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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Haja alguém que pague

por josé simões, em 13.11.08

 

Uma lista candidata à Direcção da Associação de Estudantes da Universidade de Coimbra resolveu grafitar as Escadas Monumentais com palavras de ordem contra as propinas. E teve logo direito a tempo de antena. E dizia o cabeça da lista numa televisão que pagam 720 – setecentos e vinte – 720 euros por ano. Obviamente, do ponto de vista do n.º 1 da lista, uma enormidade. Eu diria mais: um atentado; um roubo; sei lá… um ataque à democracia!

 

Vou tentar ver a coisa de um ponto de vista simples. Alguns dirão simplista. Tanto se me dá; sou uma pessoa simples que faz uma análise simples das coisas. Tive um filho 5 anos num infantário, nada do topo ou de elite: uma IPSS. Porque, infantário público, ao contrário das universidades, é mentira. Pagava por mês 120 euros, com excepção do mês de Agosto que é mês de férias – o mundo para em Agosto, pelo menos em Portugal. Apesar de eu ter tido férias em Julho. E o puto não ter posto os pés no infantário; apesar de pago. E em Agosto tive de ir chatear os avós porque o infantário estava fechado, e é para isso que os avós servem, dizem-me alguns.

 

Cento e vinte euros por mês, vezes 11 meses (que na realidade são só 10), dá, se as contas não me falham, 1 320 euros por ano. Mais 600 euros que as ditas propinas universitárias e o puto ainda nem sequer sabe ler ou escrever. Vezes 5 anos que é o tempo normal para se andar na Universidade até terminar o curso… E ainda têm a lata de vir falar nas propinas!

 

Pelo menos o puto na IPSS não tem praxe ao caloiro, não falta às aulas – a menos que esteja engripado – e não apanha pielas na Queima das Fitas ao som do Quim Barreiros. Nem chumba o ano.

 

Não me fodam com a estória das propinas que, bem vista as coisas, no fim do curso ainda ficam a dever dinheiro ao contribuinte. Já me basta pagar pelo meu filho, quanto mais ter de pagar pelos filhos dos outros!

 

(Foto de Raghuram Ashok)

 

 

 

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