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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Esperteza saloia

por josé simões, em 11.07.09

 

 

 

O diagnóstico foi bem feito. Perdemos “a” Esquerda, “à” Esquerda e para “a” Esquerda.

E partindo do mesmo ponto, aliás correctíssimo, que levou Gonçalo Reis a escrever um excelente artigo na defunta Revista Atlântico sobre a boa / má relação Esquerda / Direita com os actores e agentes culturais, deixa-se escapar: «deveríamos ter investido mais em cultura». Não é inocente, nem era suposto ser e nem daí vem algum mal ao mundo.

 

O receituário para “a cura” é que está ao nível da mezinha e não de um especialista formado em Medicina por uma Universidade conceituada. O princípio (válido) é do que há uma identificação entre o povo anónimo e o artista líder de opinião. Vai daí, lê-se na última página do Expresso de hoje: «Sócrates reúne gente da cultura (…) Os músicos António Pinho Vargas, Luís Represas, Rui Veloso e João Gil, as actrizes Inês de Medeiros e Beatriz Batarda (…)” e etc. e etc. e etc. . Só faltam os Xutos & Pontapés, mas esses (afinal não) estão “de castigo” por motivos que me dispenso recordar.

 

“Só grandes músicas!”. Podiam ter convidado o director de programas da RFM que ia dar no mesmo. Isto não é investir na cultura; isto é agarrar o mainstream. Manuel Alegre, por muitos defeitos que possa ter, pelo menos percebeu a diferença ao fazer a escolha do Mandatário para a Juventude na sua candidatura à Presidência. A Cultura nasce na rua antes de ser absorvida e moldada no sistema, e é a verdadeira e única ditadura da minoria sobre a maioria. E direcciona o soprar dos ventos.

 

Assim não “vamos” lá.

Uma dica: para a próxima falem com os programadores de espectáculo da Festa do Avante!.

 

(Na imagem Shwarzenneger at Cannes via Associated Press)