A “ausência” do PSD
por josé simões, em 16.04.08

Escreve Francisco José Viegas hoje no Correio da Manhã:
“Não se compreende que tão pouca gente proteste, no PSD, contra o despautério em que andam os seus líderes.
É uma acumulação de dislates sobre dislates, desde o carácter errático das suas propostas até aos ziguezagues sobre a comunicação social.”
Ao contrário de FJV penso que é perfeitamente compreensível. À elite do PSD; aos chamados Barões, é de todo o interesse que o partido continue assim; “sobre rodas”. José Sócrates, e correndo o risco de usar um já lugar-comum, “roubou” a agenda ao PSD; está a fazer a governação, e a proceder às reformas que os sucessores de Sá Carneiro nunca conseguiram fazer; ou por falta de arte ou por falta de coragem. Ou em última instância, a preparar caminho para outras, que, pelo que resta do código genético socialista, Sócrates não ousa fazer, e será então o PSD a avançar, quando mais tarde os mais cedo regressar à cadeira do poder.
A haver movimentações no PSD tendentes a inverter o rumo que, aparentemente, o partido leva em direcção ao abismo, serão motivadas por um factor estranho que dá pelo nome de Bloco. Os medos das elites PSD não são a derrota eleitoral que se avizinha; são o PS não conseguir nova maioria absoluta e ficar refém de Louçã, Fazenda & Cia Lda. Só isso os fará sair da letargia.
(Foto de Ana Pereira)