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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Respeitinho é muito bonito!

por josé simões, em 27.04.07

O que é que une o que a seguir se conta?

 

- José Manuel Mestre, jornalista da SIC, entrevista em 1996 o então secretário-geral da UEFA, Gerhard Aigner e pergunta-lhe como era possível Pinto da Costa ser presidente da Liga de Clubes, ao mesmo tempo ser presidente do FC Porto e sentar-se todas as semanas no banco de suplentes da sua equipe, à frente do árbitro, de quem era por inerência (presidência da Liga) patrão.

Quem não teve pelos ajustes foi Pinto da Costa que o processou alegando que o jornalista tinha posto em causa o seu bom nome. O jornalista e a SIC foram condenados pelo Tribunal Judicial do Porto ao pagamento de uma multa, sentença que viria a ser confirmada pelo Tribunal da Relação. O jornalista recorre para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que lhe dá razão e condena o Estado português ao pagamento de uma indemnização ao jornalista e à estação de televisão, mais custas judiciais.

 

O tribunal considerou ter sido violado o seu artigo 10, segundo o qual «todas as pessoas têm direito à liberdade de expressão», o que compreende «a liberdade de opinião e de receber ou comunicar informações ou ideias, sem a ingerência de autoridades (…)». No acórdão, é recordado que «a liberdade de expressão constitui um dos fundamentos essenciais de toda a sociedade democrática» e sublinha o «papel elevado» da comunicação social, acrescentando que à função de informar junta-se o direito do público de ser informado."

Público de hoje

 

Também no Público de hoje:

- “O presidente do Supremo Tribunal de Justiça apontou ontem a comunicação social como «um poder de facto, não escrutinado, fugindo aos cânones clássicos de controlo». (Sublinhado meu).

 

Ainda no Público de hoje, e na mesma página dos anteriores:

- “Referindo-se ao novo Estatuto do Jornalista, o ministro (Santos Silva) diz que permitirá «sancionar infracções aos deveres profissionais típicas do jornalismo de sarjeta e se limitará a dotar a profissão, através da necessária delegação expressa de poderes pelo Parlamento, do instrumento disciplinar». (Sublinhado meu).

 

Resposta:

- Trinta e três anos após a revolução de Abril a mentalidade Salazarenta continua. O que une o que atrás se escreveu, é o país do “respeitinho é muito bonito!”.

 

Em Setúbal, numa ruela próxima do Convento de Jesus, resiste numa parede, um tanto ou quanto desbotado, aquele que é provavelmente o grafitti mais antigo da cidade, escrito logo no dia 26 de Abril: “A propaganda fascista continua!”. À época interpretei-o literalmente. Agora descubro a sua profundidade.