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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Defender ideais

por josé simões, em 26.04.07

Não concordo com as ideias – dando de barato que aquilo são ideias – defendidas pelo PNR. O cartaz no Marquês mete-me asco. Mas também não concordo com a atitude de ontem de alguns manifestantes em arremessar tomates ao cartaz. Não foi para isto que os capitães saíram dos quartéis no dia 25 de Abril. O poder foi devolvido ao povo e, viver em democracia, implica viver com ideias e pontos de vista diferentes dos nossos. Mesmo que advoguem a eliminação pura e simples da própria democracia. É por isso que é preciso estar sempre alerta. Como diria a minha avó – politicamente incorrecta – “estar com um olho no burro e outro no cigano”.

 

Já agora, onde estavam ontem os carecas trogloditas que ultimamente montavam guarda ao cartaz? De ressaca pela noite passada em comemorações do 24 de Abril? Ou a sua coragem é directamente proporcional à quantidade de cabelo exibida? Ou seja: zero = cobardia. Quando temos ideais e acreditamos na sua justeza, damos a cara e vamos à luta por elas. C’os diabos! Vivemos em democracia e ninguém vai preso por defender os seus pontos de vista. No verão quente de 75 vi muito boa gente sem cara para apanhar uma estalada, aguentar firme murros e pontapés, por essa mesma razão, defender um cartaz que tinha acabado de colar. É muito mais fácil andar a perseguir pretos isoladamente no Bairro Alto, não é?

 

Post-Sciptum: Ando com esta “atravessada” desde a célebre conferência de imprensa dada pelo PNR em substituição da cancelada reunião de nazis, perdão, de nacionalistas. Perante uma plateia de “jornalistas” – assim mesmo, entre aspas, fui aluno de jornalismo e não foi isto que me ensinaram na escola – completamente amorfa e apática, o senhor que dá a cara pelos fascistas, perdão, pelos nacionalistas disse que o seu partido era aberto a todos os sectores da sociedade, e que não olhava às origens dos militantes. Poderiam aderir republicanos ou monárquicos que isso não interessava. E não houve um “jornalista” – um único! – presente na sala que perguntasse: E Judeus? E Muçulmanos? E Pretos? Também podem aderir ao PNR?

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