"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O poema de José Saramago explicado com um desenho na conta Twitter oficial da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República do Brasil que conseguiu a proeza, nunca antes vista em tempo algum, de privatizar o Produto Interno Bruto. Como dizem os amaricanos, what a time to be alive!
Estaline ganhou a guerra porque a inépcia do comissariado político era compensada pelos milhões de soviéticos que mandava para a frente das balas. Como António Costa não é Estaline, e o voluntarismo dentro de portas não passa pelo espírito de uma "Grande Guerra da Pátria", a questão que se coloca é se temos milhões para mandar para a frente do comissário político de Costa que substituiu o general.
[Imagem "John Lesh, member of Minneapolis Volunteer Fire Company, 1890", autor desconhecido]
Contava o malogrado Jorge Palhas que chegado à Argélia por via terrestre não o tinham deixado entrar porque vinha de Marrocos com quem estavam de relações cortadas, por causa de guerras antigas e da Frente Polisario, e que regressado a Marrocos, pelo mesmo caminho e apenas alguns minutos depois, os mesmos guardas fronteiriços que havia pouco o tinham visto sair agora não o queriam deixar entrar porque vinha da Argélia com quem Marrocos estava de relações cortadas, por causa de guerras antigas e da Frente Polisario, tendo ele ali permanecido, em "terra de ninguém", um dia inteiro à conversa com os ditos fronteiriços e só conseguindo voltar a entrar depois da mudança da guarda e pelo seu conhecimento do Alcorão. E ria-se muito de todas as vezes que contava a história.
Não há maior legitimidade em democracia do que a das populações decidirem, directamente ou por interposta pessoa - o poder autárquico eleito, o que é do seu interesse e bater o pé ao poder do Estado central, se for caso disso, e no caso da prepotência de um Estado que decide primeiro e pergunta depois ao invés de encontrar alternativas e negociar soluções. O que é que António Costa vai fazer a seguir, obrigar as populações a trabalhar na construção do aeroporto e depois deportá-las para [re]povoar as Beiras ou o interior de Trás-os-Montes?
O célebre "temos de fazer mais com menos" com que Pedro Passos Coelho nos brindou durante os quase cinco anos de Governo da troika explicado com um desenho.
Já estamos todos habituados à pobreza de léxico e ao discurso infantil, capaz de envergonhar uma criança da escola primária, de Donald Trump, o oito a seguir ao oitenta Barack Obama. Custou mas foi, não há nada a que o ser humano não se habitue.
Já estamos todos habituados à boçalidade de Bolsonaro e à burrice de Abraham Weintraub, o ministro da Educação do Brasil que escreve "imprecionante", "suspenção" e que confunde Franz Kafka com kafta, um prato árabe.
Agora vamos habituar-nos à ignorância, aos erros ortográficos, aos erros de concordância, à confusão de conceitos do líder do Chaga [não é gralha]. "Bertol Brecth", "Dostoywesky", "massiço", "chisato", "solarengo", "despoletar", "há dez anos atrás", "buçal", replicados pelos aios e escudeiros, gente que não sabe a diferença entre um acento grave em "à" e um acento agudo em "ás" e que se calhar até pensa que é assento, que escreve República sem acento agudo no u, que confunde Presidência com Previdência, ou talvez não, nas mãos do líder Ventas seria "Previdência e Abono de Família". Gente que nos idos de quem têm saudades apanhavam 25 reguadas em cada mão e iam para o canto da sala com umas orelhas de burro enfiadas cornos abaixo.
Muitos milhares de mortos depois, Donald Trump, com um discurso tão elaborado e sofisticado que é capaz de envergonhar uma criança na escola primária, informa as famílias dos soldados e dos civis mortos debaixo da Stars and Stripes que vai fumar o cachimbo da paz com os inimigos dos Estados Unidos, inventados pelos amaricanos para combater os soviéticos nos idos da Guerra Fria, por detrás do pesadelo nine eleven e de todas as atrocidades que se lhe seguiram, do desrespeito aos direitos humanos e à convenção de Genebra, escudados no Patriot Act e na opacidade de Guantánamo, no trânsito pelas prisões secretas da CIA um pouco por todo o mundo, agora com a nobre missão de matar terroristas que já não são, quiça elevados à categoria de "combatentes da liberdade. "Vão matar pessoas muito más", os do ISIS, inventados pelos amaricanos quando foram inventar uma guerra onde ela não existia, e no yankee "maldómetro" [inventei agora, o aparelho que mede a maldade] mais maus que os ex-maus talibans. Quantos metros, quilos ou litros mede a maldade na ambição imperial americana?