 25 de Abril de 1974 nas pequenas coisas e nas grandes coisas.

 

 

|| 25 de Abril de 1974

por josé simões, em 25.04.10

 

 

 

 

 

«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.

As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.» (Continuar)

 

(Salgueiro Maia na imagem)