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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

25 de Abril à Direita (II)

por josé simões, em 02.04.07

Uma revolução e um regime para a esquerda?

 

Apesar das canções e dos festejos da oposição de esquerda, o resultado do golpe militar de há 33 anos não foi exactamente a implantação imediata de um governo das esquerdas. O novo Presidente da República, o general Spínola, não era um homem de esquerda, e a Junta de Salvação Nacional, se tinha uma tendência, era conservadora. O chefe do Governo, o professor Adelino da Palma Carlos, era um republicano nacionalista, que as esquerdas em 1974 já mal reconheciam como um dos seus. É verdade que Mário Soares e Álvaro Cunhal tinham postos no Governo. Mas também Francisco Sá Carneiro, destacado como braço-direito de Palma Carlos. Diogo Freitas do Amaral, que então não era exactamente der esquerda, fora convidado para o Conselho de Estado. O PREC só veio meses depois.

O PREC deu às esquerdas uma preponderância violenta em Lisboa e no sul. Mas a norte de Rio Maior, a história foi diferente. No auge do gonçalvismo, o PCP e a extrema-esquerda viram-se aí acossados por multidões enfurecidas, que lhes queimavam as sedes e fizeram os seus militantes passar a uma quase clandestinidade. Não foram só as direitas a ser perseguidas em 1975.

Finalmente, temos a contabilidade dos anos de Governo desde 1976. Em 30 anos, o PSD passou 17 no Governo, por comparação com 12 para o PS. Sozinho ou em coligação, o PSD obteve três maiorias absolutas (1979, 1987 e 1991) e o PS apenas uma (2005). Além disso, o CDS, à direita, faz parte do “arco da governação”, mas não o PC ou o BE, à esquerda. E em 2006, depois da má prestação eleitoral do ano anterior, os partidos à direita puderam eleger um Presidente da República. Se acrescentarmos que controlam actualmente a maior parte das Câmaras Municipais mais importantes do país, é difícil escapar à conclusão de que não se têm dado mal com o abrilismo. E onde vem então e em que consiste a suposta “ascendências das esquerdas” que pretensamente impede a direita de sair do armário, exibir os seus irresistíveis atractivos e redimir triunfalmente o país?

 

Rui Ramos, historiador, na revista Atlântico dete mês.

Fim de semana

por josé simões, em 01.04.07

 

Este fim de semana foi assim.

 

The Gang of Four - To Hell With The Povertry!

 (Vinil 7")

25 de Abril à Direita

por josé simões, em 01.04.07

"Em Portugal, aquela parte das direitas que reconhece não ser de esquerda faz questão, geralmente, de se classificar entre os excluídos do regime. E quando se pergunta aos queixosos pela causa dessa marginalização, é quase inevitável ouvir resmumgar a propósito do 25 de Abril de 1974. Tudo teria começado com uma revolução de esquerda que, logicamente, terá criado um regime onde, à vontade, só se poderia ser de esquerda. Ora esta ideia, tal como todas as ideias correntes, não estando totalmente errada, também não está exactamente correcta. O 25 de Abril e a sua revolução têm menos culpas do que se diz nesta história da menoridade da direita."

 

 

Excelente artigo assinado pelo historiador Rui Ramos, para ler na íntegra, na revista Atlântico deste mês.

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