||| In Memoriam
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E muitos são nossos, formados com o dinheiro do contribuinte, naquele que foi o maior investimento de que há memória, feito pelo Estado, na educação e formação dos cidadãos.
Vão ser embaixadores da boa imagem de Portugal, diz o vazio que ocupa a cadeira na Presidência da República. Vão ganhar experiência e know-how fora da zona de conforto, diz o primeiro-administrador-delegado da Alemanha para Portugal. E enviar remessas para os bancos, contam ambos com isso. E há o pormenor de uma moeda única mal desenhada e mal construída, mas isso agora também não interessa nada.
[A imagem explicada aqui]
«Como o exemplo deve vir de cima o documento prevê algumas reformas dos ministérios […] uma integração gradual e respeitando especificidades das funções jurídicas e contenciosas dos ministérios, o Estado precisa de se capacitar juridicamente para defender o interesse público e não deve recorrer ao outsourcing, não deve ir buscar fora do Estado a qualidade jurídica para defender o interesse público, pode e deve fazê-lo a partir de uma agregação de departamentos de contencioso e departamentos jurídicos que existem nos vários ministérios, ganhando escala, ganhando recursos»
Paulo Portas, 30 de Outubro de 2013, apresentação de "Um Estado melhor – Guião para a Reforma do Estado".
«A Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) contratou o escritório de advogados Morais Leitão, Galvão Teles da Silva e Associados para assessoria jurídica na gestão de contratos swap de empresas públicas. O contrato foi assinado em Setembro, mas só foi divulgado em Dezembro. Têm um valor máximo de 340 mil euros mais IVA, o que totaliza 418 mil euros.
["Sensual Santa" na imagem]

Dizia-se às crianças nos idos do Deus, Pátria e Família.
O Inferno é um local físico que existe e não está vazio, disse aqui há tempos Bento XVI, ainda antes de se reformar.
"Na recuperação do nosso país, ninguém pode ficar para trás"
A Igreja fala e o povo ouve. Mesmo o povo que não ouve o que a Igreja fala. Leve ou não a sério o povo o que a Igreja fala, o povo que ouve e o povo que não ouve o que a Igreja fala. Minorar o sofrimento, necessário, na passagem pela vida terrena para ganhar o Reino dos Céus, upgrade, delegar competências na Igreja para minorar o sofrimento da austeridade, necessária, para ganhar o Reino dos Mercados. Blah-blah-blah e discursos que toda a gente gosta de ouvir. Ouça ou não ouça.
[Imagem "Arizona 1988" by Mary Ellen Mark]
E em madeira, já que o Homem era carpinteiro [aprendi com a Última Cruzada do Indiana Jones].
Para todos os que aqui vêm, e para as suas famílias, um bom Natal.
[Na imagem "Minimal Nativity Set made of plain wooden blocks" by Emilie Voirin]

Depois de uma semana a fio de foguetório e fanfarra em tudo o que era televisão por o emprego ter subido 1,2% entre os "meses curiosos" de Julho e Setembro deste ano, face ao trimestre anterior e não face ao trimestre homologo, um pormenor, e de Portugal liderar [yesss!] a subida de emprego na Europa, e apesar dos cerca de 10 mil que abandonam o país todos os meses, e que nunca são convidados para as palestras do sucesso nem nunca aparecem na telenovela cor-de-rosa "Portugueses No Mundo" no canal público de televisão, depois do subsídio de desemprego ter levado um senhor corte, no valor e na duração temporal, para desincentivar a malandragem e os calaceiros de viverem a expensas do dinheiro do contribuinte em zonas de conforto, eis que «o dinheiro gasto pelo Estado em subsídios de desemprego continua a aumentar, mas a um ritmo menor até ao mês passado. Essa despesa cresceu 6,5%, abaixo dos 8,4 registados em Outubro.». São sucessos atrás de sucessos.
[Imagem de Penny Byrne]
Como se ou outros fossem muitos naïfs e não questionassem a bondade do estar lá fora por opção e a bondade do estar lá fora pelo instinto de sobrevivência, não distinguissem uns dos outros e uma coisa da outra, não conseguissem filtrar a propaganda governamental a desinformação da realidade, nem soubessem ler a escala de 1/ 10 000, que é o "de sucesso" vs. os "de insucesso", e que são aqueles que saem do país todos os meses e que não contam para nada na escala de valores presidencial, nem sequer se podem dar ao luxo de faltar um dia ao trabalho para fazer milhares de quilómetros até uma sala cheia de conversa oca.
E lá continuam muito compenetrados e responsáveis, na sua vidinha no "second life", entre inaugurações e palestras e congressos. Who gives a shit? [em língua da diáspora]:
«Cavaco apela aos emigrantes de sucesso para ajudarem a credibilizar Portugal»
[Imagem]
Está mau para o idoso porque está mau para o negócio à roda do idoso e porque está mau o dia-a-dia da descendência do idoso, vítima às mãos das políticas do Governo que transfere verbas para a área do negócio com o idoso, enquanto destrói a economia que sustenta a família do idoso e corta no salários e nos apoios sociais à família do idoso e que agora se prepara para esbulhar a pensão de reforma do idoso, sendo que o idoso é, simultaneamente, o que mais e o que menos importa nesta equação. E já aí vem lei para punir quem maltrate e abandone o idoso, lei do Governo que ignora haver uma lei que proíbe o Governo de maltratar e abandonar os cidadãos, de seu nome Constituição da República.
A hipocrisia da Igreja, e das IPSS da Igreja, não está só nas várias modalidades de idoso, do idoso de 1.ª, 2.ª e 3.ª categoria, o idoso à la carte, e no ter o lucro que supostamente não devia ter, podendo sempre argumentar, com ar misto incrédulo-idiota, como argumentam os liberais construtores do novo homem que vai nascer e do sol que brilhará para todos nós, "qual é mal em ter lucro?", mesmo que o lucro implique esbulhar o idoso ou vender a mãe e o pai. A hipocrisia da Igreja e das IPSS da Igreja está também nas duas caras e na ambiguidade do discurso de quem mama na teta do Orçamento do Estado, os descontos dos contribuintes familiares do idoso, do discurso à roda do idoso e à roda daqueles que já nem idoso têm para aguentar o negócio, familiar da família constituída ou familiar da família "somos todos irmãos".
Venha a nós o Vosso Reino.
[Imagem "October 1935 Scene in Jackson Square, New Orleans" by Ben Shahn for the Farm Security Administration]
E a Igreja tem o discurso da ambiguidade. Se, por um lado, há vozes que se levantam para criticar a política dos cortes cegos nas funções sociais do Estado e da austeridade do custe o que custar e do "ai aguenta, aguenta!", por outro há a igreja que rejubila com a ascensão da denominada economia social e das transferências de meios e competências do Estado para as IPSS, por si ou por interpostas pessoas por si controladas, com o argumento da proximidade e do conhecimento das pessoas e do terreno, e exige mais de modo a poder responder à política dos cortes cegos nas funções sociais do Estado e da austeridade do custe o que custar e do "ai aguenta, aguenta!", promovida pelo Governo das transferências do Orçamento do Estado para as IPSS e da delegação de comptetências que antes eram do Estado, do Estado social.

Independentemente da cultura e da tradição e das raízes e blah-blah-blah e deixo isso à antropologia, 40 anos passados sobre o funeral do mito da ruralidade, com pai ali por aquelas latitudes, no país da unidade que é união nacional, estas coisas simples e genuínas, do êxodo das populações urbanas, entre aspas, nas quadras, em direcção à santa terrinha, fazem-me comichões quando até têm direito a destaques de primeira página, como se o homem novo aí viesse, renascido e purificado, expurgado de todos os males e de todos os vícios que corrompem a sociedade. Podiam ter convidado a Isabel Silvestre e o Grupo de Cantares de Manhouce para a banda sonora da alma do povo do Portugal profundo que se ergue de entre as brumas da memória. Às armas.
[Imagem de Brock Davis]
Este fim-de-semana foi assim.
Muchisimo Amor [Whole Lotta Love] ~ Led Zeppelin
[7" vinyl]
Alguém ainda se lembra do projecto de golpe de Estado encomendado a Paulo Teixeira Pinto pelo duo Pedro Passos Coelho/ Miguel Relvas, e apresentado ao país como projecto de revisão constitucional, e das linhas orientadoras constantes para o ensino obrigatório gratuito, e da "razão atendível" para o despedimento, e dos capítulos sobre economia, e do "limpar termos e palavras" da Constituição, e da "auto-dissolução" da Assembleia da República e da "moção de censura construtiva", entre outras, e retirada à pressa da discussão pública pelas reacções negativas e adversas que provocou, até dentro do próprio PSD? Alguém ainda se lembra? É que se calhar a concepção política, económica e social da maioria PSD/ CDS-PP para o país, à luz desse projecto, agora no fundo da gaveta a aguardar melhores dias, ajuda a perceber os 9 – nove – 9 chumbos do Tribunal Constitucional.
[Imagem]