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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Picar o ponto

por josé simões, em 03.01.07
Correia de Campos, Ministro da Saúde decidiu avançar com a colocação de relógios de ponto nos hospitais. A ideia ao contrário do que tem sido ventilado não é controlar os horários dos médicos, mas disciplinar os serviços hospitalares.
 
Até aqui nada de novo. A grande maioria, senão mesmo todas as empresas do sector privado, trabalham nessa base.
 
Mas os médicos, essa casta superior da sociedade, torce o nariz e, para começar, 19 directores de serviço do Hospital Pedro Hispano de Matosinhos, ameaçam com a demissão caso a medida seja implementada.
 
De que têm então medo os médicos? Para quem trabalha, é responsável e chega a horas, a medida em nada vai afectar, ou vai?
 
A este propósito, Pedro Nunes, Bastonário da Ordem:
 
“Este sistema não vai acrescentar nada ao bom funcionamento dos hospitais. Acabam por ser brinquedos inúteis. Os médicos são contratados não à hora mas para desempenharem um trabalho”.
 
E não só os médicos. Excluindo os “biscateiros”, toda a gente que trabalha e pica o ponto é paga ao mês. Quanto ao nada acrescentar ao bom funcionamento dos hospitais, duvido. Talvez a partir de agora, quem tem uma consulta marcada para as 8 horas da manhã passe efectivamente a tê-la à hora marcada e não uma ou duas horas depois, como é tradição.
E talvez assim, deixemos definitivamente de ouvir falar em horas extraordinárias que não são pagas. O médico passa a chegar a horas e, por consequência, a sair a horas também. Não tem de ficar uma, duas, ou mais horas no hospital, em serviço extraordinário, para compensar as que não trabalhou, por atraso seu e de mais ninguém.
 
Teresa Marçal da Ordem dos Enfermeiros:
 
“A Ordem não tem nada contra este tipo de sistemas”
 
Mas; o infalível mas,
 
“O que pretendemos é que os aparelhos sejam flexíveis, para que um profissional não tenha de interromper a meio o seu trabalho para ter de marcar a hora de saída”.
 
Os aparelhos devem ser flexíveis o suficiente para permitir ao profissional, quando for o caso, dar um salto ao consultório ou à clínica privada, ganhar uns cobres extra (que a vida está má para todos) e, depois voltar e acabar o que tinha começado.
 
Pois!

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