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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| A pobreza envergonhada dos pais e a fome escondida dos filhos

por josé simões, em 27.04.12

 

 

 

Desde que acabaram as férias de Páscoa que estão a acontecer coisas estranhas na escola, disse-me o puto, 10 anos, 4.º ano de escolaridade. Coisas estranhas… Como assim?.. Todos os dias desaparecem dois lanches das mochilas… ainda hoje foi um pão com fiambre e um leite à […], e mais não sei o quê ao não sei quantos, não fixei, vinha a conduzir, com os olhos no trânsito e os ouvidos na TSF, onde o administrador-delegado, Gaspar, dizia que já via luz ao fundo do túnel. A professora diz que na nossa sala não é… Pois, deve ter tido a ajuda da Calleigh e do Delko do CSI Miami para chegar a essa conclusão, pensei. É uma escola mesmo no centro da cidade, mesmo no coração de um bairro da classe média, média-alta. Temos de empobrecer e andámos a viver acima das nossas possibilidades, dizia há uns tempos o chefe Coelho do administrador-delegado Gaspar. Olha, vamos combinar uma coisa, prometes? Sim. Se vires algum menino ou alguma menina a tirar um lanche – olha que é só o lanche, da tua mochila, ou de outra mochila de outro menino ou de outra menina qualquer, não dizes nada a ninguém, está bem? Sim. Silêncio. Mais silêncio. Porque eles têm fome e estão a tirar para comer, é? É.

 

Estas coisas vemos nas televisões, naqueles programas da vida dos bichos, aos sábados e aos domingos antes do telejornal da hora do almoço, antes de começar a sessão de propaganda dos recuperadores da Pátria. Mas nós não somos bichos. Governados por, talvez.

 

[Imagem de Alex Levac]

 

 

 

 

 

 

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