|| I want to believe
"Queremos provocar os partidos à esquerda, interpelá-los, obrigá-los a tomar posição"
[Imagem de Philipp Igumnov aka Woodcum]
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"Queremos provocar os partidos à esquerda, interpelá-los, obrigá-los a tomar posição"
[Imagem de Philipp Igumnov aka Woodcum]
Rui Tavares quando era teen sonhava com a praia debaixo da calçada e tinha na parede do quarto um poster com o Cohen-Bendit a fazer carantonhas à polícia.

Anunciou que se «desvincula do grupo parlamentar do partido, mas mantém as suas funções como deputado independente», eleito nas listas do partido cuja direcção agora não lhe «merece a confiança política e pessoal». Independentes.
(Imagem fotograma de Once Upon a Time in the West)
Como membro do colectivo 31 da Sarrafada (apesar de em 50% dos casos (ou mais) estar em completo desacordo com o que é escrito e dito pelos outros elementos do bando no Twitter e no blogue), só me resta manifestar o meu espanto por, nos alvores do sec. XXI, ainda haver gente para quem o mundo é uma coisa simples: uns são de Esquerda, outros são de Direita, e prontEs! não se fala mais nisso.
“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu”, Mateus 5, 3-12.
(Cherry Vanilla na imagem)

É ridículo, para não lhe chamar outra coisa, invocar Zeus para não proferir a palavra Deus, só porque se é agnóstico, ateu, não crente ou o que lhe quiserem chamar.
Dizer «Deus sabe» é expressão popular, não profissão de Fé.
(Imagem de Rafael Trobat)
Ontem tinha sido Rui Tavares no Público (só assinantes), hoje é o Pedro Lomba no Diário de Notícias.
Porque é que os portugueses estão a virar “à esquerda”; porque é que os portugueses são “de esquerda”?
Parece-me (a eles) que é por causa das desigualdades. E das assimetrias. E das injustiças sociais. E por ganharem pouco. Ainda tentei saber se havia uma equação demonstrativa, tipo: Baixos Salários + Aumento do Custo de Vida = Comunismo, ou Desemprego + Inflação : Taxas de Juro = Esquerda, mas não dei fé de existir.
Este tipo de análises soa(m)-me sempre a “manhosa”, porque se baseia(m) essencialmente no factor económico, ignorando o resto. E a meu ver “o resto” tem um peso muito maior a ter em conta na abordagem do “fenómeno”. Não explicam, por exemplo, que sendo a Direita tradicionalmente tão ciosa da ordem e da paz social não aproveite para quando é poder se manter ad eternum na governação, através de politicas que melhorem os salários e a qualidade de vida das populações e inibam “a rua”, que por sua vez é capitalizada pela Esquerda para chegar ao poder. Que inevitavelmente o vai perder nas urnas para a Direita, porque afinal não tinha a varinha mágica para acabar com as desigualdades e as injustiças, e que na maior parte das vezes a solução encontrada para as corrigir é fazer o nivelamento por baixo. É um circulo. Assim como um cão a morder a cauda.
Para já não falar de uma personagem da vida pública de Setúbal que é dono de 4 – quatro – 4 ourivesarias na baixa, militante do Partido Comunista e que quando vai de férias é para o parque de campismo. Expliquem lá esta; não era suposto ser um reaccionário direitista do caraças?
Adenda: para um dos itens d’ “o resto” que falta, recupero um excerto de um artigo de Gonçalo Reis na saudosa Revista Atlântico que usei como introdução a este post.

Sejamos claros.
Os bancos “arredondaram os empréstimos à habitação” e foram ao bolso das famílias numa média de cinco mil euros por cada uma.
“A Operação Furacão encontrou fraude empresarial em grande escala”.
Ninguém sabe quem é o Jacinto Capelo Leite que deu dinheiro ao PP ("partido" do Paulo Portas). O mesmo PP que nunca explicou o caso dos sobreiros nem o caso dos submarinos.
Tem razão Rui Tavares hoje no Público: Uma cambada de malandros! (Que é para não lhes chamar outra coisa).
O que não invalida que uma cambada de malandros (também para não lhes chamar outra coisa) seja quem recebe uma casa do Estado ou da Câmara Municipal e não se digna a pagar uma renda simbólica; isto apesar de ter carro de alta cilindrada estacionado à porta; plasma e dvd e playstation na sala e telemóvel última geração no bolso.
O que não invalida que uma cambada de malandros seja quem recebe o Rendimento Mínimo e passa os dias de papo para o ar entretido com negócios pouco claros (desde tráfico de substâncias várias até venda de material contrafeito) para compor o rendimento.
Seja cigano ou preto; branco ou amarelo; ou até cor-de-rosa às pintinhas.
Post-Scriptum: Gostava de perceber qual ou quais as razões, para que os recebedores do Rendimento Mínimo não trabalhem (por exemplo em serviços em prol da comunidade; hospitais, escolas, Câmaras, etc.) enquanto usufruem da prestação. Certamente serão “boas razões”.
(Foto de James McManus)

Não sei em que raio de país, ou em que espécie de redoma vive Rui Tavares quando escreve no Público (sem link) que “não se iludam: não dá para atrair o engenheiro indiano e expulsar o pedreiro indiano (…) – os imigrantes, principalmente os “qualificados”, vão para onde sentem abertura”.
O que eu sei, e por contacto directo no dia-a-dia com a realidade, é que dá para atrair o engenheiro, o professor, ou o médico moldavo e / ou ucraniano para fazer o trabalho de pedreiro.
(Foto encontrada no Le Soir)
