"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
E ajudar a alargar o sorriso cínico de superioridade iluminada com que pontua as frases e que, curiosamente, ou nem por isso, já deixou de usar dentro de fronteiras. Eu sou bom, sou muito bom, sou um génio, já larguei o spin e assim como assim não vai haver contraditório e o contraditório que houver é em circuitos fechados, longe do share de audiência, e o grande público já ouviu o que interessa ouvir, a verdade a que tem direito.
No partido com maior circulação de elites dirigentes entre cargos ministeriais e conselhos de gerência e/ ou administração de empresas privadas; no partido de maior circulação de militantes entre a administração do Estado e/ ou empresas públicas e o sector privado; no partido onde o líder, e o seu inner circle, cresceram e engordaram em empresas privadas abrigadas no guarda-sol do Estado e dos fundos comunitários; no partido da promiscuidade entre o Estado e o sector privado, abrimos muito a boca de espanto e fazemos uma grande cara de caso, porque vivíamos todos no mundo da Lua e não percebemos que o ataque cerrado às parcerias público-privadas era manobra de diversão do departamento de agit-prop do partido, concertado com uma comunicação social capturada e acéfala, e mostramos muito receio, fundado receio, por o Governo, que tem em cada gabinete ministerial uma foto emoldurada de Margareth Thatcher, voltar a apostar nas PPP.
O pormenor é que a gente, do lado de cá, já começa a ficar com muitos anos disto, são muitos estudos com as equivalências certificadas:
Um:
«Hugo Soares, o recém-eleito presidente da JSD, defende que o Estado deve recorrer mais às universidades para obter apoio jurídico em vez de contratar sociedades de advogados.»
"Não estou seguro que o Estado português esteja imune a interesses. Há partes do Estado que estão capturados ou em vias de o ser", afirmou António José Seguro.»
Quando o "simbolismo" da imagem de seriedade que se quer passar para o eleitorado passa por convidar Vítor Bento para o palanque, assim de repente, o Vítor Bento trabalhador-invisível das promoções por mérito, o Vítor Bento da suspensão da democracia, estamos conversados.
Adenda: Ainda com uma secreta esperança de ser hoje o dia em que João Proença denuncia o acordo de concertação social por o Governo continuar a não cumprir e a adiar as medidas para o crescimento e emprego, esta parte foi copiada de um discurso de Pedro Passos Coelho, não foi?!