"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Um bando de pantomineiros, suportado por uns quantos anjinhos e outros tantos totós, resolveu formar um partido e ir a votos. O mérito da coisa é o falarem verdade aos portugueses, dizerem ao que vêm, ao contrário daquele outro bando que tomou o PSD por dentro e governou o país durante uma legislatura, a meias com o CDS, escondidos numa mentira.
Não deixa de ser verdade. Até porque não morreu ninguém, ao contrário da sentença de morte por lapidação, subjacente no douto acórdão do Venerando Desembargador, Meritíssimo Juiz Neto Moura. Há uma diferença fundamental entre um correctivo aplicado por dois homens com uma moca de pregos e uma turba em fúria à pedrada a uma mulher enterrada até à cintura. Ou a pulseira electrónica retirada ao homem que rebentou um tímpano à mulher ao murro. Também não morreu. Se fosse para ir ao funeral da ex ainda se compreendia a anilha no tornozelo, não fosse a sua presença chocar os familiares da vítima, agora com a vadia viva qual o argumento para limitar a liberdade de circulação a um cidadão?
A minha vizinha de baixo levava porrada do meu vizinho de baixo, o marido. Altas horas da madrugada e "pára! por favor!". Choro. E o som cá em cima "pam! pam! bam! catrapaz!", "por favor!" choro, gritos. Duas da manhã, agarro no telemóvel e ligo para a polícia "quero participar um caso de violência doméstica", relato da ocorrência, identificação, "vamos mandar já aí um carro patrulha", não demorou 5 minutos e tocam à campainha "polícia!", abro a porta e em alta voz escada acima "foi daqui que participaram um caso de violência doméstica?". "Sim". "Em que andar?" e lá vai o agente da autoridade escada abaixo. Toque de campainha "o seu vizinho do andar de cima participou um caso de violência doméstica...". O agressor "homessa! deve ser engano..." mais meia dúzia de palavras trocadas e ala que vai o carro da polícia, mais os polícias dentro, rua fora. De manhã, quando chego à garagem do condomínio, tenho dois pneus rasgados à navalha. 180 € e uma participação na PSP contra desconhecidos que acabou arquivada.
Depois disso continuaram a vidinha de pombinhos apaixonados a sair de braço dado como se nada fosse, ela de óculos escuros, muitos beijinhos e encosta a cabecinha no meu ombro. Uma vez cruzei-me com o macho man no elevador e levava uma chibata na mão. Juro.
Um mês e meio a dois meses depois, do andar de baixo, a altas horas da madrugada "pára! por favor!". Choro. E o som cá em cima "pam! pam! bam! catrapaz!", "por favor!" choro, gritos. O mesmo filme. Duas e meia, três da manhã, agarro no telemóvel e ligo para a polícia "quero participar um caso de violência doméstica", relato da ocorrência, identificação "vamos mandar já aí um carro patrulha", não demorou 5 minutos e tocam à campainha "polícia!". Falamos pelo intercomunicador, explico o acontecido, digo qual o andar, "abra-me a porta, sff, vou tocar à campainha no andar, o senhor não apareça para não ser identificado, vamos preserva-lo". "Agradeço, obrigado". E eu cá em cima a ouvir. "Tivemos uma participação anónima de um caso de violência doméstica neste andar". "Aqui?! Deve ser engano...". "Pois que seja engano. Se faz favor pode chamar a sua esposa para falarmos com ela?". "Ó fulana, chega aqui que a polícia quer falar contigo". [...]. "Está tudo bem com a senhora?". "Porque é que não havia de estar?!". "É que tivemos uma participação anónima de violência doméstica neste andar....". "Neste andar? Por amor de Deus, deve ser engano...". "E essas marcas na cara e no pescoço?". "Isto? Isto não é nada. Estava ali em cima de um banco a arrumar umas coisas no roupeiro e caí. Tive sorte, podia ter sido pior". "Boa noite". "Boa noite".
De manhã, quando chego à garagem do condomínio, tenho quatro - 4 - quatro pneus rasgados à navalha. 360 € e uma participação na PSP contra desconhecidos que acabou arquivada.
Entretanto venderam o andar, desabulharam daqui para fora e foram para onde Deus sabe. Sempre muito apaixonados e muitos beijinhos. A senhora continua viva, até quando não sei, que me tenho cruzado com ela na rua a espaços. "Bom dia vizinho, tudo bem?".
Entre marido e mulher ninguém mete a colher, vox pop. E eu gastei 540 € em borracha, mais uns trocos em calibragem e alinhamento de direcção, na minha vizinha que não queria ser salva.
A propósito da injecção de [mais] um milhão e cem mil euros no Novo Banco, saídos do Fundo de Resolução Bancária, por interposta pessoa o Estado, e que não é um só euro do dinheiro que o contribuinte vai recuperar no prazo de 30 anos, um exercício interessante de fazer seria recuperar agora o que dirigentes, deputados, comentadeiros e paineleiros diversos em rádios, jornais e televisões, blogues e mais as brigadas de plantão às "redes", disseram quando Pedro Passos Coelho afiançou que o dinheiro emprestado ao Fundo estava a render.
O Público, um jornal da imprensa dita "de referência", publica na coluna "Opinião" um esclarecimento de um dos denominados "senadores do regime" a pedido do Banco de Portugal. A pedido do Banco de Portugal.
Nada o move contra o Benfica, nem sequer trabalha a soldo ou pro bono para a Torre das Antas, apesar de ser o seu clube do coração e de considerar Pinto da Costa um dos melhores dirigentes desportivos europeus, depois de ter dito que em Portugal nenhum dirigente desportivo vai/ foi/ é preso por corrupção, adiante. Os leaks em geral, o justiceiro "assoprador de apito", entregou-os à Interpol, os que envolviam o Benfica, em particular, entregou-os ao CSI Foculporto.