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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Direitas

por josé simões, em 02.10.06

Na sua crónica semanal no "Expresso", Jaime Nogueira Pinto  (JNP) , aborda esta semana o que classifica de "guerra" pela identidade da direita.

Depois de dissertar por todo o espectro politico com assento parlamentar, desde o PS ao PP, passando pelo PC e pelo Bloco e concluir (pasme-se!) o que todo o mundo e mais metade do outro já há muito concluiu, que as fronteiras ideológicas se esbateram, e que existem governos formados por partidos de esquerda que aplicam no plano económico-social politicas de direita e vice-versa. E embalado no raciocinio , JNP termina: "PSD e PS são europeus, atlânticos e pelos vistos, de brandos costumes. Como o PP". (O sublinhado é meu).

Depois avança com o que aí vem de colóquios, compromissos, Estados Gerais, etc. , com vista a uma liderança do "espaço direita", cuja marca na opinião de JNP , se tornou atractiva. (Basta atentar aos resultados eleitorais...). Os parêntesis são meus. E posiciona-se como ideólogo desse espaço e quem sabe, candidato a candidato, avançando com um conjunto de principios balizadores, segundo a sua óptica , e que devem ser tidos em conta.

A ter em atenção:

"Liberdade e Independencia da Nação". Um ponto que figura em todos os programas politico-partidarios , desde a extrema esquerda à extrema direita. Que quer JNP dizer com isto? Vamos tornar ao fantasma espanhol mais a batalha de Aljubarrota e respectiva padeira, nas aulas do ensino primário?

"Cristianismo Social; solidariedade com os mais fracos e vulneráveis". Ou seja, o Catolicismo, Apostólico Romano como religião oficial do Estado. Coitadinhos dos pobrezinhos, tomem lá uma esmolinha ou uma sopinha, mas o respeitinho é muito bonito, nós somos de boas familias e quem nasce para sofrer tem o destino marcado e é mesmo assim, mas terão a compensação de depois da morte fisica se sentarem numa cadeira ao lado do Pai. No entretanto as nossas mulheres ficam entretidas a organizar-vos quermeses e cházinhos da caridade.

"Liberdade na economia, que não atinja os valores enunciados". Protecionismo exacerbado aos grandes grupos económicos (que saudades do tempo em que haviam Mellos e Chapaulimaud e Alfredos da Silva!). Erradicação dessas forças de bloqueio que dão pelo nome de Tribunal de Trabalho, Sindicatos, Concertação Social e Leis do trabalho.

"Uma politica externa que acautele a independencia nacional (...)" Outro ponto que figura em todos os programas politico-partidários. Ou será antes  JNP um saudoso do "pequeninos mas honrados", sózinhos aqui na extrema da Europa, de costas para ela e virados para a nossa vocação colonial além-mar?. Uma vez membros de direito da União Europeia, e fundadores da moeda única, não há meias-tintas, não se está ao mesmo tempo com um pé dentro e outro fora. Passámos também a membros de dever.

"(...) priveligie os espaços que conhecemos, guiada por um "realismo ético" que, sem pôr de parte o ocidente euroamericano, não busque a conversão forçada de outras civilizações, e aspire a um "mundo melhor" só a partir do mundo como ele é". Aqui o caso pia mais fino. O que quer dizer com isto JNP ? Refere-se a futuramente prevista entrada da Turquia na União? Vai começar a agitar o fantasma do Islamismo no Clube dos Cristãos? O que quer dizer JNP quando refere um "mundo melhor só a partir do mundo como ele é"? Está a referir-se ao pós-implosão dos comunismos ou ao pós-derrube dos fascismos?

O problema é que o mundo como ele é, na realidade, é muito diferente de como ele é na cabeça de JNP . O mundo como ele é inclui, entre outros, o aborto, as drogas, os casamentos homosexuais, a Europa, etc. etc. , coisas que ele não tolera, e até  critica a aparente proximidade de pontos de vista entre PS e PSD, e acrescento eu, a Asia, o terrorismo e o Islamismo, daí talvez, (pista minha), o desnorte que vai neste momento na cabeça da direita em Portugal.

O mundo como ele é, não é a preto e branco; é a cores e ao vivo. A realidade é dura, mas é a realidade. Não há volta a dar-lhe.

Ex. mo Senhor Jaime Nogueira Pinto: que pena o Dr. Salazar já ter morrido!