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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Fast Foward

por josé simões, em 30.08.08

 

Está para ali um gajo a passar a impressão digital no vinyl até às 6 da manhã para animar as hostes. À roda do Detroit-techno-techno minimal-Carl Craig-Wagon Repair-Paul Ritch-e afins. Tarefa ingrata apesar de ser sexta-feira num sitio onde para o publico Franz Ferdinand já parece música de betos. E é chegar a casa e é dormir à pressa e tomar um duche e (heresia suprema!) (des)fazer a barba e ir a correr desalvorado pela A2 a fora para o baptizado do filho do amigo a que não se pode dizer não, ainda para mais quando é primo. E chegar lá todo endrominado a precisar de beber com urgência litro e meio de Água das Pedras e três cafés duplos, com os olhos que mais parece um cherne com 15 dias de gelo, e apanhar com um padre – no mínimo estranho – com uma palestra levada da breca, daquelas que nunca me lembra de ter ouvido em todos os dias da minha vida. Um padre num baptizado, sem nunca "ir" ao Novo Testamento e a evocar “heróis” do Antigo Testamento; o Rei Salomão, o rei David, o profeta Elias, e o profeta Isaías também. Foda-se que esta para mim é novidade. Um padre “judeu” não lembra nem ao rei Herodes!

E depois a parte mais tramada – era para ter escrito “a parte mais fodida”, mas achei que ficava mal –, um gajo que não acredita em nada e que até faz gáudio – era para escrever “profissão de fé” mas achei que ficava mal -  em ser agnóstico militante, apesar de não se meter a moer o juízo aos outros em tentativas de conversão à sua fé (já está!); tem de jurar e prometer, numa igreja que parecia saída do decor duma telenovela da Globo, educar o afilhado na fé cristã. A isto chama-se um bico-de-obra, um trabalho do caralho! Ter de repente de ser dois em um. De noite um boémio desgraçado do arco-da-velha que não perde uma, e de dia vestir um heterónimo de fiel a Cristo e à Lei de Deus e ainda por cima em caso de desgraça dos pais do afilhado – lagarto, lagarto, lagarto! – ter, sob promessa, de educar o puto segundo os princípios da Santa Madre Igreja. Foda-se!

Salvou-se o almoço!

 

(Foto roubada no Le Soir)