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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| Fazer os outros de estúpidos

por josé simões, em 09.07.14

 

 

 

Um Governo de fanáticos, ideologicamente cegos e sem a mínima intenção de flexibilização negocial, mete mãos à obra de aplicar à sociedade uma cartilha política que, além de não ter sido sufragada em eleições, foi escondida dos cidadãos pela omissão e pela mentira e, quando determinados sectores da sociedade reagem em defesa do bem comum, ó da guarda que é "por motivos políticos" que exploram o descontentamento da sociedade. Se calhar a sociedade que se sente enganada e usada pela mentira política que não foi a votos. Fazer os outros de estúpidos é isto.

 

[Imagem de Fred Stein]

 

 

 

 

 

 

||| "A nossa lei da greve é uma lei antiquada, imposta pelo Conselho da Revolução"

por josé simões, em 19.03.14

 

 

 

"A greve é fundamental, as pessoas devem ter direito à greve, mas não é por dá cá aquela palha". Não explicou, também não lhe perguntaram, como é que com uma Lei da Greve dos idos do PREC conseguiu cobrir o país de Norte a Sul com uma cadeia de supermercados, chegar a segundo homem mais rico de Portugal, 609º mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 2,8 mil milhões de dólares, e ainda internacionalizar a empresa para a Polónia e tentar a América Latina.

 

Parece que é preciso aumentar o salário mínimo nacional porque "salários baixos possam contribuir para a melhoria da produtividade das empresas". Pois sim.

 

[Na imagem carga policial sobre familiares de operários grevistas, 1943, Travessa do Baluarte, Lisboa, autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Ler nas entrelinhas

por josé simões, em 25.06.13

 

 

 

A 48 horas de uma greve geral convocada pelas duas centrais sindicais [CGTP e UGT], o melhor, e mais bem conseguido, manifesto de apelo à greve saiu do gabinete do ministro Nuno Crato: quando há justeza nas reivindicações vale sempre a pena lutar, sem medo, por aquilo que se acredita. Dignidade no trabalho.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Um fascista velho. Um velho fascista

por josé simões, em 20.06.13

 

 

 

O sobrinho e afilhado do representante da Acção Nacional Popular na ilha adjacente da Madeira e director do jornal Voz da Madeira, onde se arranjou um lugarzinho para o jovem escrevinhar umas crónicas a enaltecer o fascismo, depois de concluído o curso, à rasquinha e depois de muito tempo, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, confortavelmente hospedado numa casa da Mocidade Portuguesa, dispensado que foi de combater na Guerra Colonial e colocado num quartel da ilha adjacente da Madeira, departamento Acção Psicológica Militar, graças a uma vaga caída do céu e que lhe permitia dar aulas no liceu [há gente com muita sorte na vida], como ia a dizer, o sobrinho-afilhado quer fazer com as greves o que se deixou de fazer com as greves logo a seguir ao dia 25 de Abril de 1974, quando os sobrinhos-afilhados e os seus tios e pais e mães foram metidos no devido lugar.

 

[Na imagem Alberto João Jardim com a t-shirt da organização terrorista FLAMA]

 

 

 

 

 

 

 

|| O derradeiro argumento de um perdedor

por josé simões, em 16.06.13

 

 

 

"Há muitos professores que não querem aderir à greve". E remata que os professores não devem ser pressionados, o economista-matemático que, durante anos, teve coluna num semanário a explicar ao povo as cousas da ciência mas que não conhece a Terceira Lei de Newton.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Há coisas que nunca mudam

por josé simões, em 12.06.13

 

 

 

Contava Jaime Serra, um dos protagonistas de uma das fugas mais ousadas e espectaculares de uma prisão do Estado Novo que, após semanas de interrogatórios na prisão, sem a presença de advogado, onde foi submetido a agressões físicas de toda a espécie e crueldade e à tortura do sono, como não havia meio de ceder, lhe deram a ouvir vozes, supostamente da mulher e dos filhos, supostamente na sala ao lado, como chantagem e ameaça. "Se tens amor à tua família é melhor deitares cá para fora tudo ou a seguir são eles", mais ou menos isto, tendo ele respondido que todo o mal que fizessem à mulher e aos filhos era a PIDE, era o fascismo, era Salazar, pelas mãos daqueles agentes, quem o faria e não ele que lutava por uma causa justa.

 

Vem isto a propósito da greve dos professores e da argumentação do ministro da Educação Nuno Crato, do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, do ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, e do Presidente Aníbal Silva, por o princípio ser exactamente é o mesmo: atirar com a greve para cima dos alunos e a responsabilidade dos prejuízos causados para o lado dos professores, como forma de disfarçar e desviar as atenções da opinião pública da incapacidade, e da falta de vontade do Governo, em lidar com o problema de forma racional e honesta.

"O superior interesse dos alunos", diria o Presidente que-foge-dos-alunos da António Arroio depois de ter açulado os alunos dos colégios privados.

 

No avatar Nuno 'Zedong' Crato, a seguir os profs iriam todos para campos de reeducação e não se falava mais nisso, na versão Governo fora-da-lei, dois Orçamentos do Estado chumbados pelo Constitucional, e desrespeito à decisão do mesmo Constitucional na reposição dos subsídios de férias esbulhados aos funcionários públicos, o que dava mesmo jeito era um Tribunal Plenário para julgar sumaríssimamente essa corja. Na falta do tribunal Plenário altera-se a Lei ao jeito do Governo de modo a que não seja necessário um Tribunal Plenário.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Depois "valha-me São Jorge e Nossa Senhora de Fátima!" que lhe chamam nomes

por josé simões, em 06.06.13

 

 

 

Nem foi há tanto tempo quanto isso, foi há 2 anos ["atrás", como agora é moda dizer], decorria a campanha eleitoral para a Presidência da República e o Presidente em exercício, e candidato a Presidente do Governo da Maioria, e de um nicho dos portugueses, não tinha comichões em vir publicamente apelar a que os alunos fossem usados e instrumentalizados como meios para atingir os fins. Era importante e um sinal de vitalidade da "nossa sociedade civil" [devia estar com o pensamento nos Pupilos do Exército ou na Academia Militar...]. Agora, que nem sequer são manipulados por terceiros, é mau, muito mau, a evitar, convoque-se a greve para o dia 10 de Junho, ou para as férias grandes. Mas deixem os da António Arroio de fora, comunistas, anarquistas, e outras coisas terminadas em istas, que se deixam usar e não percebem nada de vitalidade da "sociedade civil".

 

Depois "valha-me São Jorge e Nossa Senhora de Fátima!" que lhe chamam nomes.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Tempos que correm

por josé simões, em 01.03.13

 

 

 

Ouvir em todo o lado os responsáveis pelas falências e pelo aumento do desemprego e a destruição de postos de trabalho e o afundamento da economia, com a agenda escondida da terra queimada, destruir tudo para começar de novo, e onde no lugar de pessoas vêem números, a acusarem os trabalhadores, que recorrem à greve, com prejuízo do seu próprio salário, como derradeira forma de luta pela defesa do posto de trabalho e do emprego, de contribuírem para a destruição de posto de trabalho e de empregos e para o afundamento da economia. Awesome.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| "mas…"

por josé simões, em 15.11.12

 

 

 

Na linha da frente da apologia da ilegalização da greve como um direito encontramos aqueles que dizem que "a greve é um direito, mas…".

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Há Lodo no Cais

por josé simões, em 15.11.12

 

 

 

A Associação dos Agentes de Navegação de Portugal, no papel de Johnny Friendly, quer despedir todos os que ousam fazer-lhe frente e que se recusam ceder-lhe uma parte do seu salário, e substitui-los por militares.

 

Os militares são disciplinados e obedientes, assim também pensaram Salazar e Marcelo Caetano.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Qual é a dúvida?

por josé simões, em 25.10.12

 

 

 

Para apresentar elevados níveis de rentabilidade em resposta à "ditadura" do rácio trabalhador versus instrumento de trabalho; para diminuir encargos com a Segurança Social e com o fisco; para se ter o mínimo, pelo menor número de trabalhadores ao serviço, de responsabilidade na redistribuição da riqueza, acumulada pelo contrato de compra e venda da força de trabalho – a tal da dignidade do trabalho, estrutura-se todo o serviço com base nas horas extraordinárias e, depois do contrato assinado entre o contratante e o contratado, decide-se que o valor a pagar pelas horas extraordinárias, que asseguram o normal funcionamento do serviço na premissa do que anteriormente foi [d]escrito, não é xis como foi previamente acordado mas ípsilon porque agora nos apetece e porque aumenta a mais-valia ao contratante. E o contratado recusa, qual é a dúvida? Aparentemente nenhuma, não fosse a ideia, sim, porque há uma "ideia", voltar aos anos 60/ 70 do século passado, quando os estivadores se acumulavam à entrada dos portos na chegada dos barcos e vinha depois o capataz escolhê-los um a um, pela cara, pela amizade, pela submissão, pelo lambe-botismo, pelos bufos, ou porque sim, e negociava o preço da estiva, paga na hora e no final de cada jorna. Assim, sem mais, e que cada um faça depois o que muito bem entender com o dinheiro que recebe, descontos e comparticipações incluídas.

 

Adenda: Num clip, cirurgicamente amputado do minuto inicial, qual é a dúvida por alguém que trabalha 12 ou mais horas por dia, a qualquer hora do dia, da noite, da madrugado, assegurando, como agora se gosta muito de papaguear, o bom funcionamento da economia, ganhar 5 mil euros mensais?

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Agit-prop manhosa

por josé simões, em 02.02.12

 

 

 

Com o dinheiro da venda dos passes sociais já em caixa no primeiro dia do mês, com os transportes públicos parados por uma greve e, por consequência, não havendo consumo de combustível, de óleo, de lubrificantes, não havendo desgaste de material [carroçarias, pneus, motor, etc.], e sendo que o dia de trabalho e respectivos subsídios e prémios não são pagos aos grevistas, que os utentes, mal ou bem, com maior ou menor dificuldade, com mais ou menos despesa extra, vão chegar aos destinos, e que, no sector privado, se chegarem tarde mais tarde vão sair para compensar o atraso, como e de onde é que aparecem estes 150 milhões de euros?

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Nivelar por baixo

por josé simões, em 03.12.11

 

 

 

Alguma vez fez greve?
(Pausa) Já. Fiz greve em Inglaterra, quando tinha dezassete anos (sorri).

 

Por que motivo?
Estava num campo de trabalho de juventude, ainda era estudante. Trabalhava na agricultura, a colher tomate e feijão-verde e a plantar couves e coisas do género. […] Os proprietários das quintas, que eram empresas, pagavam mais pelas tarefas mais difíceis e menos pelas mais fáceis… Mas houve uma altura qualquer, já não se sabe por que carga de água, decidiram pagar tudo por igual, nivelando por baixo. Era um grupo de 40 ou 50 estudantes de vários países e fizemos greve durante três dias.

 

Resultou?
Eles cederam e repuseram os preços.

 

Para memória futura, António Barreto no i.

 

[Imagem 40 Exciting Occupy Movement Poster Designs]

 

 

 

 

 

 

 

|| Um Governo, uma maioria, um Presidente, uma estação de televisão

por josé simões, em 24.11.11

 

 

 

No final do dia de uma greve geral convocada pelas duas centrais sindicais, o convidado de Mário Crespo, para fazer o resumo da jornada, no telejornal da estação de televisão propriedade do senhor que, sem se rir, diz que «há nos media quem tenha "metido o jornalismo na gaveta"», não foi Carvalho da Silva da CGTP, não foi João Proença da UGT, foi António Saraiva, o patrão dos patrões.

 

 

 

 

 

 

|| O mostrengo

por josé simões, em 24.11.11

 

 

 

«O mostrengo que está no fim do mar, Na noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou trez vezes, Voou trez vezes a chiar»

 

Ainda sou do tempo do país estar em crise que é mais ou menos desde o tempo em que, era eu pequeno, passava o anúncio da Regisconta na televisão: “amigos, há muitas empresas em crise!”.

 

E, desde esse tempo de haver muitas empresas em crise num país em crise, que me lembro que é também o tempo de que só quem faz greve são os irresponsáveis e os comunistas, ou os dois juntos, e, por cada dia de greve feito, as empresas ficam mais em crise e agravam mais a crise no país já de si em crise.

 

A única diferença que noto, desde os idos do anúncio da Regisconta, é no mostrengo. Umas vezes está dentro da nau, ao leme disfarçado de homem, e a greve é um direito e uma conquista da Democracia, e noutras está a voar, três vezes à roda do mastro a chiar comunistas e irresponsáveis. A tripulação, essa é sempre a mesma. Já lá vão quase 40 anos.

 

«Aqui ao leme sou mais do que eu, Sou um povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme, E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme»

 

[Imagem]