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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| Por falar em pôr o contribuinte a financiar o ensino privado

por josé simões, em 06.05.16

 

 

"O fetiche da Direita portuguesa não é apenas com homossexuais. Simplesmente, não consegue respeitar as liberdades individuais quando se trata de assuntos que afectam a sua moral social.


Um destes dias, uma amiga comentava no seu Facebook que a direita portuguesa não perde uma oportunidade para mostrar que não é liberal. Liberal no sentido de respeitar as liberdades individuais, entenda-se. Não lhe perguntei a que situação em concreto se referia porque os exemplos são tantos que quase dispensam especificação.


A Direita mostrou que não é liberal quando se discutiu o casamento homossexual, não sabendo respeitar a liberdade de cada um casar com quem quer. Tornou a mostrar que não é liberal quando em 2012/2013 se fez valer da sua maioria para impedir a adopção por casais do mesmo sexo, tendo, numa primeira fase, graças a alguns deputados do PSD, deixado passar a co-adopção. Lembre-se que no caso da co-adopção estávamos a falar de crianças que já viviam, de facto, em famílias com duas mães ou dois pais. Ou seja, tratava-se apenas de dar cobertura legal a uma realidade que existia. Seria impossível a um liberal rejeitar esta lei. No entanto, a Direita, não respeitando as crianças que viviam em famílias “fora da sua norma”, socorreu-se de um estratagema (proposta de um referendo sobre o assunto) para evitar que a co-adopção se institucionalizasse. Naturalmente, já nesta legislatura, a nova maioria de esquerda, com os votos contra da Direita, trataria de legalizar a adopção plena por casais do mesmo sexo. Há assuntos em que a Direita faz questão de sempre estar no lado errado da história.


Mas o fetiche da Direita portuguesa não é apenas com homossexuais. Simplesmente, não consegue respeitar as liberdades individuais quando se trata de assuntos que afectam a sua moral social. Foi assim no ano passado quando quis obrigar as mulheres que recorrem a um aborto a ter consultas psicológicas obrigatórias. E, pasme-se, nessas consultas obrigatórias, as mulheres podiam ter de enfrentar um médico que fosse objector de consciência relativamente à interrupção de gravidez. Isto com a justificação de que o contrário seria “discriminar os objectores de consciência”!


Este ano, quando se discute a procriação medicamente assistida, mais uma vez a Igreja, perdão a Direita, quer impor a sua moral, impedindo que casais de lésbicas ou mulheres solteiras possam recorrer a ajuda médica para engravidar, impedir o recurso à maternidade de substituição, etc. É-lhes impossível respeitar o livre-arbítrio individual, quando em causa está a sua moral.


Foi Margaret Thatcher, a dama de ferro inglesa, que disse: “there’s no such thing as society; there are individual men and women and there are families”. Traduzo: “isso da sociedade é uma coisa que não existe; há homens e mulheres individuais e há famílias”. Mas, para a nossa Direita, é impossível imaginar uma sociedade em que o indivíduo não seja submetido às amarras da sua moral.


As pessoas de direita que alegam ser liberais, percebendo a óbvia contradição entre o que defendem na teoria e o que defendem na prática, costumam encontrar soluções ad-hoc para as suas posições anti-liberais. Por exemplo, o problema da procriação assistida não é o direito em si mesmo que a mulher tem, mas sim o facto de se transformar esse direito numa “obrigação do Estado”. Ou seja, a obrigação que o Estado tem em mobilizar cuidados de saúde que possam responder a este direito. Depois adicionam uns pozinhos de demagogia, falando em listas de espera ou de doentes de cancro que não são tratados a tempo, como se, no global, o nosso Sistema Nacional de Saúde não passasse com distinção em qualquer estudo comparativo internacional.


Confesso que, para minha surpresa, já vi o mesmo argumento ser dado a respeito da eutanásia, que agora tanto se discute. Não se nega o direito individual ao suicídio. Quem quiser suicidar-se que pegue numa pistola e estoire os miolos. Pedir ajuda ao Estado para uma morte mais suave é que não, nem pensar. É a Direita que temos, no papel, muito respeitadora da liberdade individual. Na prática, o indivíduo submete-se sempre à moral social.


Em tempos, escrevi aqui que a nossa Direita era peculiar e que, na verdade, mais do que reduzir o peso do Estado, o que pretendia era mesmo substituí-lo pela Igreja. Dei, na altura, o exemplo da Educação e, nestas últimas semanas, temos observado isso mesmo. O Governo veio anunciar o que devia ser óbvio: que onde houvesse uma escola pública não faria sentido o Estado continuar a subsidiar uma escola privada. É, aliás, o que está na lei; o facto de esta durante décadas não ter sido respeitada por sucessivos governos não é desculpa para continuar a não ser. Numa altura em que todas as poupanças que o Estado possa fazer são bem-vindas, a nossa Direita devia aplaudir.


Mas a Direita, que tanto vitupera os subsídio-dependentes, não aceita. Quer que o Estado respeite a escolhas individuais. Neste caso já não faz mal que seja o Estado a pagar. E, como é bom de adivinhar, o problema não está no facto de se cortar o financiamento do ensino privado. O problema está em se cortar o financiamento de escolas católicas. Repare-se nesta passagem de um artigo de João César das Neves publicado na semana passada no Diário de Notícias: “A medida parece genérica, contra as escolas privadas, o que permite o cinismo de o maior ataque dos últimos anos contra a presença da Igreja Católica na sociedade fingir neutralidade.” Na verdade, o problema é sempre o mesmo, todos os cortes de despesa são bem-vindos, excepto os que afectam a Santa Madre Igreja.


Alexandre Homem de Cristo, aqui no Observador, com a inteligência que o caracteriza, apresenta o melhor argumento possível para defender estes subsídios. Para tal recorre ao exemplo de uma escola pública às moscas, em Paços de Brandão, e ao do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, uma escola de propriedade privada, na mesma zona de residência, que tem 74 turmas financiadas pelo Estado. Diz que se os pais preferem a segunda, então deve-se encerrar a primeira e financiar a segunda. O problema é que a primeira não pode encerrar. Como a escolaridade é obrigatória e o nosso Estado é laico, é obrigação do Estado garantir que existe uma escola laica. Um Estado laico não pode
obrigar uma família a inscrever as suas crianças em escolas de inspiração católica. A implicação lógica é simples: onde há escola pública, não se deve financiar escolas privadas. A não ser, claro, que o Estado deixe de ser laico, como grande parte da Direita gostaria."


Luís Aguiar-Conraria, "Onde está a direita liberal em Portugal?"

 

 

 

||| Granada de fumo

por josé simões, em 05.05.16

 

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Se o militante do Partido Socialista Vítor Constâncio fosse inteligente percebia que está a ser usado como granada de fumo para esconder Maria Luís Albuquerque, Passos Coelho, Paulo Portas e cinco anos de maioria PSD/ CDS, enquanto as tropas adversárias, numa manobra de diversão e de intoxicação da opinião pública, atacam o Governo do PS suportado pela esquerda no Parlamento. Mas isso era se o militante do Partido Socialista Vítor Constâncio fosse inteligente.


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||| Estudos da treta, com conclusões da treta, para justificar conversas da treta

por josé simões, em 05.05.16

 

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Porque a verdade é que o Euro é uma moeda cara e 1 kg de batatas que no dia 31 de Dezembro de 2001 custava 80/ 100 escudos passou a custar 1 euro no dia 1 de Janeiro de 2002 e um café que custava na mesma data 45/ 50 escudos passou a custar, também no dia seguinte, 50 cêntimos de euro, uma conversão directa em menos de 24 horas [do que é que o pequeno comércio a retalho e restauração se queixaram será sempre uma incógnita]. Dir-me-ão que as pessoas não se governam só a café e batatas, pois não, mas é muito por aqui que a coisa começou.


Outra coisa que o estudo nos diz é que vale a pena apostar e investir na educação porque com mais formação e mais habilitações literárias as probabilidades de encontrar um emprego mais remunerado são muito maiores.


O que o estudo não nos diz é a média salarial dos portugueses, nem a quantidade de portugueses que aufere o salário mínimo nacional, nem a constituição dos agregados familiares dos portugueses que vivem com a média e o mínimo salarial em Portugal. É que dá muito mais jeito à narrativa liberal instalada no Banco de Portugal dizer que os madraços dos tugas são uns gastadores que não acautelam o futuro e insistem em continuar a viver acima das suas possibilidades. É que alguém que ganhe o salário mínimo nacional, se não tiver filhos, nem pagar renda da casa, nem água, nem luz, e for trabalhar de Inverno com roupa de Verão, depois de um jantar de bolacha Maria na véspera, consegue aforrar a pensar nalgum contratempo da vida ou para acautelar a velhice.


Estudos da treta, com conclusões da treta, para justificar conversas da treta.


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||| 1%

por josé simões, em 04.05.16

 

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«[...] "o socialismo em que vivemos impregnados, e que hoje se chama 'estado-providência', ou 'modelo social europeu', que nos condena à mediocridade'.»


O que nos "condena à mediocridade" foi a Europa do 'estado providência' ter abdicado do 'modelo social europeu' – imagem de marca e, ainda hoje, íman para milhares que ambicionam um futuro melhor para si e para os seus, ao invés de não o ter imposto nos acordos da globalização do livre comércio das marcas e das corporações, numa cedência fatal à narrativa dos amanhãs que cantam na liberalização e desregulação que, inevitavelmente vai condenar a Europa à mediocridade e à irrelevância.


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||| Tess Asplund é o nome da senhora

por josé simões, em 04.05.16

 

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"Tess Asplund, 42, stepped out in front of 300 Nazis marching through the city of Borlange, Sweden, and faced its leaders with her fist in the air"

 

 

 

 

 

 

 

||| O coração das trevas

por josé simões, em 03.05.16

 

 

 

Ou a Europa do Partido Popular Europeu.


"Gestor do Estado no Banif diz que Bruxelas se tornou mais exigente com o PS no Governo"

 

 

 

 

||| Difícil não é chegar, difícil é saber sair

por josé simões, em 03.05.16

 

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Diz que o Colégio Militar é alvo de um grande "escrutínio do poder político, mediático e da sociedade". Aliás, é mesmo "um bombo da festa mediático". Mais: "a sociedade exige muito desta escola". Onde é que já se viu?! A sociedade, que é como quem diz o contribuinte, exigir muito de uma escola de elite, paga pelo dinheiro do contribuinte, em linguagem militar, o dinheiro da sociedade.


Difícil não é chegar, difícil é saber sair. E os senhores que presidem ao Colégio Militar e os senhores que presidem aos senhores que presidem ao Colégio Militar ainda não perceberam que chegou a hora de saírem e continuam, alegremente, no papel de [es]tarolas da festa mediática [tarola em vez de bombo porque instrumento mais consentâneo com a condição militar. Toque de caixa, marcar passo. Um, dois, esquerdo, direito]


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||| Tudo resumido numa frase

por josé simões, em 03.05.16

 

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"O que nos preocupa é que os alunos estão com exames à porta e mostram-se desorientados com esta situação"


O objectivo último do "rigor" do ensino nos colégios privados – o exame; o modus operandi da "excelência" do ensino nos colégios privados – trabalhar alunos para exames e aparecer no top of the pops no ranking das escolas.


Sacos de vento de conhecimento. Fica toda a gente satisfeita, os pais porque pagaram e vêm "resultados", os colégios porque receberam o pagamento e vêm o seu "mérito" reconhecido. Amanhã é outro dia.


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||| Imperialismo

por josé simões, em 02.05.16

 

 

 

Imperialismo não é chegar com as tropas e ocupar o território e, passados uns tempos, sair e deixar um Governo fantoche instalado. Não. Isso é terrorismo de Estado, de um país sobre outro. Imperialismo é meter as marcas e as corporações acima da regulação e da legislação dos Estados e dos governos dos países. Imperialismo é meter o poder económico a decidir pelo poder político. Imperialismo é isto:


"You can download all the documents below, as a whole and per chapter.
TTIP Leaks"

 

 

 

 

||| Um ignorante

por josé simões, em 02.05.16

 

 

 

E que faz gosto em sê-lo. "Presidente do PSD não vê razões para celebrar 1º de Maio".


[Imagem de Luis Carregã]

 

 

 

 

||| A autocítica como um dos pilares fundamentais da Revolução Cultural de Mao

por josé simões, em 01.05.16

 

All are indebted to Chairman Mao and to the Commun

 

 

"Normalmente os membros do Governo gastam imenso tempo a desfazer ‘papões’ que ninguém criou a não ser o próprio Governo. Durante semanas o Governo faz chegar à comunicação social as informações mais dramáticas e depois aplica-se, nas semanas seguintes, a desmenti-las e acha que com isso ganhou imensa coisa"


O outro era a "reeducação pelo trabalho". Não remunerado. Não eram os manhosos do subsídio de desemprego nem os calaceiros do RSI mas o princípio é o mesmo. E o termo usado não era "papão" era "tigre de papel".


[Cartaz chinês de propaganda na imagem: "All are indebted to Chairman Mao and to the Communist Party"]

 

 

 

 

||| O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 01.05.16

 

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Na capital do Cavaquistão, se calhar em homenagem aos idos em que a UGT de Torres Couto erguia um cálice de Porto para celebrar com Cavaco Silva mais cortes em direitos em regalias, Carlos Silva reescreve a história dos últimos 5 anos com um delete ao consulado de João Proença. "Impostas" é o termo. A UGT nunca existiu.


"Enalteceu, a propósito, "a reversão de um conjunto de medidas [pelo actual Governo] que de uma forma muito liberal foram impostas nos últimos anos", como os cortes salariais, a valorização da concertação social e a reposição das 35 horas de trabalho semanal."


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||| Fim-de-semana

por josé simões, em 01.05.16

 

De La Soul ‎– Me Myself And I.jpg

 

 

Este fim-de-semana foi assim.


Me Myself And I ~ De La Soul


[7" vinyl]

 

 

 

 

||| Dia do Trabalhador

por josé simões, em 01.05.16

 

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