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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Mulheres e Esposas

por josé simões, em 14.03.08

(Foto via Hulton Getty)
 
 
 Vamos lá chamar os bois pelos nomes. Mau começo para o post. Vamos lá por os pontos nos is:
 
Quando se diz ou se escreve “a mulher de”, tem um sentido pejorativo; uma desconsideração à pessoa em questão e ao “de”; para o caso “o marido”. “Mulher” é aquela coisa que se tem ali à mão; submissa, sem vontade própria, e à qual se recorre para satisfazer as necessidades. Desde as mais básicas, às outras. Só não usa burka, aqui no Ocidente, porque pareceria mal; mas candidatos (no masculino) não faltam por aí.
 
 
(Foto via Ad Lib Studio)
 
 
 
 A “esposa de” é alguém com vontade própria, personalidade. Uma entidade autónoma, com quem, por razões que a razão desconhece, e por mútuo acordo, partilhamos o dia-a-dia.
 
É por isso que Fernanda Tadeu é esposa de António Costa. E se chama Fernanda Tadeu; não Fernanda Costa. E aparece na manif dos profs a gritar contra a ministra do Governo de Sócrates.
 
É por isso que Silda Alice Spitzer é a mulher de Eliot Spitzer. E se chama Silda Alice, com Spitzer no fim. E aparece ao lado do marido, com o ar mais desgraçado do mundo, na conferência de imprensa em que ele resigna ao cargo, depois de ter sido caçado a gastar balúrdios nas “meninas”.
 
Se tivessem olhado aos pormenores, teriam evitado polémicas parvas; que é só o mínimo que me ocorre para classificar o que por aqui tem acontecido.
 
(Esta era uma das razões que levava a minha avó, que nasceu no reinado de D. Manuel II, assistiu à implantação da República, aguentou o Estado Novo, e sobreviveu ao 25 de Abril, a passar-se completamente quando ouvia alguém falar na “mulher de”. “Mulheres são as putas!”; dizia.
 
Adenda: leitura aconselhada: A Política do Acasalamento
 
  

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