"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Para aqueles que alimentavam a esperança de ouvir da boca do Presidente um esclarecimento sobre o “caso das escutas”, o discurso de apelo ao voto foi esclarecedor e elucidativo que aí vem: «mantive escrupulosamente e com o maior rigor o compromisso de total isenção e imparcialidade em face dos diversos partidos”». Por que cargas de água é que pela primeira vez em 35 anos de Democracia a “isenção” e a “imparcialidade” do Presidente nos entram pela casa dentro em véspera de eleições?
Salazar na campanha eleitoral, Bento XVI em Fátima, o Expresso vai lançar colecção de DVD’s da Amália; foi uma semana alucinante. Só falta o Benfica ser campeão.
(Na imagem, de autor desconhecido, Francisco Franco que não era para aqui chamado, não fora ter sido introduzido na campanha pela boca de Manuela Ferreira Leite, e relembrado por Maria José Nogueira Pinto quando, esmiuçada pelo Gato Fedorento, afirmou que no dia a seguir às eleições, e se a Esquerda ganhar, nem é caso para ir até Badajoz, quanto mais para o Brasil.
As "idas a Badajoz" são mais forte que eles, está-lhes na massa do sangue...)
Cavaco insiste, o SIS diz que não pode ser, Cavaco insiste, o SIS diz que não pode ser, o Expresso cita «um informador», a notícia do DN não passa de uma montagem, a notícia do Público não foi nenhuma montagem, a notícia do Público nunca foi desmentida por Cavaco, a fonte anónima diz que há suspeitas, a fonte anónima do SIS diz que é pouco provável, o Público foi uma vítima, o Presidente foi uma vítima, Manuela Ferreira Leite foi e é uma vítima, o PSD é uma vítima, Sócrates e o PS, esses mallaaandros, são uns conspiradores, e o povo é todo, não digo estúpido que isso também era abusar, mas uma cambada de ingénuos, e Lima faz que sai mas não sai, razão tinha Mário Soares.
Existe a figura do Impeachment no sistema político português?
(Na imagem March 1943, Amarillo - Texas. Atchison, Topeka and Santa Fe rail dispatcher in the general office by Jack Delano)
Exemplar do modo como o Presidente vê e interpreta a sociedade: depois de uma semana horribilis, uma “boa” notícia - em antecipação - aos súbditos. Não é o Cavaco Silva acreditar piamente que o Portugal das aparições e dos milagres ainda existe, porque, apesar de residual, existe, é o acreditar piamente que tem o mesmo peso e a mesma predominância na sociedade e na vida das pessoas que tinha há 35 anos.
Que medo! Valha-nos a Nossa Senhora de Fátima mais a Irmã Lúcia que vem aí o PREC Remixed & Remastered e que já vai tudo de abalada outra vez prós Brasis, Deus queira que a TAP não se lembre de fazer agora greve numa altura tão crítica. Vai ser pior que o “Deus me livre”, vai ser o caralho!
Agora, e uma vez que António Vilarigues também é «colunista do jornal», ficamos todos à espera da presença do senhor director marque presença numa acção de campanha da CDU. Mas tem de ser rápido que a campanha acaba já amanhã à meia-noite.
Fazendo um rewind na conspiração Ian-Fleming-assim-a-atirar-para-o-roskopf das escutas ao Presidente-que-já-foi-de-todos-os-portugueses, encontramos também um cheirinho a John Le Carré em o Alfaiate do Panamá, que passava por as suspeitas da suspeita partirem da ilha exemplo da democracia desasfixiada e da boa governação PêPêDê / PêÉsseDê.
É assim que as coisas funcionam: todos os Silvas, Leites & sucedâneos, porque é da família, não dispensam o beija-mão da ordem e de fachada ao bwana da Madeira, mas, lá íntimo, como ninguém o leva a sério, é o Bobo da Corte para o que der e vier e aqui mesmo à mão, e ao mesmo tempo suficientemente longe, para justificar todas as tropelias. Se a coisa der para o torto: “o que é que vocês querem; até parece que não sabem como ele é?!”
(Na imagem A clown band plays at a children's hospital in the Washington, D.C. area on May 1, 1923. Via National Photo Company collection)
O discurso usado por Paulo Portas nesta campanha para as legislativas – sublinho nesta, porque para cada campanha o líder dos centristas usa um discurso específico – parece decalcado das falas de uma personagem da comédia Caveman.
(Imagem Amplifiers at Bolling Field, 1921.Two giant horns with ear tubes, evidently designed to listen for approaching aircraft. Via National Photo Co.)