"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Primeiro acaba-se com o conceito "renda acessível", substituído por "renda moderada", que pode ir até 2300€ mensais, depois entrega-se a concessão de imóveis públicos a entidades privadas, que, durante prazos alargados, de várias décadas, poderão colocá-los no mercado habitacional, cobrando rendas de até 2300 euros. Percebem?
[Imagem de autor desconhecido]
Por muito incrível que possa parecer há quem goste de ser gozado, Capítulo II
Já todos estamos esquecidos dos "instrumentos de gestão do risco financeiro", dos "contratos swap", dos "produtos financeiros de alto risco", dos "fundos de investimento em renda variável", e de outras trafulhices com nomes pomposos inventadas para haver ganhar muito dinheiro há conta de alguém que perde, e bem.
E já estamos todos esquecidos dos regates do BPN, do BES, do Banif. Foi há muito tempo, foi há mais de 10 anos. E "miss swaps" foi promovida a comissária europeia, e foi para Bruxelas fazer aquilo que sabe fazer, swapar para a União Europeia, sítio onde há muito totó em lista de espera para ficar sem as poupanças de uma vida.
No Luxemburgo, onde o salário médio anda nos 5000 euros, uma renda de 2500 é considerada “de luxo”. Cá, com salário médio líquido nos 1200 euros, temos um governo acha que 2300 euros é uma renda “moderada”. Talvez seja altura de o PSD passar a chamar-se LSD
Ou nunca meteu os chispes em Paris e Londres ou o que ele quer é outra coisa completamente diferente e que não tem nada a ver com qualidade de vida. E é precisamente por aqui, por esta concessão de vida, de cidade e de urbanismo, que a gente vê, ou devia ver, o que vai dentro destas cabecinhas. Uma urbe para os tops e para os rankings, uma cidade a correr, com qualidade zero na vida concreta dos cidadãos que a habitam.
Diz que "trinta mil milhões de dólares depois, Argentina está de novo à beira da falência", e depois diz uma série de feitos históricos da moto serra, bué bons para a economia e para as pessoas e para a Argentina e, quase lá no fim, diz que a Argentina está outra vez à beira da bancarrota, a quarta em 25 anos, porque os argentinos, sim os argentinos, entraram em pânico com medo do regresso do peronismo, que deu uma derrota histórica a Milei nas provinciais de Buenos Aires, desataram a vender pesos, e os investidores ficaram receosos e rebéubéu pardais ao ninho.
Temos portanto que quem espetou uma derrota histórica na fronha do Milei não foram os argentinos, porque esses ficaram como medo do regresso do peronismo e desataram a vender pesos, se calhar foram uruguaios, ou brasileiros, disfarçados de argentinos e que foram votar enquanto tocavam bandoneón pelo caminho. E também temos que os mesmos investidores que investem em todos os cantos do planeta, da China aos Estados Unidos, de Portugal à Arménia e ao Aberbeijão de Trump, na Argentina dão de frosques porque o povo não vota no liberalismo, uma teoria económica que pelos vistos funciona bué bem em regimes onde as pessoas não são tidas nem achadas, também conhecida por ditadura.
E voltamos ao início, não do post, mas desta história, o tempo do Ilusão Liberal antes de haver Iniciativa Liberal, quando estes alucinados andavam pelos blogues e pelo tuita e pelo feiçebuque a defender o modelo económico da Argentina de Pinochet e que o liberalismo fazia falta em Portugal.
Nem nas melhores previsões os Helenos e as Helenas Ferro Gouveia desta vida esperavam ver o porta voz da direita extrema sonsa espanhola e o porta voz dos fascistas espanhóis, no mesmo dia, a engolirem um sapo com o rei na primeira página depois de semanas a achincalharem Pedro Sánchez. No exacto mesmo dia que Giorgia Meloni na ONU deixou claro que "Strage di civili a Gaza, si è superato il limite", depois de semanas a chamarem de tudo para cima a Elly Schlein. Dois sapos goela abaixo. A seguir soubemos que Espanha e Itália enviam fragatas para acompanharem a flotilha humanitária. Três sapos, três. Que nome se dá a um grupo de sapos, uma flotilla?
O pantomineiro do pin vendeu a EDP e a REN ao Partido Comunista Chinês. Choram baba e ranho, dizem que foi o melhor primeiro-ministro da democracia. Que nunca mais volta, o Sebastião barítono. Este, o que dizia "o meu passado chama-se Passos Coelho", vende a TAP e o aeroporto ao verdadeiro estado islâmico, se a ocasião for propícia, e se o futuro da clientela política ficar assegurado. São os grandes democratas. E ai de quem se atreva a questionar o seu apego à democracia e ao Estado de direito e às liberdades e garantias e o caralho.
Em entrevista à televisão do militante n.º 1, a Clara de Sousa, o pé de microfone que durante anos o deixou papaguear sem contraditório que não fosse contradizer-se na semana a seguir ou dar o que disse por o que não disse, Luís Marques Mendes, o pior que o sistema político democrático pariu, candidato nas presidenciais de 2026, quer o Governo a negociar o 'pacote laboral', o maior ataque aos trabalhadores desde o 25 de Abril de 1974, com a UGT, uma central "democrática" e "responsável" e outras coisa terminadas em ável, segundo o ilustre. Em linguagem das fábricas, sítio onde a UGT não mete os chispes, uma merda inventada por Mário Soares e Sá Carneiro, com a desculpa da 'unicidade sindical', para assinar por baixo a agenda dos patrões. Since 1978, em prol da rigidez patronal. Votem nesta coisa e depois queixem-se.