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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Fim de semana

por josé simões, em 25.03.07

Este fim de semana foi assim.

Frankie Goes To Hollywood - Rage Hard

(Vinil 7")

Investimento estrangeiro

por josé simões, em 24.03.07

 Acabo de ver no telejornal, o ministro da Economia anunciar com pompa e circunstância, a concretização da assinatura de um acordo com a IKEA, para um investimento de não sei quantos milhões em Paços de Ferreira, mais criação de não sei quantos postos de trabalho, directos e indirectos, e o coiso e tal.

Trabalho temporário é o que é!

 

Quando daqui por alguns anos a IKEA se mudar para outras paragens, à procura de mão-de-obra mais barata e melhores incentivos fiscais, quais são as mais-valias que ficam? Eu digo-vos:

Uma – ou mais – alterações ao PDM.

Caos urbanístico e paisagístico.

Homens e mulheres no desemprego – muitos.

Casais entretanto casados, com prestações da casa, do carro e o diabo a sete para pagar.

Filhos nascidos desses casamentos, em idade escolar, a viverem em famílias psicologicamente destruídas pela força as circunstâncias.

São as mais-valias deixadas pelo investimento das multinacionais.

 

Vale a pena apostar e congratularmo-nos por este tipo de investimento?

Provérbio Árabe

por josé simões, em 23.03.07

A propósito da decisão da juíza alemã:

"Bate na tua mulher todos os dias; mesmo que não tenhas razão, ela saberá porquê."

Outros blogues

por josé simões, em 23.03.07

“DA RAINHA DE INGLATERRA NÃO SE DIZ MAL, MAS QUE ELA É ISTO E AQUILO, É”

É a técnica habitual de Santana Lopes, tão habitual como quem respira. Na enésima entrevista “da vida” que deu, ele que diz que permaneceu sempre calado durante estes dois anos, como o ouvimos dizer quase todas as semanas destes últimos dois anos, usou desta técnica no seu discurso à saciedade. Marques Mendes? O líder do PPD-PSD seu antecessor nunca irá pronunciar-se sobre o líder seguinte, mas que Marques Mendes é uma nulidade na oposição, isso é. E é mais isto e isto e isto, mas, sobre Marques Mendes, não direi nada por razões éticas. A Câmara de Lisboa e Carmona Rodrigues? O Presidente da Câmara anterior nunca dirá nada sobre o seu sucessor, mas que ele é um mero técnico que não fez nada, lá isso é verdade. E é isto e isto e aquilo, mas não direi nada sobre ele por razões éticas. Sobre mim como político? Nunca direi nada, os outros que julguem, mas que, depois de Cavaco, fui eu que fiz mais obra desde o 25 de Abril, lá isso fui. E fui mais isto e fiz mais aquilo, mas nunca ninguém me ouvirá a gabar-me do que fiz. Graças a Deus.

José Pacheco Pereira, via Abrupto.


Rendimento Social de Inserção

por josé simões, em 23.03.07

 Sempre me fez alguma confusão o Rendimento Mínimo Garantido, e depois o Rendimento Social de Inserção. Não porque não ache que as pessoas não devam ter direito a um mínimo de dignidade e condições no seu dia-a-dia, mas porque esta coisa de estar em casa de barriga estendida enquanto eu, e o comum dos portugueses tem de se levantar cedinho para ir trabalhar e fazer pela vidinha, e fazer também pela dos outros, os que recebem o subsídio, tem muito que se lhe diga.

 

A confusão passou a desconfiança, quando após uma rusga policial ao famigerado Bairro Azul, na Bela Vista em Setúbal, se constatou que, a grande maioria dos detidos por tráfico de droga e crimes violentos, era beneficiário do Rendimento Social de Inserção, os que sobravam, eram vendedores de material contrafeito em feiras e mercados.

 

E como a vida é cheia de surpresas, vejo Manuel Monteiro e a sua Nova Democracia com banca instalada na Rua Garrett em Lisboa, numa “recolha de assinaturas para uma petição a enviar à Assembleia da República, com o objectivo de levar todos os beneficiários do Rendimento Social de Inserção aptos para o trabalho a prestarem serviço comunitário.”

 

Deixo aqui um apelo a Manuel Monteiro: Venha amanhã a Setúbal que eu sou o primeiro a assinar.

The Sessions Are Back In Town!

por josé simões, em 23.03.07

É já esta noite no ADN, com partida marcada para a uma e meia.

Ser ou não ser... engenheiro

por josé simões, em 23.03.07

 Honestamente; muito honestamente, não compreendo o sururu criado à volta das habilitações literárias de José Sócrates; ou talvez compreenda, mas não posso aceitar de todo.

 

Em posts anteriores havia referido a ênfase e até o deleite com que alguns políticos, principalmente os oriundos da chamada direita parlamentar, colocam no título antes do nome. Ele é o engenheiro isto, ou doutor aquilo, o arquitecto aqueloutro, dito com todas as sílabas e consoantes bem pausadas – atente-se aos discursos de Marques Mendes. E também já tinha sublinhado uma das primeiras medidas tomadas por António Pires de Lima – com quem, politicamente, não me identifico, sublinhe-se – assim que assumiu e gestão da UNICER, que ia exactamente no sentido inverso às tendências da sua bancada parlamentar, e que consistiu na abolição do tratamento por títulos.

 

Compreendo o frenesim em torno do título de Sócrates do ponto de vista que compreendi o caso António Vitorino e a sisa por pagar, o caso Paulo Portas e o Jaguar da Universidade, e tantos outros em que a politica politiqueira portuguesa é fértil – vasculhar a vida de cada um na procura de “podres” que ajudem a denegrir a imagem. Se não o consegues derrotar pelos argumentos, derrota pelo jogo rasteiro; quanto mais rasteiro melhor.

 

Este de género de sacanice politica atingiu o zénite logo após a publicação ontem pelo Público, de uma pretensa investigação à licenciatura de José Sócrates, com o deputado do PSD Pedro Duarte a exigir um “cabal esclarecimento” sobre as falhas no dossier de licenciatura do Primeiro-ministro! Cria-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito?, chama-se o Procurador? Tenham dó!

Pretensa investigação porque limitando-se a consultar umas quantas folhas facultadas pela própria Universidade e, a apontar umas quantas falhas, o que em rigor da verdade deva ser dito, alguns blogues haviam feito há já algumas semanas; o Público presta um mau serviço aos leitores, porque o que faz, não é mais que um copy/ past, e apresenta-o como grande furo… A montanha pariu um rato!

Melhor, muito melhor, estiveram as estações de televisão, desde a pública às privadas, que no alinhamento dos telejornais pura e simplesmente ignoraram a faceta O Crime / 24 Horas do jornal que se quer de referência – Público.

 

“Para o Público, o currículo de um político ou qualquer outra figura pública não é critério para o avaliar nem como pessoa, nem para saber se é ou não competente para exercer o cargo que ocupa. Grandes figuras políticas europeias – como Jacques Delors – não possuíam qualquer licenciatura. Na banca portuguesa, o presidente de um dos principais bancos privados e o vice-presidente doutro grande banco também não completaram a sua licenciatura. (E Lula da Silva no Brasil, parêntesis meus).

E, entre os seis membros da direcção do Público, só um completou a licenciatura, e não é director.”

Lê-se em nota editorial, justificativa da “investigação”.

 

Se assim é porque é que se deram ao trabalho? Tanto barulho para nada!

 

Num país com uma das maiores taxas de abandono escolar da União Europeia, com uma das mais baixas taxas de licenciados da Europa, alguém está minimamente preocupado com as habilitações literárias de Sócrates? O Público deu um tiro no pé. O PSD está a pôr o pé a jeito…

 

Façam já hoje uma sondagem de opinião e sou capaz de apostar que o homem subiu mais uns furos.

Carrinho das compras

por josé simões, em 23.03.07

LIVROS

O Canto da Missão

John Le Carré

Dom Quixote

 

Combateremos a Sombra

Lídia Jorge

Dom Quixote

 

Olhos de Cão Azul

Gabriel Garcia Marquez

Dom Quixote

 

26A

Linda Evans

Alêtheia Editores

 

DISCOS

Telescope Mind

Tussle

Smalltown Supersound / Anana

 

Person Pitch

Panda Bear

Pan Tracks / Flur

 

Magnolia Electricco

Jason Molina

Secretly Canadian / Flur

 

DVD

Lulu on the Bridge

Realização: Paul Auster

Prisvideo

Dinastias

por josé simões, em 22.03.07

                            

 

                   

 

                      

 

                              

 

                                        

 

                                        

 

                                   

 

 

Qualidade na Saúde

por josé simões, em 21.03.07

“A maior parte das unidades privadas de saúde (83 por cento) em actividade em Portugal não está licenciada, apesar de este processo se obrigatório, adianta a Entidade Reguladora de Saúde (ERS) num estudo ontem divulgado.”

 

Público, hoje.

 

Ainda no Público e, segundo o presidente da ERS:

 

“O sistema de licenciamento não funciona em Portugal”

 

Ressalvando que isto não implica que as unidades de saúde não legalizadas não tenham condições para funcionar, mas sim que este processo é demasiado “complexo e moroso”.

 

Então como é que as pessoas têm garantias de que estes estabelecimentos têm condições de funcionamento? Pergunta o jornalista (?)

 

Resposta: “Não há garantias…”

 

E também convém não fazer muitas ondas e falar muito no assunto – acrescento eu. Face à política de encerramento de unidades de saúde, iniciada por este ministro Governo e consequente manifestação de intenções pela parte da iniciativa privada, de ocupar o espaço agora deixado vago; por demissão do Estado. Não se vá complicar ainda mais a vida ao ministro Governo.

 

Post-Scriptum: Um pedido de licenciamento de um posto de enfermagem tem de ser feito mediante a apresentação de um impresso da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda afirma que tal impresso não existe.

Mais Simplex que isto não há!

Um homem bom

por josé simões, em 21.03.07

“Foi um homem bom que olhou por nós, pois o funeral foi atrasado 15 dias para compor a estrada, vieram cantoneiros de todo o distrito e até electricidade puseram.”

 

Manuel Cordeiro, 76 anos, habitante no Vimieiro, sobre Salazar.

Agenda

por josé simões, em 21.03.07

CICLOS

 

- Ciclo Paul Bowles

Leituras comentadas, concertos, cinema, documentários e fotografia.

C. C. de Belém – Lisboa, de 26 a 31 de Março.

 

 

EXPOSIÇÕES

 

- Pintura de Norberto Nunes

Galeria MI – Lisboa, até 9 de Abril

 

 

DANÇA

 

- Petit Psaume Du Matin

Josef Nadj e Dominique Mercy

Pequeno Auditório do C. C. de Belém – Lisboa, dias 23 e 24 de Março às 21 h.

 

 

TEATRO

 

- Keepsake

De Gonçalo Almeida e Maria Duarte a partir de Grey Garden dos irmãos Maysles

Palco do Grande Auditório da Culturgest – Lisboa até dia 24 de Março às 21. 30 h.

 

- A Tragédia de Júlio César de William Shakespeare

Pelo Teatro da Cornucópia com encenação: Luís Miguel Cintra

Teatro São Luiz – Lisboa, até 22 de Abril às 21 h.

 

- Hamlet de William Shakespeare

Pelo Teatro Instável com encenação de André Gago

Teatro da Trindade – Lisboa, até 29 de Abril às 21 h.

 

 

MÚSICA

 

- Mísia canta Kurt Weill

C. C. de Belém – Lisboa, dia 23 de Março às 21 h.

 

- Within Temptation

Paradise Garage – Lisboa, dia 24 de Março às 22 h.

 

- Truls Mork com a Filarmónica Juvenil Alemã.

Grande Auditório do C. C. de Belém – Lisboa, dia 25 de Março às 21 h.

 

- Matt Elliot

Music Box – Lisboa, dia 25 de Março às 21. 30 h.

 

- Ursula Rucker

Lux – Lisboa, dia 27 de Março às 22 h.

 

 

NOITE

 

- P0wer Up

Eduardo Martins

Baco – Setúbal, dia 22 de Março a partir das 23 h.

 

- Noite Elecktrorgânica

Suky

ADN bar – Setúbal, dia 22 de Março a partir da meia-noite e meia.

 

- Gabriel Ananda

Lux – Lisboa, dia 22 de Março a partir da uma.

 

- Magau

Baco – Setúbal, dia 23 de Março a partir das 23 h.

 

- The Sounds Scientists sessions

Mister Simon & L’ Ego

AND bar – Setúbal, dia 23 de Março a partir da uma e meia

 

- Oh Yeah!!! It’s Disco!!!

Tim Sweeney

Lux – Lisboa, dia 23 de Março a partir da uma.

 

- Mister Simon

La Bohéme – Setúbal, dia 24 de Março a partir das 23 h.

 

Anotem

por josé simões, em 20.03.07

 Escreve hoje, Miguel Sousa Tavares, na sua habitual crónica das terças-feiras em A Bola:

 

“Anotem: foi o segundo jogo do título disputado no Dragão este ano. Não houve quaisquer declarações provocatórias ou incendiárias dos dirigentes, técnicos ou jogadores do FC Porto, antes ou depois do jogo; não houve quaisquer incidentes causados pelos adeptos portistas com os jogadores ou adeptos adversários, e os dirigentes destes assistiram ao jogo no camarote da Direcção, em paz e tranquilidade; nenhum jogador adversário saiu do campo com uma perna partida ou lesionado devido a uma entrada de um portista; e, no final, com razões ou não para tal, não houve queixas de arbitragem nem falta de fair play, tanto na vitória como na derrota. Anotem e façam igual.”

 

Caro Miguel,

Anotei. Fazer melhor infelizmente não está nas minhas mãos, uma vez que a única ligação que tenho ao “mundo do futebol” é na qualidade de sócio – com as quotas em dia – do Vitória FC de Setúbal que, como é sabido, é um clube de gente de paz e, até ingénua. Tão ingénua que quando perde – recorrendo ao léxico de Sousa Cintra – a sua “massa associativa” descarrega a ira nos jogadores do seu próprio clube e na sua direcção.

 

Não foi o único a reparar não terem havido “quaisquer declarações provocatórias ou incendiárias dos dirigentes, técnicos ou jogadores do FC Porto”, também eu havia dado por isso. A questão que se coloca é se o facto do Apito Dourado ter sido desenterrado por Maria José Morgado, do buraco para onde havia sido remetido há já muito, e sem a esperança, por mais ténue que fosse, de regressar à agenda do dia, terá contribuído para isso, uma vez que as habituais bocas e graçolas do sr. Jorge Nuno e que toda a comunicação social corria a publicar e transcrever, aos meses que andam desaparecidas da praça pública. Muito antes do clássico Porto-Sporting.

Jesualdo Ferreira é pessoa educada e nunca foi ouvido a provocar ou incendiar o que quer que fosse antes de qualquer jogo; é certo que teve aquele deslize sobre arbitragens que mereciam investigação policial, mas como logo na jornada seguinte o FC Porto foi descaradamente beneficiado, deve ter-se arrependido da boa oportunidade que perdeu em ficar calado.

 

E esta é só uma maneira de analisar as coisas. Poderíamos, se fossemos muito maus, pensar que os técnicos e jogadores do FC Porto interiorizaram que este jogo, e face ao que o Sporting vinha a fazer, era de tal modo “favas contadas” que nem valia a pena estar a incendiar ambientes, naquela estratégia tão ao gosto das Antas – sim das Antas – em unir as tropas face a um inimigo – não adversário! – exterior.

 

Também registei com agrado que não houveram incidentes entre os adeptos portistas e os do outro clube, que para o caso era o Sporting.

Aquilo a que o Miguel chama “adeptos portistas”, chamo eu, e outros como eu, claque dos Super Dragões, o que convenhamos é substancialmente diferente. Os adeptos do FC Porto sentem o clube, mas não andam à batatada por causa de foras-de-jogo, penalties, ou golos anulados.

Também aqui, e se fossemos muito maus, podíamos perguntar se o facto de Carolina Salgado ter dado com a língua nos dentes e, incriminado o líder da claque, o famigerado Macaco, não foi factor decisivo para este súbito acesso de civilidade da parte dos seus cães-de-fila. Quem sabe?

 

Também pude constatar que já lá vai o tempo em que os presidentes dos clubes de Lisboa tinham de ir para a bancada ver o jogo; porque quando resolviam ficar no camarote a que tinham direito, o presidente anfitrião, escudava-se na sua constante permanência no banco da equipe para disfarçar a má-educação em não receber os homólogos. Com isso matava dois coelhos com uma cajadada; é que a presença do “Papa” no banco era sempre factor adicional de pressão sobre a equipe de arbitragem.

 

Quanto a “nenhum jogador adversário saiu do campo com uma perna partida ou lesionado devido a uma entrada de um portista”, quer dizer duas coisas:

A primeira é que o Miguel não tem – e saúdo-o por isso – a memória curta; pois isso, como bem sabe, já aconteceu, e além de pernas também abrangeu cabeças e narizes.

A segunda é que o Paulinho Santos e o João (Sarrafeiro) Pinto já não são jogadores (?!) de futebol. Graças a Deus.

 

Caro Miguel,

Anotei como pediu. Fico a aguardar pela próxima crónica na próxima terça-feira, e por todas as outras, de todas as terças. É sempre um prazer lê-lo.

Mas como a distância pontual do seu clube, ficou reduzida a um ponto para o segundo classificado que é o Benfica, a ver vamos se esta nova atitude no Dragão que para si é motivo de regozijo, mas que é absolutamente natural e normal na maior parte dos clubes, não cai rapidamente em desuso. Até dia 1 de Abril.

A geração de Paulo Portas

por josé simões, em 20.03.07

Sou da geração de Paulo Portas; teens no PREC, com tudo o que isso acarreta – ser teen no, e do PREC.

Toda a rebeldia e contestação inerente à idade, devidamente canalizada para a actividade política em liberdade e democracia, pela primeira vez em 50 anos.

 

Haviam as Jotas, do PS, do PC, do então PPD, do CDS e de mais uns quantos grupelhos dos extremos. Conhecíamo-nos todos e, com mais ou menos fricções, dávamo-nos uns com os outros. Algumas das vezes éramos mesmo parceiros de secretária na turma. Continuo a ter Amigos – com A grande – desses tempos, e que nunca partilharam comigo um ponto de vista ideológico, por mínimo que fosse.

 

Mas nesta estória, nem tudo foi tão lírico e pacifico como o possa parecer.

Havia uma Jota que sempre se destacava pela negativa, quer na forma, quer nos métodos como reagia e encarava situações adversas. Refiro-me à Juventude Centrista, a Jota do então CDS.

 

Reuniões-Gerais de Alunos ou Plenários no refeitório da escola, e eram sempre eles os primeiros a chegar, estrategicamente “acampados” à porta e coagindo física e psicologicamente sobre quem ia entrando. Mas, apesar de terem sido os primeiros a chegar, lá dentro eram os que ficavam lá atrás nas últimas filas e, quando a ordem de trabalhos ou as votações não lhes corria de feição, vai de assobiar, insultar e patear a Mesa e a Assembleia.

Nas campanhas eleitorais para a Direcção da Associação de Estudantes, quando a propaganda das listas concorrentes desaparecia ou pura e simplesmente era destruída, adivinhem qual era a que aparecia no lugar deixado vago? A da JC; certinho como o destino!

 

Nas campanhas eleitorais para as Legislativas, Autárquicas ou Presidenciais, enquanto as outras Jotas participavam ao nível das colagens, pinturas murais, distribuição de propaganda e animação dos comícios; a Jota do CDS fazia isso tudo e ainda se dedicava a boicotar as das outras formações políticas.

Doa a quem doer – e que me desculpem os meus amigos centristas dessa data, aqueles que nunca embarcaram nas atitudes hooligans – mas a mais pura das verdades é que, em todos os eventos relacionados com o então CDS, o mais natural era vermos os meninos betinhos armados de correntes, bastões, tacos de basebol e de capacete motard na cabeça em poses e atitudes intimidadoras que incluíam a saudação nazi.

(Como eu compreendi Eduardo Dâmaso quando escreveu um livro em que classificava Manuel Monteiro e os seus acólitos de fascistas! Fomos da mesma turma, passámos pelo mesmo; presenciámos o mesmo…)

Eram os “cães de fila”, como referiu Maria José Nogueira Pinto a propósito dos acontecimentos do último Conselho Nacional do CDS/ PP.

 

E era precisamente aqui que eu queria chegar com esta crónica.

Estamos a falar de um período temporal que se prolongou desde 1975 até à campanha eleitoral da AD, e a de Soares Carneiro às presidenciais – nestas duas últimas, o modus operandi da JC manteve-se, com a complacência do PPD.

 

Nunca se viu ou ouviu, Freitas do Amaral censurar ou condenar as acções dos seus putos. Nunca se viu ou ouviu, Adriano Moreira censurar ou condenar as acções dos seus putos. Nunca se viu ou ouviu, Francisco Lucas Pires censurar ou condenar as acções dos seus putos. Nem tão pouco Maria José Nogueira Pinto ou Ribeiro e Castro.

Porque se queixam agora por tudo o que aconteceu no Conselho Nacional?

Estão a ser vítimas do monstro que alimentaram e fizeram crescer, enquanto serviu os seus interesses políticos. (Lição correctamente assimilada e depois levada à prática pelos clubes de futebol com as suas claques).

 

Quando se fala em PREC a imagem que se faz passar é a do PC mais a extrema-esquerda a tomarem de assalto o país; o reverso da medalha que teve implicações tão ou mais graves, é sempre tacitamente omitido.

 

Se olharmos para os apóstolos de Portas o que vemos são os betinhos do bastão e da matraca, agora de fato Hugo Boss e gravata Armani.

Paulo Portas era teen no PREC. Paulo Portas não esqueceu nem desaprendeu os ensinamentos adquiridos nessas batalhas. É a sua geração ao seu melhor nível!

 

Ainda o SISI

por josé simões, em 19.03.07

“Tenho a nítida sensação de que parece estar a ganhar aquela “Segurança” que tomou conta do destino de muitos países.”

“Aquela “Segurança” que contribuiu para o aumento, nesses países, da inobservância dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, aquela “Segurança” que parece ter uma tendência patológica para a fantasia e para a criação de pseudo factos para sustentar projectos de poder.”

 

Mário Ribeiro, dirigente sindical da Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Criminal à revista Modus Operandi.