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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Facturas da EDP

por josé simões, em 30.03.07

 Desde o dia 23 de Março que ando para aqui a matutar com uma dúvida que não me sai da cabeça, e que, por mais que tente, ainda ninguém me conseguiu cabalmente esclarecer. Surgiu nesse dia, após ter lido no caderno Economia (página 8) do Diário de Notícias que:

 

“Preços da electricidade vão subir com as renováveis – Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos afirmou ontem que o aumento da produção de energias renováveis vai encarecer as tarifas de electricidade no curto prazo.”

 

Ora se as energias renováveis – passe a repetição – são renováveis por estarem mesmo ali à mão, não estando com isso sujeitas às variáveis do mercado; como sejam os aumentos do preço do petróleo ou do gás, independentes de guerras, regimes políticos ou até de amuos de governantes, porque é que os preços da electricidade vão ter inevitavelmente de subir, com o também inevitável aumento de produção decorrente de um cada vez maior recurso a este tipo de energia?

 

A dúvida adensou-se hoje ainda mais, e também por “culpa” do caderno Economia (página 8, ele há coincidências!) do DN, com uma noticia:

 

“”António Mexia pode ganhar até 4, 2 milhões de euros de salário da EDP, no total do seu mandato (três anos), graças às novas regras de remuneração da eléctrica nacional.”

Mais à frente:

“(…)vai receber por ano, um ordenado fixo de 600 mil euros brutos, mais uma remuneração variável anual, que pode chegar a 100% desse salário. A este montante poderá acrescentar uma outra remuneração plurianual, no final de mandato (também 600 mil euros). Ou seja, se a empresa liderada por Mexia cumprir todas as suas metas, ele pode receber o equivalente a sete ordenados brutos.”

 

O sublinhado é meu porque, e apesar dos balúrdios que António Mexia irá receber, aqui é que está o cerne da questão.

Uma empresa que vende a 10 milhões de portugueses um bem essencial e, last but not the lest, é a única posicionada no mercado a fazê-lo, quais são as metas que o seu gestor tem de cumprir para justificar tamanho salário mais prémios?

É o mesmo que ser dono de um oásis no deserto! Dê o mundo as voltas que der, todo lá têm de ir.

 

Esta noticia de hoje, faz-me saltar como uma mola para a do passado dia 23 que, a páginas tantas, citava as palavras de Vítor Santos, presidente da ERSE:

 

“Para já, defende a necessidade de se criarem mecanismos que estimulem a “produção de energias alternativas de forma eficiente.””

 

Apesar de continuar a não perceber qual a razão das renováveis irem inevitavelmente encarecer a minha factura mensal à EDP; no que concerne ao salário principesco de Mexia, começa a fazer-se luz; nomeadamente no que respeita a “cumprir todas as suas metas”.