"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Jean-Claude Juncker que, enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo,foi o responsável pelo que ficou conhecido como escândalo Lux Leaks, aconselha os italianos a "mais trabalho, menos corrupção e seriedade". Não ter a puta da vergonha na cara é isto.
Porque, como é por todos sobejamente sabido, quanto mais elevado é o salário mais malandro é o trabalhador colaborador e mais dificuldade têm as empresas e os patrões empresários em contratar.
"Essa foi talvez a única importante reforma que não conseguimos completar [...] durante estes quatro anos. Mas será um objectivo seguramente importante para cumprir nos próximos anos. Nós temos de conseguir ser mais atractivos para o investimento [...] no que respeita ao custo do trabalho para as empresas", Pedro Passos Coelho aos nove dias do mês de Abril do ano de 2015.
Um grande homem que nos governou, dizem eles e ainda não se calaram com isso desde o dia em que se foi embora.
"A Europa ficou muito desiludida com Itália" diz, sem se rir, Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia, e sem perceber que o resultado destas eleições é consequência da Itália ter ficado muito desiludida com a Europa.
A Comissão Europeia, que foi contra o aumento do Salário Mínimo Nacional, tem saudades do Governo da direita radical e da reforma que Passos Coelho lamentou ter deixado por fazer - baixar os custos do trabalho, e insinua que Portugal deve ir mais longe na facilitação dos despedimentos e na precariedade.
O princípio subjacente é o mesmo que leva a que Portugal seja sistematicamente condenado em última instância pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, contra todas as decisões e interpretações dos sucessivos tribunais nacionais, em casos de, por exemplo, liberdade de expressão. Somos todos a favor mas "o respeitinho é muito bonito", com a agravante de, neste caso concreto, o senhor ter passado quatro anos de uma legislatura a proclamar a necessidade de disciplinar, moralizar, fiscalizar a atribuição de fundos comunitários, prontamente badalado aos quatro ventos pelos apóstolos nas "redes sociais".
Com a devolução de salários, pensões e apoios sociais; com reposição de horários de trabalho, preço da hora extra e dias feriados; sem Orçamentos chumbados pelo Tribunal Constitucional, sem Orçamentos rectificativos, sem Plano B e sem aumento do IVA; sem Teodora Cardoso, sem Medina Carreira, sem João César das Neves e sem José Gomes Ferreira.
É uma melhoria de quase 1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.
Discursando no jantar de Natal com os deputados sociais-democratas, o presidente do PSD ironizou com a alusão que lhe é feita à vinda do "diabo", prevendo agora a visita dos "Reis Magos".
Durão Barroso, o português cuja nacionalidade não foi impedimento para chegar a presidente da Comissão Europeia, acusa a Comissão Europeia de discriminação por ser ele, um português, a "assinar" pela Goldamn Sachs.
Curioso, ou nem por isso, ver um maoista passar-se para o outro lado, para o lado da Goldman Sachs que lucrou milhões – custou milhões aos contribuintes europeus durante a maior crise financeira de que há memória desde a Grande Depressão; para a Goldman Sachs que maquilhou as contas públicas gregas – custou milhões aos contribuintes gregos e aos contribuintes europeus, passar-se para o lado dos inimigos do povo, sem o reconhecer – a mui famosa auto-crítica, um dos pilares do maoismo, antes pelo contrário, vitimizando-se qual Calimero. Para ele reeducação pelo trabalho – outro dos pilares do maoismo.
[Na imagem Li Fanwu, governador de Heilogjiang, com o cabelo cortado por membros da Guarda Vermelha numa praça de Harbin, após ser acusado de se tentar parecer a Mao. Li Zhensheng, Contact Press Images, 12 de Setembro de 1966]
Como se a questão não fosse o privilégio que Durão Barroso teve em ser presidente da Comissão Europeia; como se a questão não fosse o conhecimento privilegiado adquirido por Durão Barroso enquanto presidente da Comissão Europeia; como se a questão não fosse a agenda de contactos metodicamente preenchida por Durão Barroso presidente da Comissão Europeia.
Durão Barroso vai tornar-se no primeiro ex-presidente da Comissão Europeia a ver retirados os chamados "privilégios de passadeira vermelha" por Bruxelas, na sequência do cargo que ocupa na Goldman Sachs [...]
Carlos Moedas, herói nacional, de parabéns pelo árduo trabalho na Comissão Europeia em defesa do seu legado de quatro anos como "grilo falante" da troika. A medalhar por Marcelo Rebelo de Sousa. Como diz o outro, "há muita fraca memória na política e nos políticos...".
Uma vez que andou a rezar a Jesus Cristo, a Nossa Senhora, a todos os santinhos, e ao duende da poncha, para que as sanções caíssem em cima de Portugal com toda a força da ira divina;
uma vez que a sua sobrevivência política depende da desgraça de Portugal e dos portugueses e que, entre a desgraça do país, a miséria dos seus concidadãos e a sua sobrevivência não hesita na escolha, como não hesitou em 2011 ao empurrar Portugal para os braços da troika para se alçar ao poder e se lambuzar no "pote";
uma vez que o traste, pela ausência de coluna vertebral, não se demite, nem sequer faz acto de contrição, há ainda algum vertebrado no partido que outrora se reclamou da social-democracia e que, com responsabilidade e movido pelo sentido de Estado, o empurre de vez borda fora?