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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Não estava à espera

por josé simões, em 25.09.10

 

 

 

Para o cronista, um cigano recusar e condenar comportamentos desviantes na sua etnia, como o sejam a mendicidade profissional e o roubo, é racismo "ódio de si" ou "autoproscrição". E não estamos a falar de um cigano “qualquer”, mas de um cigano que conseguiu quebrar barreiras e preconceitos e ser eleito, em eleições livres e democráticas, presidente de uma Câmara Municipal, por eleitores maioritariamente não ciganos, ou brancos ou gadjós, como eles dizem - eles os ciganos.

 

Ao cronista não ocorre que, racismo e preconceito, é a ideia formatada de que todos os ciganos, devem (deviam) defender os “seus”, independentemente do seu desempenho na sociedade, fossem eles prémios Nobel ou serial killers. É a velha lenda salazarenta e que, felizmente, já deixou de ser verdade, de que quando há um qualquer problema com um cigano, numa questão de segundos surgem logo centenas, vindos não se sabe de onde, em defesa dos seus.

 

Um argumento, como sói dizer-se, do caralho! Não estava à espera.

 

 

 

 

 

|| É um problema da União Europeia na medida em que os países de origem são membros de pleno direito da dita “União” (*)

por josé simões, em 19.09.10

 

 

 

 

 

Trabalham comigo na empresa, brasileiros, ucranianos, russos e moldavos e, à porta da empresa, tenho romenas a pedir esmola com filhos de colo ao colo, enquanto os maridos aguardam julgamento no Estabelecimento Prisional de Setúbal por pertença a uma quadrilha de assaltantes de ourivesarias desactivada pela Polícia Judiciária, enquanto os filhos mais velhos, ou os mais velhos que não foram “dentro”, fintam os seguranças dos supermercados da cidade nos intervalos de esmolar nos semáforos da auto-estrada. Os ucranianos, russos e moldavos que trabalham na empresa detestam os outros, os que estão à porta, e não perdem uma oportunidade de os maltratar naquela língua que herdaram do ex-império soviético, e só isto dava, não um post mas um blogue.

 

Podemos falar das coisas com um mínimo de calma e de bom senso?

 

«Os ciganos portugueses vêm com APREENSÃO a chegada dos 'novos ciganos'. Sentem que os seus COMPORTAMENTOS DESVIANTES OU BIZARROS podem pôr em causa a integração».

 

Carlos Soares Miguel, cigano, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, no Expresso.

 

(*) Senão era um problema búlgaro e/ ou romeno, apesar de o ser na mesma.

 

(Imagem A homeless man sleeping on a sofa in the street, London, 1990, by Steve Eason via Hulton Archive/ Getty Images)

 

 

 

|| Ciganofobia

por josé simões, em 08.09.10

 

 

 

 

 

Em Junho de 2009 numa consulta externa no Hospital do Outão em Setúbal, apesar do sistema de atendimento por senhas e apesar dos (poucos) protestos dos restantes utentes, uma família cigana saltou 16 – dezasseis – 16 números na fila de chamada, chamada pela menina do guichet a pretexto de que estavam a fazer muito barulho e a sujar a sala. É ciganofobia ou incentivo à ciganofobia?

 

 

 

|| Do racismo e da xenofobia

por josé simões, em 19.08.10

 

 

 

 

Uns milhares de miseráveis, ao abrigo da livre circulação de pessoas e bens, fugiram dos seus miseráveis países para a Europa rica e próspera, na esperança de continuar com o way of life que os miseráveis  governos lhes negavam nos miseráveis países de origem. Mas o racista e o xenófobo é o filho dos imigrantes que chegou a Presidente de uma das maiores potências da Europa e do mundo.

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

 

|| Como é que se integra alguém que não quer ser integrado?

por josé simões, em 07.04.10

 

 

 

 

 

Não sei porquê, mas ouvir a Amnistia falar em “povo cigano” lembra-me logo o Alberto João Jardim e o “povo da Madeira”: é só “venha a nós”. E retorno?

 

«(…) “têm medo de perder a sua cultura”, de se “abrir à diferença” e também discriminam: as mulheres e elementos de outras comunidades da mesma etnia (…)»

 

(Imagem de Gianni Berengo Gardin)

 

(Em stereo)

 

 

 

|| A culpa é da Microsoft (*)

por josé simões, em 28.08.09

 

 

 

Madonna foi vaiada por milhares de fãs durante um concerto na Roménia depois de condenar a discriminação contra os ciganos:

 

"It has been brought to my attention...that there is a lot of discrimination against Romanies and Gypsies in general in eastern Europe," she said. "It made me feel very sad."

 

(Imagem, La Gitane, Sacro Monte, Espagne, 1951 - Jean Dieuzaide)

 

(*) A culpa é da Microsoft

 

 

O Gueto de Varsóvia

por josé simões, em 17.03.09

 

Com a maior das modéstias, este é um livro cuja leitura gostava de aconselhar à Dona Margarida Moreira da DREN. De fácil leitura, com muitos “bonecos” que ajudam à compreensão, uma vez que a senhora tem provas dadas que não é muito dada às leituras e escrituras.

 

Com coordenação da edição a cargo de Miriam Assor e chancela da Âncora Editores, saiu do prelo em Outubro de 2003, e retrata o dia-a-dia da vida e morte de 500 mil judeus na capital ocupada da Polónia, entre a criação do gueto em 1939 e a sua destruição em 1943.

 

À época também o Conselho Judaico – Judenrat – deu o seu consentimento e anuência às “propostas” nazis. Pode parecer uma comparação demasiado forte ou desproporcionada… a quem não sabe e a quem não leu.

 

“No bom sentido; claro!”

por josé simões, em 10.05.08

 

Estou sentado na esplanada do café a tentar ler o jornal e sou abordado por um cigano que me tenta vender óculos de sol. Versage, Gucci, Armani, Gant; “tudo original! Nada de falsificações que andem aí os azais!”; diz.

Apesar de usar uns verdadeiros – ainda de “antes dos azais” – bem visíveis na cara, isso não o demove: “Doutor, os seus já estão ultrapassados… no bom sentido; claro!”

 

Como é que será usar uns óculos “ultrapassados… no mau sentido”?

 

(Foto de Alex Harford encontrada no Times)

 

 

 

Racismo e xenofobia

por josé simões, em 28.03.07

 Há coisa de umas semanas atrás, surgiu na comunicação social um relatório de uma comissão (ou observatório?) qualquer, onde era apontado o dedo aos portugueses, acusando-os de racismo e xenofobia, e ao Estado português, por nada fazer para a aceitação e integração das comunidades ciganas na sociedade.

 

Vem isto a propósito de, algum tempo já passado desde a apresentação do relatório, a Câmara do Porto ter decidido demolir o Bairro do Bacelo, predominantemente habitado – sem um mínimo de condições – por famílias de etnia cigana, e como contrapartida proceder ao realojamento dos desocupados em pensões, durante um período máximo de seis meses, até ser encontrada uma solução de alojamento definitivo em habitação social.

 

O tempo de alojamento em pensão será pago pela Segurança Social (leia-se dinheiro dos nossos impostos), o realojamento definitivo em novas habitações a cargo do pelouro da Habitação e Acção Social da Câmara do Porto (idem idem, aspas aspas).

 

Não é a solução ideal, mas é melhor do que deixar as pessoas na rua.”

“Deviam ter em conta que se trata de famílias de etnia cigana e que, pela sua cultura, o melhor seria, durante os 60 dias, realojá-las num terreno que, pelos vistos, até estava disponível.”

Vítor Marques, presidente da União Romani Portuguesa (URP).

 

Importa-se de repetir, sr. Vítor Marques?! Como alternativa à barraca, apresenta-se a pensão – e de borla!- e o senhor sugere outra barraca. Quando a habitação social estiver disponível e, como as famílias são de etnia cigana, é preferível continuar na barraca? “é melhor que deixar as pessoas na rua”?! Onde é que elas tem vivido até agora?

 

Ainda sobre esta polémica empolada, o SOS Racismo acusa o presidente da Câmara, Rui Rio, de “políticas racistas e xenófobas ante a solução apresentada”.

 

À consideração dos ilustres que elaboraram o relatório sobre a integração cigana na sociedade portuguesa: Não seria de bom-tom rever novamente as conclusões do relatório? Ou será antes preferível, a maioria da população portuguesa – e para se evitarem de vez as acusações de racismo e xenofobia – integrar-se ela própria nos costumes ciganos, e fazermos deste país um gigantesco parque de barracas, começando e já, por aproveitar o CCL da Caparica?

 

Post-Scriptum: Há uns tempos atrás, um amigo, oficial da Brigada de Trânsito da GNR, confidenciou-me que, existem directivas verbais na BT, para em operações stop, e com o objectivo de evitar “confusões”, não mandar parar veículos conduzidos por ciganos.

Alojamento grátis em pensão, casa oferecida pela Habitação Social, isenção de cumprir o Código da Estrada; afinal sempre existem portugueses de Primeira e Segunda, estão é onde menos se esperava que estivessem…