A vanguarda da revolução
por josé simões, em 04.12.07
Andei anos e anos a ouvir estes senhores dizer que, a classe operária organizada no Partido, era a vanguarda do povo e da revolução. Da revolução onde quer que ela fervilhasse. A burguesia (deve ler-se classe média), ao contrário da conversa dos canhotos ou dos esquerdalhos, era um factor a ter em conta; não a hostilizando, mas antes tentando cativá-la para a revolução de que a classe operária era a vanguarda.
Foi por isso que sempre torceram o nariz ao Maio de 68, e ao papel desempenhado pelos estudantes; torceram o nariz mas não hostilizaram.
Agora que o homem – para gáudio deles, e de alguns ilustres deste albergue espanhol com pretensões a partido político –, se preparava para ficar no poder mais tempo que a concessão da rede rodoviária nacional à Estradas de Portugal, S. A., vêm os estudantes liderar a oposição, e ser nas ruas – o lugar de eleição para qualquer revolução que se preze –, a vanguarda dos protestos, que haviam de levar à derrota pela via eleitoral do projecto embrionário de ditadura. Assim a modos que uma revolução ao contrário.
Parafraseando Rui Tavares no Público de ontem: “O governo serve para manter, o mundo é que tem a triste mania de mudar.» Não é?!
(Foto de Serge Langlois)