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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Cá vamos cantando e rindo

por josé simões, em 20.05.09

 

Um não sai. O outro diz que fica. Em tudo o mais, a vida corre às mil maravilhas.

Vejo-me na obrigação de dar razão ao homem:

 

«(…) a viragem que poderá ser útil fazer não é rumar ao centro nem, muito menos, à direita, mas sim à esquerda, que é o que o eleitorado espera (…)»

 

|| Coligações e medos

por josé simões, em 13.05.09

Há um medo puro e muito infantil de ver o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista no Governo.

 

Uma das coisas que mais me causam impressão na nossa democracia é o facto de, 35 anos depois da revolução, os partidos à esquerda do PS nunca terem feito parte dos governos, exceptuando naqueles tempos loucos iniciais de 75. Apesar de a democracia estar estabilizada, há uma estranha impressão de que mais de metade do país ainda acha que os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço e que os bloquistas de esquerda nos vão roubar as pratas da família. É curioso como tanta gente, desde a direita a boa parte dos socialistas, tem pesadelos à noite só de pensar na hipótese de ver Francisco Louçã ou Jerónimo de Sousa como ministros de um governo de Portugal. Há um medo puro, limpo e básico, mas totalmente irracional, dessa situação. As pessoas agitam-se nas cadeiras, inflamam-se, como se fossem tias velhas zangadas com a criadagem. E claro, o medinho é tanto que desata logo tudo a falar no famoso Bloco Central, cujo único propósito é exactamente o de evitar esse tenebroso cenário de ver PCP ou BE nas cadeiras do poder.

 

 

|| O Banco Central de Interesses

por josé simões, em 04.05.09

 

A “estabilidade” do país e a “solidez” governativa têm as costas largas, e esta conversa cheira a bafio e a bolas de naftalina.

 

Qual a diferença entre o PSD viabilizar um Governo PS, e o PS governar em coligação com o PSD? Cargos, e clientela político-partidária há demasiado tempo em stand-by. Na voz do povo, o famoso e prestigiante “tacho”. A quem concretamente interessa um re-edit do Bloco Central? Ao país, duvido…

 

E depois, ofensa suprema, quando se diz que entre uns e outros venha o Diabo e escolha.

 

Nota: Não há engano no título do post. Onde se lê Banco deve ler-se Banco.

 

(Imagem via Masons News Service)

 

|| Imagine…

por josé simões, em 30.04.09

 

E se «nenhum partido conseguir vencer com maioria absoluta as próximas eleições legislativas»; e que o bloco de Direita formado pelo PSD e pelo CDS/ PP, juntos pela soma dos votos conseguem essa maioria; e que se entendem; e que o Presidente da República à imagem do que já foi ensaiado, por exemplo em Israel, indigita o líder do segundo partido mais votado para formar Governo, com o argumento da crise e da estabilidade governativa. É possível? É um “golpe de Estado” constitucional?

 

Era aqui que Dona Manuela queria chegar?

 

“Eu sentir-me-ia confortável com qualquer solução em que acredite numa conjugação de interesses no sentido do país que sejam coincidentes”

 

(Imagem ALAMY via The Independent)

 

|| Câmara de Eco

por josé simões, em 28.04.09

 

Para ser honesto, a mim pouco me interessa que tenham ou não feito uma “interpretação abusiva” das palavras de Dona Manuela, quando a senhora disse «Eu sentir-me-ia confortável com qualquer solução em que acredite numa conjugação de interesses no sentido do país que sejam coincidentes», e desatou tudo “oh da guarda!” que vem aí o Bloco Central.

 

O que me preocupa é que a líder do maior partido da oposição, sem pensamento próprio e sem uma ideia que lhe valha, ter sido empossada no pelouro de Câmara de Eco da Presidência da República (vide o discurso do 25 de Abril), e ainda por cima não o saber fazer nas entrelinhas, para as pitonisas, como o faz o Mestre.

 

(Imagem de Emílio Vanni)

 

O “braço armado” do Bloco Central

por josé simões, em 23.03.09

 

Não consigo perceber os motivos para tanta indignação e revolta. Este futeboleco da treta é o reflexo do país político desde pelo menos os anos de 1977/ 1978.

 

Veja-se quem esteve e está à frente das Associações de Futebol e da Federação Portuguesa de Futebol, e muito mais tarde da Liga; quem esteve e está à frente dos clubes; quem esteve e está à frente das Câmaras Municipais e simultaneamente acumula funções directivas nos clubes ou transita de uns para outros como quem vai de fim-de-semana ao Algarve. Até os paineleiros, vulgo comentadores, dos programas desportivos.

 

Entre deputados, ex-deputados e futuros deputados; ex-ministros e ex-secretários de Estado e futuros ministros e futuros secretários de Estado, exactamente os mesmos que gerem os destinos do país desde há 30 anos a esta parte e a que se convencionou chamar de Bloco Central.

 

O último a sair que apague a luz.

 

“apetite” pelo cargo

por josé simões, em 19.03.09

 

 

 

Ao ler que «o mandato de Nascimento Rodrigues terminou há oito meses mas entre o PS e o PSD ainda não há consenso quanto ao seu sucessor» apraz-me recuperar para aqui um escrito do meu amigo Alfredo Aquino na sua última obra - ainda sem edição portuguesa - de nome Carassotaque e com chancela da editora Iluminuras no Brasil.

 

A descrição de um estrangeiro, aos poucos assimilado pela cultura e hábitos de Austral-Fénix, o país fictício onde decorre a acção. Reza assim o último parágrafo na página 32 (negrito meu):

 

«(…) mais tarde ou mais cedo, iam se adaptando, assumindo um pouco dos costumes locais, uns valores que esmaeciam aqui e ali, uma conduta mais elástica e curvilínea, um medo aprendido, uma concessãozinha sem importância e daqui a pouco, gloriosa e aliviadamente, mais um feneciano (natural de Austral-Fénix) da gema, por escolha, com muito orgulho. Sem face e sem-cabeça, sem culpa, adequado, aerodinâmico

 

(Imagem via Fresh Pics)

 

 

O dérbi do ano

por josé simões, em 20.02.09

 

«Se o Sporting-Benfica é o dérbi da semana, o do ano é o Freeport-BPN, disputado diariamente na Comunicação Social entre as duas metades do Bloco Central. O Freeport joga em casa, pelo menos até Outubro, o que é vantagem não negligenciável pois a arbitragem, nestes casos, tende a ser caseira.»

 

Até ver, a crónica do ano, por Manuel António Pina no Jornal de Notícias.

(Na íntegra).

 
 

Hipocrisia

por josé simões, em 10.01.09

Deve ser da mesma forma que são escolhidos, por exemplo, os juízes do Tribunal Constitucional ou as administrações da Caixa Geral de Depósitos. Uns quantos para “ti”, outros tantos para “mim”. Ficas tu com “estes” que eu fico com “aqueles”.

 

A Dona Manuela antes de abrir a boca devia pensar duas vezes no que vai dizer. Evitava fazer figura de Luís Filipe Menezes.

 

 

Quem é amigo, quem é?

por josé simões, em 04.11.08

 

Uma vez que os problemas no BPN não são consequência da crise financeira, antes vinham detrás, com conhecimento do Banco de Portugal, que preferiu a presunção da inocência ao invés de agir, quer-me parecer que esta nacionalização era desnecessária. Bastava ao Estado assegurar os depósitos; deixar o banco falir; criminalizar os responsáveis. Assim, e olhando para a lista de accionistas e responsáveis que já passaram pelo banco e que por lá continuam, cheira-me a favor entre amigos do Bloco Central. Os Pê Pê Dês/ Pê Ésse Dês ficam a dever uma aos amigos Pê Ésses. Ao contribuinte, que é quem vai suportar todas estas diabruras ninguém fica a dever nada. Daqui por uns anos, com os passivos e activos limpos, haverá nova privatização. Tudo está bem quando acaba em bem.

 

E no entretanto, Vítor Constâncio lá vai fazendo pela vidinha, ganhando o ordenado e contando os dias que faltam para a reforma.

 

(Foto fanada no Chicago Tribune)