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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Ora agora nomeias tu, ora agora nomeio eu, ora agora nomeias tu, nomeias tu mais eu

por josé simões, em 23.05.11

 

 

  

O que as pessoas todas deviam perguntar é, porque é que em trinta e muitos anos de Democracia, e outros tantos de maiorias de 2/3 e maiorias absolutas e consensos e convergências para isto e para aquilo e para mais o que há-de vir, nunca ninguém se lembrou de fazer uma lei que dissesse, preto no branco, que um Governo a partir do momento em que cesse funções fica automaticamente inibido de proceder a nomeações.

 

É uma alegria.

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

 

 

|| O Alberto João (bom) do PS

por josé simões, em 04.12.10

 

 

 

 

 

Desde mini férias no Canadá a expensas do contribuinte, passando por sites da “mina de ouro”, até bolsas de estudo por encomenda, nada disto é  surpreendente ou sequer extraordinário. A notícia é a excepção, nunca a regra.

Agora, 7 mil funcionários públicos para 244 mil habitantes?!

 

(Na imagem Jean-Bédel Bokassa e esposa)

 

 

 

 

 

|| Partidos sectoriais

por josé simões, em 31.10.10

 

 

 

De cada vez que o PCP ou o Bloco de Esquerda abrem a boca é a “Administração Pública” para cá e a “Função Pública” para lá, “os trabalhadores da Administração Pública” para lá, e “os trabalhadores da Função Pública” para cá. Cerca de 700 mil empregos para toda a vida num universo de aproximadamente 10 milhões de habitantes.

 

Os partidos sectoriais não são proibidos pela Constituição da República?

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

 

|| Andam a gozar com o pagode

por josé simões, em 14.07.10

 

 

 

Os gestores são pagos para gerir, os administradores são pagos para administrar, os dirigentes são pagos para dirigir.

 

O Estado em tempo de vacas magras comporta-se como uma empresa privada em tempo de vacas gordas. Como prémio, já devia ser considerada a sua nomeação política para cargos que, na maior parte das vezes, não têm a menor qualificação profissional para desempenhar, com o respectivo reflexo na produtividade e na qualidade do serviço prestado.

 

(Imagem A theater poster,1898, for The Air Ship - A Musical Farce Comedy by J.M. Gaites, The Fly Cop)

 

 

 

 

Um milhão de euros

por josé simões, em 30.07.07

Mais importante que o milhão de euros em indemnizações a pagar pelo Estado – por decisão do Supremo Tribunal Administrativo – aos 18 directores dos centros distritais do Instituto de Solidariedade e Segurança Social demitidos pelo ministro Bagão Félix; mais importante que ficarmos a saber que o Estado não vai recorrer da decisão; era sabermos que medidas foram, estão, ou vão ser tomadas para evitar que casos como este se tornem a repetir. Vai ficar escrito, preto no branco, que é de trabalho temporário que se trata; até novas eleições? Ou vai-se apostar definitivamente na criação de uma Administração Pública profissional, de carreira, imune aos ciclos eleitorais, à imagem do que acontece por exemplo em Inglaterra?

 

Cargos efémeros como estes – de nomeação política, dependentes dos ciclos eleitorais – devem ter cláusulas de rescisão milionárias? Se quem nomeou, quando perde as eleições se vai pura e simplesmente embora, sem receber indemnização, porque razão quem por ele nomeado têm tratamento de excepção?

 

As nomeações foram efectuadas era então primeiro-ministro António Guterres, célebre pela frase “No Jobs For The Boys”; à excepção de pelo menos estes 18, claro. Calhou por um acaso do destino que as indemnizações sejam pagas por um Governo da mesma cor politica; do mesmo partido. Um eufemismo está bem de ver; porque quem as paga somos todos nós, independentemente do partido que esteja no Governo.

 

Uma dúvida ficara sempre por esclarecer: se as indemnizações a pagar fossem referentes a nomeações efectuadas por Durão Barroso ou Santana Lopes, o Estado por interposta pessoa – este ministro –, resignava-se ao pagamento?

O país dos Comissários Políticos (II)

por josé simões, em 02.07.07

«É demagogia comparar os casos do professor e do médico»

É a frase chave do editorial de hoje do Diário de Notícias, e desenvolve-se assim:

 

«Imaginem-se os dois casos numa empresa privada. Ou num quartel. Ou numa estrutura sindical. Ou num clube de futebol. Todas as pessoas com responsabilidades dirigentes sabem que dos encontros dos seus trabalhadores nem sempre saem incólumes, mas isso não interfere na liderança nem nas condições de trabalho. Mas se um deles permitir que um empregado afixe numa janela da rua uma tarja contra o patrão é óbvio que ambos ficam sem condições para continuar nos cargos.

Foi isso que aconteceu.»

 

Não! Não foi isso que aconteceu. Porque quer o professor Fernando Charrua no caso da DREN, quer Maria Celeste Cardoso no caso SAP de Vieira do Minho, estamos a falar de funcionários públicos. Não estamos a falar de funcionários do Governo e ainda muito menos de funcionários do PS. Os funcionários em questão não são empregados dos respectivos ministros; são empregados do Estado, independentemente da cor partidária no momento ou do sistema político em vigor, por muito que isso possa custar a José Sócrates, a Maria de Lurdes Rodrigues, a Correia de Campos, ou a qualquer outro ministro. Os ministros e os Governos passam, o Estado e a sua estrutura mantêm-se, e, enquanto se alimentar esta promiscuidade e esta confusão deliberada, casos como estes vão tornar a acontecer. Os funcionários em causa não perturbaram o normal funcionamento do Estado ou da Administração Pública; limitaram-se a dizer / fazer umas graçolas sobre os ministros, num caso usando as palavras do próprio ministro! Demagogia é o que um jornal de referência como o Diário de Notícias faz hoje em editorial acerca do tema.

 

E nem de propósito o DN chamar para editorial as interferências na liderança e nas condições de trabalho. Veja-se outro caso surgido e ignorado (deliberadamente?) pelo DN. Agora é na Sub-Região de Saúde de Castelo Branco, onde uma norma assinada pela coordenadora Ana Maria Correia impõe a abertura pela chefia de toda a correspondência dirigida aos funcionários. Como classifica o DN esta norma? Insere-se nas boas normas de trabalho e nas condições para uma boa liderança? Chame-lhe o DN o que lhe quiser chamar. Isto é violação de privacidade e intimidação pura e simples.

 

Já várias vezes aqui foi chamado à atenção que, casos como estes, só deixaram de existir quando houver uma Administração Pública profissional e profissionalizada. Quando os cargos de chefia forem ocupados pelos mais capazes e pelos mais competentes. Enquanto servirem para alimentar e recompensar as clientelas políticas nada feito. Quem foi que uma vez falou em “Jobs For The Boys”?