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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Vamos fabricar um Carro ou vamos fabricar um Trabant?

por josé simões, em 09.11.07

 

Leio hoje no Público “Luta pelo futuro monovolume em risco na Autopeuropa, a fábrica que era de topo no ranking passou a reportar falhas, teve de abrandar a produção e exige mais dos fornecedores (…) portugueses” que por sua vez se queixam “da mudança de atitude do grupo alemão e as mudanças internas decididas pela nova gestão têm levado os trabalhadores a reclamar mais diálogo.” Mais à frente “o caso” é deslindado: “O Facto do novo homem forte da VW vir da Audi, Martin Winterkorn, é a explicação para inspecções mais exigentes.”
 
Confesso que me apetecia escrever já aqui uma quantidade de barbaridades, daquelas mesmo feias, mas vou fazer um esforço de contenção. Então andam para aqui há um ror de anos a apregoar que a viabilidade da economia portuguesa e das empresas nacionais, face a um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, passa por elevar os padrões de qualidade como forma de conseguir lutar ombro-a-ombro com as novas economias emergentes, nomeadamente as asiáticas, que estão nos mercados pelo baixo custo e mão-de-obra barata, e depois reclamam!? Mas reclamam do quê? O que é que o diálogo reclamado pelos trabalhadores tem que ver com produção baseada em altos níveis de qualidade?
 
O problema é o homem vir da Audi. Elucidativo. O problema não é a tradicional balda portuguesa, e como tal vamos dar-lhe um tempinho até ele se adaptar a Portugal, aos portugueses, à especificidade dos povos do sul da Europa e outras tretas do género. Já alguém parou para pensar porque será que Audi é sinónimo de prestígio e qualidade? Vamos fabricar um Carro ou vamos fabricar um Trabant; é a questão.
Outra questão é que estão com a corda na garganta e fingem não perceber, que é ainda mais grave do que não perceber…
 
Adenda: Aqui há uns anos tive um director que para pôr os novos colaboradores da empresa “na ordem” quando a coisa começava a descambar para a conversa, tipo muita parra e pouca uva, perguntava: “Óh meu amigo! O senhor veio para aqui para conversar ou para trabalhar?”
 
(Foto via La Reppublica)