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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Divorciados

por josé simões, em 28.03.08

 

Brilhante, o Supremo Sacerdote da Manipulação da Opinião Pública hoje no Público!
 
Divórcio; projectos-lei do PS e do Bloco? Uma questão de classes. Especificamente, “classe média próspera”. Beneficia o homem, porque em média ganha mais que a mulher. Os outros, os que sobram, idem idem, aspas, aspas. O mercado de trabalho favorece o homem e desfavorece a mulher. A mulher fica com os filhos. Machismo? Não. Mais uma questão de honra e moral; qual cavaleiro da Távola Redonda; qual Sir Thomas Malory e o Código dos Cavaleiros! Proteger e cuidar da Senhora até ao último sopro de vida.
 
Ele, Vasco Guedes, pode divorciar-se. Não uma; não duas; nem três; mas quatro vezes! Uma questão de classes. Ele e as ex-wifes pertencem a outra classe; alta / média-alta onde o homem já se libertou dessa coisa do “apoio à família”e da “protecção à Senhora”. A mulher ganha bem. Tão bem quanto o homem; e deve ter cérebro. (Tanto ou mais que o homem?). Sempre o homem…
Machismo? Não. Uma questão de classes. E dentro das classes o tal cavaleiro medieval que, se preocupa não só com a Senhora, mas também com a estabilidade das classes inferiores.
 
Adenda: Não deixa de ter a sua piada ver um divorciado – Pedro Santana Lopes – votar contra o projecto-lei do divórcio a pedido de um dos cônjuges. Não deixa de ter a sua piada, Luís Filipe Menezes – outro divorciado – mostrar reticências ao mesmo projecto-lei. Também uma questão de classes? Sempre há quem se livre destes incómodos e vá casar a Las Vegas. Outra vez as classes!
 
(Foto via Ad Lib Studios)
 
 

Crónicas do Supremo Sacerdote

por josé simões, em 25.01.08

 

O Supremo Sacerdote da Manipulação da Opinião Pública volta à carga na última página do Público. (O que eu gosto das sextas-feiras só pelo prazer de o ler!).
 
Tem sempre a vida facilitada; escreve à sexta, dá-lhe tempo mais que suficiente para ir deitando um olho aqui, outro olho ali, pelos blogues, depois é só alinhavar, e como todo o bom cozinheiro que se preze, uma pitada da sua autoria. Adiante.
 
O tema é a Cunha Vaz & Associados (manipulação e embrulhos, uma área da sua especialidade). E pasme-se (!!!) o elogio de Santana Lopes, por recusar a “interferência de Cunha Vaz no grupo parlamentar do PSD”. Termina com: “Não aceitou. O “menino guerreiro” começa a crescer?
 
Pois é, caro Vasco Correia Guedes. Começa a crescer mas não no sentido que V.ª Ex.ª lhe quer dar na crónica. Não no sentido de maturidade e juizinho. Começa a crescer mais para os lados. No sentido de ocupar terreno e marcar posição. Luís Filipe Menezes que se cuide.
 
(Foto via Time Magazine)
 
 

O verdadeiro artista (XXIX)

por josé simões, em 28.12.07

 

“A favor dele tem o défice (3 por cento), uma coisa fácil de conseguir pela força (…)”
(Negrito meu)
 
Vasco Pulido Valente sobre José Sócrates hoje no Público
 
 

Uma dúvida séria

por josé simões, em 27.04.07

 Paulo Rangel fez no “25 de Abril” o único discurso que precisava de ser feito. O discurso essencial: o discurso sobre o perigo em que hoje manifestamente está a liberdade. Não admira que não tenha vindo do dr. Cavaco. Nem que Sócrates, com a sua insuportável arrogância, o tenha resolvido arrumar como “bota-abaixismo”. Portugal sempre desprezou a liberdade. Nunca a pediu e não a reconhece. E, mesmo ao fim de trinta anos de um regime supostamente democrático, não a percebe bem. Ainda ontem, 26 de Abril, este jornal e o Diário de Notícias traziam em título a notícia de que o Governo publicou um “guia”, para incitar o funcionalismo à denúncia. Nenhum comentou esta aberração. Que o Ministério da Justiça fabrique de repente um exército de 700. 000 espiões não os comove.

Primeiro, o dr. António Costa inventou o cartão “5 em 1”, que permite a qualquer autoridade investigar comodamente a vida de qualquer pessoa. Não houve quem se ralasse com a ameaça e a indignidade da coisa. A seguir, as polícias passaram para a tutela directa de um secretário-geral (sob o eufemismo de “coordenação”) e o secretário-geral ficou sob a tutela directa do primeiro-ministro. Ninguém, ou quase ninguém, abriu a boca. Como ninguém, ou quase ninguém, abriu a boca quando se criou um Conselho Superior de Investigação Criminal, a que Sócrates fatalmente preside e a que pertence o procurador-geral da República. O país político gosta que o povinho ande vigiado.

 

E não gosta de jornalistas. Neste capítulo não faltou colaboração a Sócrates. Tanto o PSD como o PS (e não sei se o CDS) votaram a favor de uma Entidade Reguladora da Comunicação, com um estatuto constitucional ambíguo, destinada a meter a canalha na ordem. Mas parece que a entidade não chegava. O dr. Santos Silva foi mais longe e prepara agora, amoravelmente, uma “Comissão de Carteira” com poderes penais. Já não bastavam as pressões daqui e dali, já não bastava o servilismo oficial ou voluntário e a chantagem implícita ou aberta, era preciso o pau. Paulo Rangel não se enganou: existe um clima de “condicionamento” e “claustrofobia”, um clima de intimidação. E uma pergunta de que o primeiro-ministro e o dr. António Costa não se deviam rir como inexplicavelmente se riram: quer ou não quer este Governo uma democracia “musculada” e o geral conformismo da imprensa e da televisão? A dúvida é séria e merece uma resposta séria.”

 

Vasco Pulido Valente no Público de hoje.

A farsa e a polícia

por josé simões, em 02.03.07
 Vasco Pulido Valente, para ler hoje no Público.

 

“ (…) o dr. António Costa se prepara (infelizmente de acordo com o PSD e Marques Mendes) pata juntar as principais forças de segurança (GNR, PSP, SEF e PJ) sob um comando único. Verdade que, para efeitos de camuflagem, o presuntivo comandante se chama “secretário-geral”. Só que “em circunstâncias especiais” (por definir, como se calculará) a lei permite que ele tome a “direcção” e o “controlo” directo de qualquer operação. Com o novo cartão polivalente, o célebre 4 em 1, e esta máquina a funcionar, a privacidade (para não dizer, a liberdade) do cidadão é nula. Esteja onde estiver, o Estado está com ele. Enquanto na Assembleia da República o eng. Sócrates simula o debate, no Ministério do Interior (não me enganei) o dr. Costa “organiza” os portugueses. Não sei porquê, este regime não me cheira bem.