"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Ver Assunção Cristas, a aprendiza-substituta de Paulo Portas à frente do CDS até o querido líder completar a travessia do deserto e haver uma vaga de fundo que clame pelo seu glorioso regresso à liderança, em todos os canais de televisão, a largar o veneno e a plantar a mentira, sem que nenhum dos jornalistas, câmaras de ressonância, lhe perguntasse como é que se faz a "requisição civil" a quem cumpre o seu horário de trabalho e só se recusa a fazer horas extraordinárias...
Numa sociedade justa o empregador criava mais um turno de trabalho e o problema ficava resolvido, mas criar mais um turno de trabalho implica criar mais umas dezenas de postos de trabalho, pagar mais umas dezenas de salários, pagar mais umas dezenas de subsídios de férias, pagar mais umas dezenas de subsídios de Natal, pagar mais umas dezenas de contribuições para a Segurança Social, e menos uns milhares de euros em mais-valia para o patrão e para aos accionistas. E isto não é um país comunista, nem tampouco uma sociedade capitalista redistributiva.
Podia ter-lhes dado para se manifestarem, por exemplo, de 'cor de burro quando foge', mas não, deu-lhes para o amarelo, uma cor como outra qualquer, 'neutra e sem conotações com partidos políticos', como disse um senhor dos colégios na televisão. Ou da cor do patrão que toma conta da maioria dos colégios e escolas com contratos de associação. E das IPSS da caridadezinha, da sopinha dos pobres e do socorro aos desvalidos. Tudo pago pelo dinheiro do contribuinte. É isto que a direita radical alimenta, é disto que a direita radical se alimenta e nada disto é 'ideologia'. Amém.
O Ministério do Trabalho, Solidariedade e da Segurança Social do Governo da 'Geringonça' não autoriza que o contribuinte tenha acesso às contas das organizações da indústria da engorda às custas da miséria e da desgraça alheia, vulgo Instituições Particulares de Solidariedade Social, subsidiadas pelo dinheiro do contribuinte, numa acção concertada entre o Governo da direita radical e a Igreja Católica – que é quem na realidade tutela e administra as ditas IPSS da caridadezinha, como uma das etapas do desmantelamento do Estado social. Há aqui qualquer coisa que nos escapa...
O "socialista" Dieselboom diz que "há motivos sérios para considerar sanções" ao Portugal da socialista 'Geringonça' por causa da meta do défice não atingida pelo Governo da direita radical – PSD/ CDS. E é assim desde Gerhard Schröder, que a esquerda não se dá ao respeito e segue a agenda da direita radical.
Diz que os armadores perdem dinheiro, que os operadores portuários perdem dinheiro, que as exportações são afectadas, que as importações idem, que as empresas estão a perder milhões, que a economia do país está em risco. Por uma greve às horas extraordinárias. Não é uma greve total, é uma greve às horas extraordinárias. Às horas extraordinárias. Todo um sistema laboral que afecta este mundo e ainda uma parte do outro todo ele assente no pressuposto de que os trabalhadores vão fazer horas extraordinárias. As pessoas deviam pensar nisto. E deviam pensar porque é que a direita radical lamenta não ter conseguido baixar os custos do trabalho para as empresas e porque é que uma das primeiras medidas adoptadas pelo Governo da direita radical foi precisamente baixar o preço da hora e o preço da hora extraordinária. As tais horas extraordinárias que são atiradas à cara dos estivadores todos os dias e a todas as horas pelos comentadores da direita radical – os salários milionários que os madraços da estiva recebem, e no eco que faz na ignorância invejosa de outros trabalhadores, trabalhadores como os estivadores. E as pessoas também deviam pensar nisto.
Dando como exemplo ele próprio – que não é político, nunca foi político nem nunca será político, e o mal-baratar de milhões e milhões em fundos comunitários – o novo ouro do Brasil, como lhe chamaram; uma rede de compadrio e corrupção, a destruição do tecido produtivo do país, com o sector da agricultura e o das pescas à cabeça – pagar para abater e não produzir; a aposta no betão em detrimento do caminho-de-ferro; o investimento massivo em infra-estruturas no litoral do país e o abandono do interior; a criação e a engorda do "monstro". Realmente é preciso ter uma lata tamanho do mundo...
- Um bando de palermas, acoitados debaixo de uma bandeira e de uma sigla política, porque têm uma vaga lembrança de umas bocas ouvidas da boca dos mais velhos, resolve comparar Mário Nogueira da Fenprof a Estaline, demonstrando desta forma a sua ignorância e a sua falta de cultura porque, se soubessem um mínimo dos mínimos sobre a história da Europa do século XX e sobre quem foi o 'Pai dos Povos', nem sequer pensavam duas vezes antes de chamar Estaline a alguém, não chamavam, ponto final. Os infantes da direita radical, escudeiros do estudioso de Salazar, têm dois defeitos: são burros e não querem aprender.
O trabalho do jornal do militante n.º 1 para descredibilizar toda e qualquer futura investigação sobre offshores, e provocar na opinião pública a indiferença às respectivas notícias, está feito. Mission accomplished.
Os deputados do PSD vão andar em campanha pelo país para explicar às pessoas porque é que se pode cortar salários - o Governo da direita radical não tinha uma política de baixos salários e de desemprego para o país enquanto lamentava não ter conseguido baixar os custos do trabalho, a reforma que ficou por fazer, e nos contratos de associação em situação de duplicação da oferta não se pode cortar.
Os deputados do PSD vão andar em campanha pelo país para explicar às pessoas porque é que se pode cortar pensões e reformas - não há dinheiro para nada e além disso as pessoas não tiveram uma carreira contributiva para receberem as pensões quer recebem, e nos contratos de associação em situação de duplicação da oferta não se pode cortar.
Os deputados do PSD vão andar em campanha pelo país para explicar às pessoas porque é que se pode cortar subsídios e contribuições diversas - no montante a receber e na sua duração temporal, enquanto se aumentam todas as taxas e taxinhas - já é tempo das pessoas interiorizarem que não podem viver acima das suas possibilidades, e nos contratos de associação em situação de duplicação da oferta não se pode cortar.
Os deputados do PSD vão andar em campanha pelo país para explicar às pessoas porque é que o Estado deve ser instrumento ao serviço de interesses privados - e o contribuinte pagar por e para isso ou, em linguagem simples que as pessoas simples percebem, vão explicar às pessoas porque é que a direita radical é tão amiga e protectora dos ricos e vira as costas a quem vive e sobrevive com o rendimento do seu trabalho, e ainda tem de garantir, com o dinheiro dos seus impostos, o rendimento aos protegidos da direita radical.