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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A ponte é uma passagem, a ponte é uma miragem

por josé simões, em 11.07.07

A ponte é uma passagem,

Para a outra margem,

Desafio, pairando sobre o rio…

A ponte é uma miragem!

Cantavam os Jáfumega nos anos 80.

 

«Estudo da CIP sobre o aeroporto em Alcochete vai propor nova ponte Beato-Montijo. Nova localização da terceira travessia do Tejo permite menos 30 por cento de custos. Opção por Alcochete pode antecipar conclusão do aeroporto para 2015.

(…)

Nas contas do coordenador do trabalho na parte de infra-estruturas de transportes, José Manuel Viegas, a deslocalização da terceira travessia do Tejo permitiria “poupar quilómetros significativos” na construção, que custaria assim 70 por cento do total previsto (1, 7 milhões de euros). Enquanto a ligação Chelas-Barreiro tem 8, 5 quilómetros de extensão, uma ponte entre o Beato e o Montijo teria pouco mais de cinco quilómetros. (…)»

Público, hoje.

 

Não questionando a lucidez do estudo; quer quanto à localização do aeroporto, quer em função dessa localização, a construção de uma nova travessia do Tejo; é legítimo questionar, fazer depender a construção da ponte Chelas-Barreiro da opção para a localização do novo aeroporto. Estamos a falar de coisas completamente diferentes. Passo a explicar: O grosso do fluxo automóvel que provoca os diariamente infindáveis engarrafamentos na A2, desde a baixa de Corroios – às vezes desde o cruzamento do Casal do Marco – até à ponte 25 de Abril, tem origem no trânsito proveniente do Barreiro e zonas envolventes, e, em menor (cada vez menor) escala, da zona da Caparica, pelo que outra opção devia já estar em cima da mesa – a ponte Trafaria-Oeiras –, em simultâneo com Chelas-Barreiro.

Tempo é dinheiro”, sempre ouvi dizer, e aqui as contas são fáceis de fazer. Ao tempo que milhares de pessoas provenientes do concelho do Barreiro e da zona da Trafaria e Caparica, perdem todos os dias, para entrar em Lisboa, somem-se os gastos em combustível, as emissões de CO2, e os efeitos sobre a saúde e sobre a produtividade pelo stress acumulado. Além disso, se o Governo anda desesperado por mostrar obra feita, tem aqui duas boas opções. Fica bem na fotografia e o povo agradece.

Não me parece é que seja legítimo continuar a castigar as populações da margem sul, fazendo depender a melhoria da sua qualidade de vida de opções terceiras, como por exemplo um aeroporto.

 

By the way, já era mais que tempo de as Câmaras em questão – Almada e Barreiro –, agora que são governadas pela mesma cor política, se organizarem como grupo de pressão para se resolver esta questão de uma vez por todas.