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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Mais circo

por josé simões, em 14.09.16

 

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Depois do circo "Abertura do Ano Judicial" vem a a parolice da propaganda mais básica que dá pelo nome de "assinalar a abertura do ano escolar", todos os anos, desde que me lembro, com o primeiro-ministro e o ministro da Educação numa escola qualquer, com uma trupe de emplastros atrás, este ano com um Governo de esquerda, suportado no Parlamento pela esquerda, toda, a fazer exactamente o mesmo número de agit-prop dos governos da direita e dos governos da marcha do balão do "arco da governação" em anos passados, sem perceber que as pessoas querem é os problemas do dia-a-dia resolvidos e não arraiais montados para as televisões, sem perceber que as pessoas sabem perfeitamente se a escola abriu a tempo e horas e com os profs todos, faça o Governo a propaganda que fizer, faça a oposição o barulho que fizer, façam as televisões o que muito bem entenderem fazer consoante a agenda de quem lhes paga.


Podia também o Governo, de esquerda, suportado no Parlamento pela esquerda, toda, assinalar o início do campeonato nacional de futebol, com o secretário de Estado do Desporto num estádio qualquer da primeira divisão, o início da faina da sardinha, com o ministro do Mar a bordo de uma traineira, ou o início da campanha do trigo, com o ministro da Agricultura em cima duma ceifeira-debulhadora numa herdade qualquer no Alentejo, para ficarmos todos de barriguinha cheia que circo é espectáculo a que o comum dos cidadãos só acede por alturas do Natal, ou então podia o Governo, de esquerda, suportado no Parlamento pela esquerda, toda, pura e simplesmente acabar com isto e optar pela sobriedade e pela governação e pouparem-se ambos, primeiro-ministro e ministro da Educação, a espectáculos tristes. Podia mas não era a mesma coisa.


[Imagem]

 

 

 

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O inimigo do povo

por josé simões, em 14.09.16

 

Li Zhensheng – Contact Press Images 12.set.1966.

 

 

Curioso, ou nem por isso, ver um maoista passar-se para o outro lado, para o lado da Goldman Sachs que lucrou milhões – custou milhões aos contribuintes europeus durante a maior crise financeira de que há memória desde a Grande Depressão; para a Goldman Sachs que maquilhou as contas públicas gregas – custou milhões aos contribuintes gregos e aos contribuintes europeus, passar-se para o lado dos inimigos do povo, sem o reconhecer – a mui famosa auto-crítica, um dos pilares do maoismo, antes pelo contrário, vitimizando-se qual Calimero. Para ele reeducação pelo trabalho – outro dos pilares do maoismo.


[Na imagem Li Fanwu, governador de Heilogjiang, com o cabelo cortado por membros da Guarda Vermelha numa praça de Harbin, após ser acusado de se tentar parecer a Mao. Li Zhensheng, Contact Press Images, 12 de Setembro de 1966]