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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A natureza das coisas (campanhas negras)

por josé simões, em 28.02.09

 

É deveras interessante que quem incessantemente reclama contra os julgamentos na praça pública, delineie como estratégia de vitimização trazer o caso Freeport para o congresso do partido. Está encontrado o inimigo-comum externo que vai servir como pólo aglutinador do partido à roda do líder nas próximas batalhas eleitorais: "a campanha negra".

 

É perigoso para Sócrates levar o caso Freeport a votos, mas foi a pedido do próprio. E venha quem vier, dê por onde der, Sócrates recordou que “em democracia é o povo quem mais ordena”. Onde é que eu já ouvi isto?

 

Longe de mim comparar José Sócrates e o caso Freeport aos casos Fátima Felgueiras, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro - quer na forma quer no conteúdo; mas a forma e o conteúdo como José Sócrates se vitimizou perante a plateia de Espinho é igualzinha à forma e ao conteúdo que serviram para as reeleições de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e Valentim Loureiro. Nada de novo; o povo é quem mais ordena.

 

Adenda: este meu escrito sobre "campanha negra" por analogia com o sampler.

 

 

O dérbi do ano

por josé simões, em 20.02.09

 

«Se o Sporting-Benfica é o dérbi da semana, o do ano é o Freeport-BPN, disputado diariamente na Comunicação Social entre as duas metades do Bloco Central. O Freeport joga em casa, pelo menos até Outubro, o que é vantagem não negligenciável pois a arbitragem, nestes casos, tende a ser caseira.»

 

Até ver, a crónica do ano, por Manuel António Pina no Jornal de Notícias.

(Na íntegra).

 
 

O(s) Verdadeiro(s) Artista(s)

por josé simões, em 05.02.09

 

 

O Correio da Manhã publica uma nota editorial com o título «Reforma da mãe de Sócrates», e quando podíamos ser levados a pensar que seria um pedido de desculpas aos leitores por haverem metido a senhora, mãe do primeiro-ministro, ao Freeport barulho sem que para tal tenham apresentado uma relação causa-efeito, num caso que dizia única e exclusivamente respeito ao filho, não; pedem desculpas porque se enganaram nas contas (!!!). É o jornalismo que temos.

 

Adenda: E que tal deslocalizar o pasquim jornal para Inglaterra onde este género de jornalismo tem sucesso?

 

Por falar em argumentos pouco sérios

por josé simões, em 02.02.09

 

 

Como já lá existia uma antiga fábrica, nada melhor para requalificar a zona que a construção de um centro comercial com um parque de estacionamento à volta para aí tamanho do estádio da Luz e servido por uma via rápida; «pequenas alterações», dizem.

 

Nunca lhes passou pela cabeça que a melhor maneira de requalificar a zona fosse pura e simplesmente demolir a fábrica, limpar os terrenos e devolvê-los à natureza e às populações, como forma de corrigir uma barbaridade ambiental e aumentar a qualidade (de)vida.

 

Se calhar passar pela cabeça passou, mas e depois a joint-venture construção civil/ partido que é sempre muito útil para financiamentos vários em campanhas várias?

 

 

Como diz a outra: “Eu Hoje Acordei Assim”

por josé simões, em 01.02.09

 

Eu até tinha acordado mal disposto por causa do tempo, e isso, mas depois de um zapping pela blogocoisa o meu humor sofreu uma alteração de 180º.

 

No dia 30 de Outubro de 1938 Orson Welles avisou que ia ser uma dramatização mas ninguém o ouviu, e foi necessário interromper a transmissão para que a CBS repetisse que o programa de rádio era isso mesmo…um programa de rádio.

 

No dia 1 de Fevereiro de 2009 vai ser necessário interromper alguma coisa para chamar alguns à realidade? Parece que já os estou a ouvir: “nas próximas já não leva o meu voto!”

 

(Ainda fiquei indeciso entre A Guerra dos Mundos e A Alma Simples (Kipps) do mesmo H. G. Wells, e que saiu em Portugal pela Portugália Editora)

 

 

Bem-vindo ao clube!

por josé simões, em 31.01.09

«(…) o que é que leva um governo, que supostamente atribui importância às matérias ambientais, a autorizar, ainda que formalmente de acordo com a Lei, a construção de uma infra-estrutura daquelas numa zona de protecção ecológica”»

 

Ando ao tempo a martelar neste ponto (aqui e aqui). E tudo o resto é acessório (a matéria para responsabilidade penal). Ou devia ser. Mas anda toda a gente entusiasmada com o tio e o primo, e agora também com a mãe; como forma de chegar ao sobrinho ao primo, e agora também ao filho. É a qualidade da democracia que temos.

 

 

Patilhas & Ventoinha

por josé simões, em 31.01.09

 

Um dos méritos do Freeport affair foi o de nos revelar ad nauseam o potencial inspector Varatojo que há em cada um de nós, na variante Patilhas & Ventoinha.

.

 

Lisura de procedimentos

por josé simões, em 30.01.09

 

 

«Um responsável do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) terá anunciado aos técnicos do organismo que o projecto do outlet Freeport ia ser "chumbado", em Dezembro de 2001, mas que era um "chumbo estratégico, pois em três meses ia estar tudo resolvido". O que aconteceu»

 

Ou trocando por português corrente: Esperem lá um bocadinho porque daqui a 3 meses há eleições e pode ser que assim os comunas saiam da Câmara e ganhamos nós e depois avançamos com o empreendimento e temos obra feita para mostrar nas próximas autárquicas.

 

Só que as contas saíram furadas e 4 anos depois a CDU está de regresso à autarquia de Alcochete.

 

Agora a questão que se coloca é, quantos mais casos como estes (já) aconteceram, com executivos a manobrarem nos bastidores não em função dos interesses e anseios das populações mas em função do interesso partidário? Quantos mais vão acontecer?

 

E depois no dia seguinte às eleições aparecem os analistas com teorias do arco-da-velha que a abstenção subiu por isto e por aquilo e por mais não sei quantos. Pois.

 

«Verdades até então ocultas»

por josé simões, em 30.01.09

 

Naquele célebre e histórico dia em que Pacheco Pereira foi director do Público, a propósito da trapalhada do Casino Lisboa com Telmo Correia, obrigou os meninos na Redacção a fazer, e passo a transcrever:

 

«(…) uma cronologia relacional, exaustiva de todo o processo. Reunir todos os documentos, todas as datas, todas as declarações, todas as notícias dos jornais, e com isso desenhar um gráfico, um mapa. Depois procurar as falhas, os espaços em branco, os dados contraditórios. No fim, extrair conclusões. Verdades até então ocultas: notícias. É um método da ciência histórica»

 

O que se tem verificado com os recentes acontecimentos, é que os meninos à roda da Redacção esqueceram rapidamente os ensinamentos; o prof. Pacheco Pereira à roda do Abrupto ignora ostensivamente o que tentou ensinar com tanto esmero.

 

Como já aqui escrevi, faça-se a investigação a partir desta base de trabalho: qual a razão para que num distrito com uma área de 5064 km² (8º maior distrito português), se escolhe um concelho com 128 km² de área, para construir um centro comercial, e precisamente numa ZPE?

 

(Na imagem o distrito de Setúbal; o Freeport fica lá em cima, sensivelmente a pé das letras OC de Alcochete)

 

 

Fartura

por josé simões, em 29.01.09

 

 

Eu de manhã acordei com a ideia fixa de ir logo comprar a Visão. Depois saí de casa com a ideia fixa de comprar a Visão. Mas quando cheguei à banca dos jornais e tive de esperar 10 minutos para ser atendido porque os fulano(a)s que todos os dias vejo a comprar o O Record, o O Crime, a TV 7 Dias e a Maria, estavam a comprar o O Record, o O Crime, a TV 7 Dias, a Maria e também a Visão, desconfiei, arrependi-me e guardei o dinheiro na carteira.

 

Agora são 13:38 e a edição on-line do Público continua com a mesma notícia à cabeça, desde as 19:22 de ontem. Há aqui qualquer coisa que não bate bem…

 

 

O sentido das coisas

por josé simões, em 28.01.09

 

 

O que toda a gente devia perguntar era, porque é que num distrito com uma área de 5064 km² (8º maior distrito português), se escolhe um concelho com 128 km2 de área, para construir um centro comercial, e precisamente numa ZPE.

 

Quando esta explicação for dada por quem de direito, todo o acessório com que nos últimos dias nos temos entretido deixa – ou passa a; depende do ponto de vista – fazer sentido.

 

Até lá é masturbação colectiva.

 

(Foto roubada no Corriere della Sera)

 

 

Fugas de Informação

por josé simões, em 27.01.09

 

 

Também é fuga de informação quando uma determinada força política – e isto vale para todos – ganha as eleições para determinada Câmara Municipal, e, de repente, como por artes mágicas, desata a haver construção em tudo o que é sítio, em todo o palmo de terreno livre – excepto debaixo de água porque ainda não inventaram –, de tal forma que “até um cego vê”, como diz o povo?

 

(Foto de Paul Strand)

 

 

 

Atracção fatal

por josé simões, em 26.01.09

 

Para ser sincero, o que menos me importa é quem é que esteve na reunião, onde é que a reunião aconteceu, onde é que para o dinheiro, ou se foi o tio, o primo ou o avô. E os meus amigos do PS que me desculpem, mas esta já é uma “guerra” antiga que nós vimos travando de há uns anos – muitos – a esta parte.

É o íman; a atracção fatal entre o PS e os construtores civis,e às vezes com futebóis pelo meio. Nunca consegui perceber ou encontrar uma explicação minimamente plausível.

 

 

Cutelaria-Freeport

por josé simões, em 24.01.09

 

Estou em casa a ouvir música – relativamente alta – e ainda assim consigo ouvir o som feito pelas facas a serem amoladas.

 

“O Ti Manel tinha uma quinta, ía-ía-aó…” (*)

por josé simões, em 24.01.09

 

(*) É o mote para uma canção infantil que nunca mais acaba. “E nessa quinta tinha um cavalo…” e depois um porco e depois um pato, todo o zoológico doméstico, sempre finalizado pelo inevitável ía-ía-aó.

 

Assim como a Dona Delmira conhece alguém no hospital que desbloqueia uma consulta externa já para amanhã e com a senha de chamada n.º 1; assim como o senhor Pires tem um professor amigo num Conselho Executivo que lhe encaixa o filho numa escola fora da área de residência, também há quem tenha um sobrinho no Governo, disponível para ouvir um empresário-investidor e agilizar um empreendimento. Numa outra dimensão, é a mesma face da mesma moeda que circula desde sempre neste triste país. E tudo isto é muito triste. Duvido é que tudo isto seja fado, como na outra canção.

 

(Foto de Jean Dieuzaide)

 

Adenda: desculpe lá que pergunte, mas o que é a crise tem a ver com isto? Depois levam nas orelhas do Pacheco Pereira e com razão.