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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Política Pop

por josé simões, em 29.04.08

 

 
“ (As agências de comunicação) devem ser apenas entidades que sabem, através de estudos, quais são os anseios das populações, dos públicos-alvo e preparam a informação, com base na verdade, para dar a esses públicos.”
António Cunha Vaz
 
Há qualquer coisa de Pet Shop Boys nesta entrevista de António Cunha Vaz à P2. António Cunha Vaz vs. Neil Tennant. Passo a explicar.
 
No início da década de 80, Neil Tennant, crítico numa revista “manhosa”, de nome de Smash Hits, pensou para com os seus botões que, ao invés de andar a perder o seu precioso tempo em críticas a bandas e interpretes, identificando-lhes os erros e apontando-lhes o caminho para o que considerava a “pop perfeita”, melhor era formar a sua própria banda e aplicar na prática as suas teorias. Se bem o pensou melhor o fez, e, em parceria com uma obscuro arquitecto de nome Christopher Lowe fundaram os Pet Shop Boys.
O resto é história; da pop. 36 músicas no Top 20; 10 LP’s no Top 10, vendas superiores a 55 milhões de discos; duas nomeações para os Grammy Awards, e, uma conta bancária recheada.
 
António Cunha Vaz não exclui a possibilidade de entrar na política. Para mandar; diz ele. Porque está farto de estar na sombra; leia-se de delinear estratégias para os outros seguirem. Tal qual Neil Tennant. E, como também já tem o seu Grammy Award na prateleira – a eleição de Carmona Rodrigues em Lisboa – não exclui a hipótese de se lançar noutros voos.
 
Só que, à imagem dos Pet Shop Boys de Tennant, António Cunha Vaz arrisca ficar para a história da política em Portugal como uma nota de rodapé. É assim a pop. Muita facturação; sem dúvida. Do ponto de vista estético, um formato irrepreensível. Conteúdo igual a zero. Por acaso, e para o caso, até me estou a lembrar de uma canção da pop portuguesa. Chiclete dos Táxi. “Mastiga e deita fora”.