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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Cobardia e falta de príncipios (II)

por josé simões, em 09.06.07

Retomando o tema da instalação do Sistema de Defesa Antímissil norte-americano em território europeu, e das ameaças de Putin em retaliar, apontando mísseis russos para algumas capitais da União (se é que eles alguma vez deixaram de estar apontados...); lembrei-me de um livro editado pelas Edições 70Pós Guerra – História da Europa desde 1945 - da autoria do professor de Estudos Europeus da Universidade de Nova Iorque e fundador e director do Remarque Institute da mesma universidade, Tony Judt.

 

Lê-se nas páginas 136/ 137: “Em Washington, num círculo restrito de pessoas bem informadas, era óbvio desde o início que a incompatibilidade dos interesses soviéticos e ocidentais conduziria a um conflito e que zonas de poder claramente definidas poderiam ser uma solução prudente para os problemas do pós-guerra. Esta era a perspectiva de George Kennan. Escreveu ele em 26 de Janeiro de 1945: «Por que razão não poderíamos estabelecer um compromisso aceitável e definitivo com (a URSS), isto é, dividir abertamente a Europa em zonas de influência e manter-nos fora da esfera russa e os Russos fora da nossa? (…) Em qualquer esfera de acção que nos fosse concedida poderíamos pelo menos (…) depois da guerra, (tentar) restaurar a vida numa base digna e estável.»

Num memorando de Averell Harriman, o embaixador dos Estados Unidos em Moscovo, foi proposto ao presidente Roosevelt, seis semanas depois, uma resposta mais pessimista e de confronto implícito às iniciativas soviéticas: «A não ser que pretendamos aceitar uma invasão bárbara da Europa no século XX, com a repressão a ser cada vez maior também a leste, temos de encontrar forma de suster a política soviética de dominação (…) Se não enfrentarmos agora e sem rodeios as questões, a história irá designar os anos da próxima geração como a época soviética.» (…).

Uma das razoes do optimismo inicial foi a perspectiva amplamente partilhada de que Estaline não estava interessado em provocar a confrontação e a guerra. Como o próprio general Eisenhower disse ao presidente Truman e aos seus chefes de Estado-Maior, em Junho de 1946: «não acredito que os Vermelhos pretendam uma guerra. O que poderão eles ganhar agora com um conflito armado? Acabaram de ganhar mais ou menos tudo aquilo que podiam assimilar.» num sentido restrito, Eisenhower estaca certo: Estaline não se preparava para a guerra com os EUA (embora a conclusão razoável a tirar, isto é, que então a União Soviética tinha interesse em cooperar totalmente com o seu antigo aliado, não fosse de facto verdadeira). Sendo assim, os Estados Unidos, que possuíam o monopólio das armas nucleares, arriscavam pouco ao manter abertos os canais de comunicação com a União Soviética e ao procurar soluções mutuamente aceitáveis para os problemas comuns.”

 

Bem sei que a União Soviética já não existe, e que estamos no século XXI; os líderes também são outros - nem Putin é Estaline, nem Bush se compara a Truman,e, Churchill, não vislumbro nenhum... Mas uma coisa continua a existir, a confrontação latente, que definitivamente perdeu o álibi da ideologia, para passar a ser assumida com ela sempre foi na realidade: Zonas de influência político-económicas.  É por isso que o que atrás se transcreveu, e que aconteceu há já 60 anos, se mantém tão actual e ao mesmo tão simples no diagnóstico e nas respostas a dar.

Esta Europa da prosperidade e do bem-estar que conhecemos, foi construída por homens com "H" grande, e sem tremideiras. Às líderanças actuais , não lhes fazia nada mal (antes pelo contrário), passar em revisão da matéria, a história recente euro-americana.