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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Vida familiar e vida profissional

por josé simões, em 24.07.07

É sabido que cada vez mais, os pais passam cada vez menos tempo com os filhos. É a chamada “vida profissional”, em contraponto à “vida familiar”, ou, em como é possível haver mais vida para além da vida; mas isso são contas de outro rosário… As consequências dos filhos crescerem desacompanhados e ao “Deus-dará” – abandono escolar, delinquência, drogas – são por demais conhecidas e já foram mais que esmiuçadas em tudo quanto é sítio, desde jornais a televisões, livros editados e uma legião de novas profissões que surgiram recentemente e que se encarregam de acompanhar pais e filhos; é o apoio familiar, com os psicólogos à cabeça. Outra forma de ganhar a vida, para além da vida; que também são contas de outro rosário.

 

Ontem o ministro do Trabalho e da Solidariedade, Vieira da Silva, afirmou «estar empenhado em promover o alargamento do horário de funcionamento dos infantários de modo a facilitar uma maior conciliação entre a vida profissional e familiar (…)» Diário de Notícias. Não sei, sinceramente, qual a ideia – e se é que tem alguma – de conciliação entre as “duas vidas” que vai na cabeça do ministro. Alargar o horário de funcionamento dos infantários pressupõe à partida que as crianças vão ficar mais tempo fora dos pais. E porquê a necessidade deste alargamento de horário? Porque os pais vão estar mais tempo a trabalhar. Do que na realidade se trata é de tirar vida familiar às famílias, para dar vida de trabalho às empresas. São coisas diferentes. Com esta medida, o que se está a dizer aos portugueses, é que podem ficar tranquilos a trabalhar, se preciso for até à noite, porque há um sítio onde podem deixar as suas crianças depositadas; porque na grande maioria dos casos, aquelas coisas que dão pelo nome de infantário e creche é disso mesmo que se tratam: depósitos de crianças. Se houvesse a vontade de conciliar a vida profissional com a vida familiar incentivavam-se as empresas a disponibilizar esses equipamentos, como aliás acontece no “país fetiche” do nosso Primeiro – a Dinamarca, para que os pais ficassem o mais tempo possível junto dos filhos.

 

Se houvesse a real intenção de conciliar a vida profissional com a vida familiar; se houvesse a real intenção de combater o abandono escolar, a delinquência juvenil, o consumo de drogas, etc., etc., etc., estas medidas estavam a ser promovidas e direccionadas para o momento em que as crianças entram no primeiro ciclo, que é a altura crítica da formação do individuo, e não para os infantários e creches. Assim não passa de mais um “momento-Chávez” na vida deste Governo.

 

É o que dá misturar num mesmo ministério Trabalho e Solidariedade.