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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Um comunista primário

por josé simões, em 28.02.08

 

 
Logo logo a seguir à Revolução de Abril, era eu um puto, e todas estas coisas de partidos, e bandeiras, e discursos, e paredes pintadas, e cantigas estranhas da “paz, do pão, saúde e educação”, faziam-me grande confusão. Para quem tinha sido educado numa escola com um crucifixo na parede da sala de aulas, com guarda de honra formada pelas fotografias de Américo Thomaz & Marcello Caetano de cada lado, e onde se cantava de pé A Portuguesa, no inicio e no final das aulas; isto era mais que confusão, era um cataclismo, um tsunami!
 
Ia-se ao vinho à taberna, de garrafão na mão, a mando dos pais. Nada destas modernices de Bag in Box. Um dia, num destes trabalhos “por conta do pai”, ouvi na taberna um velho explicar para a audiência que o comunismo era “se tens duas camisas e o teu vizinho não tem nenhuma, dás-lhe uma”. O comunismo doutrinado de forma primária, pelos controleiros do PC, às classes mais baixas e desfavorecidas da população, oprimidas por quase 50 anos de ditadura, e que lhe valeram implantação e score eleitoral no Portugal pós-Revolução.
 
Vem isto a propósito das recentes declarações do cromo que os Pêpêdês / Pêessedês resolveram eleger como líder:
 
"No dia em que for primeiro-ministro, não vou fazer lei, mas farei doutrina e discursos para que um grande canal generalista como a SIC – um dia depois de uma entrevista ao primeiro-ministro com um milhão e tal de espectadores – possa ter o líder da oposição perante um milhão e tal de espectadores", defendeu o líder do PSD. "Essa é que é a equidade em democracia, mesmo sendo um canal privado", (Público, sem link).
 
Exactamente. Apesar da camisa, leia-se o canal, ser do outro, há que dar metade ao que não tem, ou tem menos canal. Trinta e quatro – 34 – trinta e quatro anos depois do 25 de Abril! (E nacionalizar os canais; não?)
 
Adenda: Alguém no Pêpêdê / Pêessedê que explique ao senhor Menezes que não há um líder da oposição, mas sim um líder do maior partido na oposição.
 
(Foto via El País)