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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Começa hoje a luta dos pais pela estabilidade no emprego e por um mínimo de harmonia familiar

por josé simões, em 13.09.10

 

 

 

 

 

O primeiro dia de aulas começa com uma reunião professor – pais/ encarregados de educação das 09:00 às 11:00 AM. Leram bem: das 09:00 às 11:00 AM. Milhares de pais perderam uma manhã de trabalho porque o stôr larga o serviço às 17:00 PM. São as famílias (e as empresas) e os alunos que têm de flexibilizar/ adaptar os seus horários em função da casta superior da sociedade portuguesa.

 

Obviamente que quanto a isso, do Comissariado para a Educação aka Fenprof, nem um pio.

 

(Na imagem fotograma do filme Band à part, Jean-Luc Godard, 1964)

 

 

|| Lembro-me sempre das histórias contadas pelo meu pai à mesa da refeição

por josé simões, em 07.09.10

 

 

 

 

 

Fazer todos os dias 20 quilómetros ( 10 para cada lado) com a lancheira numa mão – pão, linguiça e azeitonas – e a ardósia na outra, descalço debaixo de chuva ou debaixo de sol, para ir à escola num barraco manhoso na parte de trás da igreja lá na aldeia. O meu avô era um analfabeto, médio rendeiro no Alentejo, e o meu pai andar na escola implicava o esforço de menos um braço de trabalho no campo.

 

Parece que agora os meninos, filhos da geração da fartura que nunca houve, do facilitismo e do venha a nós, vão ter de fazer até 30 e tal quilómetros de autocarro para ir para uma escola toda xpto, com refeitório e ginásio e computadores e tudo. É uma maldade inaceitável as coisas que agora se fazem às crianças.

 

(Imagem de Boris Mikhailov)

 

 

 

|| Esqueçam tudo o que aprenderam

por josé simões, em 13.06.10

 

 

 

Depois de anos (muitos) a aprendermos na escola, a ouvirmos nas televisões, a lermos nos jornais que, a industrialização dos grandes centros urbanos, nomeadamente as capitais - e principalmente o litoral - em conjunto com o fenómeno imigração, lev(a)ou à desertificação do interior, ao declínio da taxa de natalidade, ao abandono da agricultura, ao encerramento de teatros, cinemas e outros equipamentos culturais, ao fecho de hospitais e escolas, à morte das aldeias e vilas e, last but not least, até as famosas auto-estradas de Cavaco Silva primeiro-ministro, que serviram para fugir mais depressa ao invés do seria suposto, para chegar mais rápido, desaprendam agora tudo o que sabem porque, afinal, a coisa é muuuuuito mais simples: basta não encerrar a escola e tudo se resolve.

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

|| Populismo manhoso

por josé simões, em 25.03.10

 

 

 

 

«Professora diz que bullying existe em todas as escolas e atinge todas as classes sociais»

 

Voltamos ao princípio: como é que o CDS vai responsabilizar - e cortar nas prestações sociais - as denominadas “classes sociais altas”?

 

(Na imagem New York, July 22, 1918, B.V.D. Valentine, the family at an American Red Cross event., George Grantham Bain Collection)

 

 

 

|| Miséria!

por josé simões, em 18.02.10

 

 

 

“Vais trabalhar que é para te fazeres um homenzinho e saberes o que custa a ganhar a vida”. Iam trabalhar como aprendizes para as oficinas e de borla, porque o patrão fazia um grande favor aos pais por “insinar” um oficio aos filhos.

 

Ouvi muitas histórias destas à mesa das refeições em casa dos meus pais, andava eu na escola primária, pedagogicamente contadas como forma de marcar a diferença e de valorizar o esforço familiar feito na educação dos filhos. The Times They Are a-Changin' já tinha sido anunciado em 1964, e por cá fazia pouco tempo que Salazar tinha morrido.

 

Trinta e cinco anos depois do 25 de Abril o trabalho ainda “induca”?

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

|| Se Portugal fosse um país a sério…

por josé simões, em 13.02.10

 

 

 

Entretanto houve alguém que num gabinete de arquitectura ganhou muuuuuito dinheiro com o projecto, e alguém que numa construtora que ganhou muuuuuito dinheiro a erguer a escola, e alguém, não sei se ganhou muuuuuito dinheiro por isso, que fechou os olhos aos atropelos à legislação. E isto para ficar só pela "espuma".

 

Entretanto vai haver alguém que vai ganhar muuuuuito dinheiro com a demolição da escola, e alguém num gabinete de arquitectura que vai ganhar muuuuito dinheiro com um novo projecto (o mesmo gabinete e o mesmo arquitecto?), e alguém numa construtora que vai ganhar muuuuuito dinheiro a edificar uma nova escola (a mesma construtora?).

 

E como soe dizer “o dinheiro não estica”, quem vai pagar esta espécie de dois-em-um engorda contas bancárias de ½ dúzia, é o suspeito do costume…

 

(Na imagem La scène d’orgie dans le film La Fin du Monde, Circa 1931)

 

 

 

|| Um tiro privado

por josé simões, em 13.01.10

 

 

 

 

 

E se o “tiroteio” de ontem, em vez de ter sido num colégio privado, tivesse sido, por exemplo, na escola da Bela Vista em Setúbal? a “tourada” que havia hoje na Brigada Helena e insurgência limitada

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

|| Ataques cirúrgicos

por josé simões, em 24.11.09

 

 

 

Em quase gritaria, à porta da escola uma MILF com “produção” Zara, a fingir que falava para o rebento-fêmea mas com a intenção de atingir a rua toda: “Se for uma menina dás dois pontapés nas canelas se for um rapaz dás um pontapé na pilinha”.

 

Menina que não é rapariga e rapaz que nunca há-de ser menino e de pequenino é que torcemos o destino. Dos nossos e dos “dos outros”.

 

(Na imagem Girl Holding Icecream Bomb by Bansky)

 

 

 

 

|| Novas da Frente

por josé simões, em 03.11.09

 

 

 

O Comissário para a Frente na Educação finge não ter percebido que o Partido que representa além de não ter ganho as eleições passou para 4ª força política no Parlamento.

 

O Comissário para a Frente na Educação finge não perceber que os restantes co-cidadãos de cujos impostos sai o pagamento dos salários, reformas e segurança social dos stôres que ele diz representar exigem que os stôres sejam efectivamente avaliados pelo seu desempenho, como acontece no lado de cá do muro da escola, e não ao estilo soviético com o prof do mês condecorado pelo Comité de Fábrica e com o nome no quadro de honra.

 

O Comissário para a Frente na Educação finge não perceber que o ministério da Educação não é uma agência de empregos e que a questão de ganhar ou não ganhar «estes profissionais» só existe na sua cabeça e na dos «estes profissionais» e que há muito professor sem emprego há espera duma futura vaga deixada por «estes profissionais».

 

O Comissário para a Frente na Educação diz que «o maior desafio não é a carreira nem a avaliação, mas estes são no imediato os principais"» e finge que nós não sabemos que o «no imediato» remonta ao dia 26 de Abril de 1974.

 

(Na imagem de autor desconhecido, o Exército Vermelho faz uma pausa na caminhada para Berlim)

 

 

 

|| Partiu Para Férias

por josé simões, em 21.07.09

 

 

 

O ano lectivo de 1978 que eu militantemente tinha passado a saltitar entre a Associação de Estudantes, as aulas, e a Rádio da Escola, tinha terminado, e, apesar de já saber ao que ia e o que me esperava, e apesar de não ter uma única negativa, levava uma secreta esperança a caminho das pautas. P. P. F. era o que lá estava escarrapachado a tinta vermelha. P. P. F. na gíria estudantêz-baldas  means Partiu Para Férias, em linguagem professorêz-burocrático significa Perdeu Por Faltas. Havia lá maior injustiça? Eu era quase um herói da revolução e não tinha tido uma única negativa!

 

A rebaldaria agora é maior que nos idos do PREC?

 

(Imagem fanada na Time Magazine)

 

 

 

|| Leia em voz alta

por josé simões, em 17.05.09

 

Recorrer ao teleponto. Isso sim seria um verdadeiro salto tecnológico; uma escola para o séc. XXI.

 

(Imagem de Dorothea Lange)

 

A Quadratura do Círculo

por josé simões, em 14.03.09

 

É impressão minha ou aqueles que reclamam contra esta medida do ministério da Educação, porque, dizem eles, em vez de uma escola estamos a criar um depósito de crianças, são os mesmos que ininterruptamente nos gritam aos ouvidos que é necessário trabalhar mais horas e flexibilizar os horários de trabalho, e que a instituição família se está a desagregar porque os pais não estão com os filhos e que já ninguém fala com ninguém e que é cada um para seu lado?

 

Vá lá, decidam-se de uma vez por todas.

 

(Foto roubada no Guardian)