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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Queimar etapas

por josé simões, em 01.09.09

 

 

 

Em 1983, quando fiz o meu primeiro Interrail, à parte o ter perdido os primeiros comboios até me habituar à ideia que havia sítios onde os comboios chegavam e partiam a horas, o que me chamou a atenção foi o não haver passagens de nível em países como França e Itália. E ninguém atravessava a linha, porque até nos apeadeiros mais manhosos havia uma passagem subterrânea para passageiros.

 

Entretanto passaram 26 anos, entrámos na Europa, mas a Europa não entrou em Portugal, e os milhões para o TGV andam por aí. Não é que seja contra o TGV, antes pelo contrário, é a nossa mania de “queimar etapas”.

 

(Imagem The Southend Pier Train fanada no The Times)

 

 

 

 

Manobras de Janeiro

por josé simões, em 17.01.09

 

Se a Dona Manuela, em jogada de antecipação, e numa tentativa de desviar as atenções pela sua mudança de posição quanto ao TGV, não tivesse vindo dizer que José Sócrates foi fazer queixinhas aos espanhóis, a notícia do dia teria sido que Andrés Ayala, porta-voz do PP na Comissão de Fomento do parlamento espanhol, e da “família política” do PSD, “considerou os comentários de Manuela Ferreira Leite «incompreensíveis e surpreendentes»”.

 

(Foto fanada no Times)

 

 

TGV Porto-Vigo

por josé simões, em 27.09.07
Por mais voltas que dê, o único argumento de peso que encontro para justificar a construção de um ramal do TGV entre o Porto e Vigo, e que «não é sustentável do ponto de vista financeiro», é o de proporcionar, fugas, perdão, deslocações mais rápidas a determinados presidentes de determinados clubes de futebol.

Todo o burro come palha é preciso é saber dá-la… (*)

por josé simões, em 26.09.07
Manuel Serrão, o tal, aquele que está para Pinto da Costa como Vasco Graça Moura esteve para Cavaco, ou se preferirem, como Vital Moreira está para Sócrates, escreve hoje sobre uma notícia bombástica (segundo o próprio), já com uma semana de vida, e que, para sua indignação, não foi motivo de indignação para mais ninguém; passou despercebida… (Aqui).
 
A notícia é que «o metro Sul do Tejo custa em média 15 mil euros por dia, com cada carruagem a transportar em média 4 pessoas por viagem» e como a notícia já tem uma semana «pode o custo ser maior ou já ter falecido algum dos utentes habituais» e mais grave ainda «descontando esta tal semana a mais, os primeiros quatro meses de funcionamento do percurso Corroios-Cova da Piedade já custaram ao erário público quase dois milhões de euros» e só «estamos a falar dos custos de funcionamento, que a notícia era omissa no que toca a custos de construção». E conclui dando largas à sua revolta e indignação: «Fosse Corroios em Gaia ou a Cova da Piedade em Matosinhos e uma semana depois esta notícia permaneceria plena de actualidade. Todos os burros comem palha…»

Ao manjar dos burros já lá iremos mais à frente. A novidade aqui reside no facto de a cruzada Porto-Lisboa iniciada há umas décadas por Pinto “Geraldo Sem-Pavor” da Costa, a pretexto da hegemonia futebolística e que rapidamente arregimentou cruzados, entre cavaleiros nobres, escudeiros e cavaleiros-vilãos com a cobertura e apoio de alguns senhores das terras; e evoluiu posteriormente para outro patamar que passou a abarcar o político-administrativo, a novidade nesta guerra, ia eu a dizer, é o já se estender ao resto do Al-Andaluz… A não ser, e como estamos a falar de burros, que Manuel Serrão não pesque nada de Geografia e julgue que Corroios e Cova da Piedade sejam freguesias de Lisboa, o que duvido…
 
Esta bomba com timming de deflagração - afinal já passou uma semana… - arrisca-se a rebentar por simpatia. É que ontem Ana Paula Vitorino, a secretária de Estado dos Transportes, andou entretida a largar bombas mesmo nas barbas de Manuel Serrão sem que ele tenha dado por isso (?), quando disse preto no branco que a linha de alta velocidade entre o Porto e Vigo «não é sustentável do ponto de vista financeiro» mas que apesar disso vai ser construída por se considerar que beneficiará o tecido económico do Norte do país. (Ler aqui). Qual custos de construção, qual custos de funcionamento, qual média de pessoas por viagem e por carruagem, isso não interessa nada. Construa-se que é no Porto, perdão, no Norte.
Em 8 de Novembro de 1998 os portugueses foram chamados a dizer de sua justiça entre o Sim e o Não à Regionalização. Se a memória não me falha ganhou o Não, num referendo comprovadamente desnecessário, uma vez que os lobies regionais funcionam bem; bastante bem até. Só assim se compreende os milhões retirados ao erário público para a construção de uma linha não rentável de TGV.
E agora o manjar dos burros: Quando se tem a manjedoura cheia de palha, como é o caso de Manuel Serrão, e se vira o focinho para o lado sem sequer se dignar a cheirá-la, compreende-se melhor a sua ânsia em querer dar de almoçar aos outros.
 
(*) Título da crónica de Manuel Serrão no Jornal de Notícias.

Os tempos que correm

por josé simões, em 10.07.07

 A propósito dos tempos que correm – OTA e TGV, combate ao défice e combate ao terrorismo, reestruturação do Serviço Nacional de Saúde, guerra no Iraque, nova Lei para a Comunicação Social e os casos recentes na Saúde, e, até o novo Tratado Europeu, de entre outros – lembrei-me de uma coisa que li, tinha para aí os meus 16 ou 17 anos:

 

«Era, por isso, necessário ensinar as pessoas a não pensar e a não emitir juízos, obrigá-las a ver o que não existia e a defender o oposto do que era óbvio para todos.»

Boris Pasternak, O Doutor Jivago.

Ir apanhar o TGV a Badajoz

por josé simões, em 08.07.07

De há um mês para cá que, todos os dias, sai um anúncio no Diário de Notícias de uma companhia aérea de Low Coast – a Voeling; passe a publicidade. Diz o anúncio que os voos para Madrid e Barcelona custam 30 euros, mais umas taxas em letras miudinhas para a reserva. Tudo somado dá 35 euros e picos, mais coisa menos coisa. No final deste mês vou passar um fim-de-semana a Madrid - parto na quinta à noite, venho no domingo à hora do jantar. Nada mais barato.

Ontem a secretária de Estado dos Transportes, Ana Vitorino, disse, num tom misto entre a censura e o desalento que em 2010 já será possível apanhar o TGV em Badajoz com destino a Madrid; e que, em Portugal, por causa das nossas indecisões e dos intermináveis debates, na melhor das hipóteses só teremos TGV lá para 2013.

Imaginemos que já estamos em 2010. Para apanhar o TGV em Badajoz com destino a Madrid tenho duas hipóteses: ou vou de carro e gasto uma pipa de massa em gasolina e portagens; ou vou na Rede Expresso e papo 5 ou 6 horas de viagem e nunca mais lá chego. Imaginemos agora que estamos em 2013. Vou apanhar o TGV a Lisboa com destino a Madrid. Segundo os estudos apresentados, o preço do bilhete entre as duas capitais ibéricas, a preços de hoje, rondaria os 100 euros. Mas eu vou a Madrid no final deste mês por 70 euros!

Às vezes dou comigo a pensar se os ministros, secretários de Estado, sub-secretários de Estado e secretários dos secretários vivem e governam o mesmo país, que eu e os outros cidadãos habitamos.

 

Dito

por josé simões, em 15.03.07

 “Quando, depois de o Governo decidir o aeroporto na Ota, o Presidente diz que há um problema de escolha técnica, o que tem enorme significado político, as razões técnicas para explicar o novo aeroporto não são suficientes, o que é um problema político. O Governo insiste na Ota, quando técnicos reputados colocam enormes reservas a um aeroporto só para 30 anos e com problemas de segurança e de instalação num terreno alagadiço. Porque insiste o Governo na Ota? O que faz desta uma questão política, ainda que a escolha seja técnica? O Governo precisa desesperadamente de investimento na construção civil, na segunda parte do seu mandato. Daí a Ota e o TGV.”

 

Pacheco Pereira, Quadratura do Círculo/ SIC Notícias, ontem.