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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Dia de Bocage e da Cidade

por josé simões, em 15.09.17

 

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Um jacobino do reviralho que, por proposta da vereadora comunista Odete Santos em reunião da Câmara Municipal de Setúbal realizada no dia 25 de Agosto do "Verão Quente" de 1975, destronou Santiago e o dia 25 de Julho, feriado municipal desde 1911 por imposição do Estado Novo..

 

 

 

 

Sem perguntar ao Estado qual o caminho a tomar

por josé simões, em 11.09.17

 

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"Setúbal Cidade Vermelha", de Albérico Afonso Costa, a ver se reencontro algumas memórias da minha adolescência, sendo que o subtítulo é mais, muito mais, importante que o título. "Sem perguntar ao Estado qual o caminho a tomar", exactamente o oposto do "menos Estado" que os pantomineiros do neoliberalismo apregoam nos dias que correm: a ditadura dos mercados sobre as pessoas e as democracias.

 

 

 

 

Férias de Agosto

por josé simões, em 21.08.17

 

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A minha primeira crónica semanal, aos domingos no Jornal de Notícias:

 

Agosto, um tédio do caraças nos intervalos de lançar papagaios de papel na “barreira” que era o nome das escarpas do Bairro Santos Nicolau até anos mais tarde o maior destruidor do urbanismo e da memória da cidade de que há memória, promíscuo com o futebol e o pato-bravismo, campeão do endividamento e esbanjador do património municipal  – o mui socialista Mata Cáceres as ter baptizado de S. Nicolau. Papagaios políticos. Os verdadeiros. De cana e guita, feitos com cartazes pedidos aos coladores que todos os dias, de balde de cola e trincha de caiar nas mãos, invadiam as ruas do bairro. Papagaios do PS, do PPD, do PCP, do MDP/CDE, do MES e da FSP, da FEC m-l, da LUAR – era o meu, do CDS não havia que isto é a cidade vermelha e o pessoal aqui não brinca em serviço. Papagaios políticos [sem segundas intenções].

 

Bora ao banho à doca? E lá ia o pessoal todo, ladeira das Fontainhas abaixo. Ao banho em cuecas, de gola alta de seu nome, que nem Coca-cola havia quanto mais underwear Calvin Klein. Ao banho e a nadar à Mark Spitz de uma ponta à outra da doca, ao comprido e de atravessado, a jogar ao apanha dentro de água e por cima dos botes, das traineiras, das barcas e das bateiras e dos rapas e a fugir do remo nas costas dado por um pescador com toda a força. “à pá sóce, levas um murre puz bêçes caté ficas a fazerre dominó pós dôs lades!” [à pá sócio, levas um murro pelos beiços que até ficas a fazer dominó para os dois lados].

 

Férias de Agosto em Setúbal no tempo em que só os algarvios iam para o Algarve nas férias e antes do tempo de um algarvio ter querido transformar o bom aluno no paradigma da prestação de serviços na Europa e arredores e de ter pago para abater olival, pomar, e os barcos da doca das Fontainhas, onde nunca mais ninguém jogou ao apanha, nem mais ninguém apanhou peixe, os camiões espanhóis chegam todas as manhãs de Málaga, para assarmos sardinhas que servimos aos comboios de carros chegados de Lisboa pela auto-estrada, filas contínuas deles, que peixe já não é comida de pobre e também já não há carroças para puxar. É ir à doca e ver. Até foi alargada há pouco, havia falta de espaço para fundear embarcações de recreio do Portugal de sucesso do “dinheiro da CEE” e há falta de espaço nas tabernas dos edifícios fronteiros, com chão de serradura por causa dos escarros e cuspidelas, onde os marítimos se juntavam a beber traçados e a jogar à sueca com baralhos de carta espanhóis e cigarros Winston de contrabando no canto da boca, três vintes e Kentucky fumavam os putos, agora convertidas em restaurantes de peixe assado e choque frrite [choco frito], com os velhos sobreviventes nos andares de cima a ver o movimento para matar o tempo e a morrer devagarinho em terra que já ninguém morre no mar, pelo menos em Setúbal, do lado das Fontainhas.

 

[Na imagem a "Lavagem das Redes na Doca das Fontainhas", Américo Ribeiro]

 

 

 

 

Dia de Bocage

por josé simões, em 15.09.16

 

Casa do Bocage.png

 

 

Esta casa onde nasceu o insigne poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage a 15 de Setembro de 1765 foi adquirida pelo Visconde de Bartissol e por Elle doada ao Município no Anno de 1888

 

 

 

 

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Relatório e Contas. Resumo da Semana

por josé simões, em 11.06.16

 

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[Painel de azulejos no viaduto da Av. 5 de Outubro com a Av. Jaime Cortesão em Setúbal]

 

 

 

 

||| A ver passar navios

por josé simões, em 30.03.16

 

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Num estaleiro naval com um mínimo dos mínimos de trabalhadores efectivos empregados, entre administrativos [residuais] e homens do fato-de-macaco que vão saindo do quadro sem que o lugar deixado vago seja preenchido, onde o grosso dos trabalhos é assegurado pelos precários das empreitadas e dos empreiteiros com contrato de trabalho apalavrado, das empresas de trabalho temporário que recebem mais por cada trabalhador colocado do que o próprio trabalhador, todos sem direitos nem garantias, sem férias ou subsídio de desemprego e descontos por conta própria [que é para saberem o que é bom para a tosse], nem benefício em um cêntimo de euro que seja na distribuição dos lucros. Notícias que dão grandes letras gordas nos cabeçalhos do jornais, impressos e on-line, e vontade de cantar hossanas ao sistema capitalista redistributivo.


"Lisnave duplica lucros e distribui prémio recorde pelos trabalhadores"


"Na reunião de accionistas realizada a 29 de Março foi aprovado o pagamento de uma gratificação de 1,5 milhões de euros aos trabalhadores"


[Imagem]


Se calhar o aqui há aqui mesmo merecedor de celebração é os "colaboradores" terem sido promovidos a "trabalhadores"... [pelo menos na notícia].

 

 

 

 

||| Bruce Lee no telhado

por josé simões, em 27.11.15

 

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Havia o Cinema-Esplanada, ao ar livre como o próprio nome indica e que só funcionava nas noites de verão. Filmes de cobóis, de piratas, de gangsters, do Bud Spencer, de porrada em geral e de porrada em particular, a enxurrada do porno no pós 25 de Abril, sempre com sessões esgotadas – "a sede de uma espera só se estanca na torrente", filmes de karaté – que não estavam incluídos na categoria "porrada" e filmes do Bruce Lee – que não estavam incluídos na categoria "porrada" nem na categoria "karaté". E havia "o telhado" que era o nome de umas ruínas mesmo mesmo mesmo por detrás do Cinema-Esplanada, mais altas que o muro que tapava o ecrã aos mirones e que impedia os penetras de saltar e que era assim a modos uma espécie de 3.º anel para onde iam os tesos e os putos que saíam de casa a socapa dos pais. Vi-os todos, todos mesmo. O Dragão. O grito que acompanhava o golpe. Bruce Lee no telhado. Faria 75 anos hoje.


[Imagem]

 

 

 

 

||| Gente séria é outra coisa

por josé simões, em 29.09.15

 

 

 

 

 

 

||| Sondagens de rua

por josé simões, em 27.09.15

 

 

 

Se fosse um cão a correr atrás do rabo ou um imbecil a cair de um precipício durante uma selfie era a abertura dos telejornais com "o vídeo que se tornou viral nas redes sociais".


Como é uma "sondagem de rua", não manipulada para as televisões, no Mercado do Livramento em Setúbal não merece nem uma nota, a correr a 100 à hora no rodapé da televisão à altura do umbigo do apresentador, porque foi filmada por um telemóvel anónimo e a autenticidade não é passível de ser confirmada por uma fonte credível, um jornalista.

 

 

 

 

||| E como é que a gente explica isto?

por josé simões, em 28.04.15

 

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Que alguns dos principais beneficiários da democratização das creches e infantários e do pré-escolar, da escola pública até ao 9º e depois até ao 11.º e depois até ao 12.º e do ensino superior para todos, independentemente das origens e da classe social de cada um, filhos do fim do marcelismo ou filhos do início da revolução, antes com o destino traçado à nascença, pé-descalço e ranho pelo nariz, bê-à-bá e um mais um igual a dois até à terceira classe, à pá sóce vai mazé trrrabalharr malandrrre qué pá apreenderres a serrr um home, sejam agora dos mais ideologicamente empenhados na destruição do Estado social e do ensino público que lhes proporcionou as ferramentas e o conhecimento para viverem agora no bairro onde está o clube de ténis que já não é elitista, também ele democratizado. Continua a ser um à pá sóce vai mazé trrrabalharr malandrrre qué pá apreenderres a serrr um home  mas um à pá sóce vai mazé trrrabalharr malandrrre qué pá apreenderres a serrr um home, com estudes, muites estudes du canude e muta ignorrrancia da bagage.


Pode até ser que sim, mas não é só isso: "O que nós precisamos é de creches".


[Na imagem "O Rapaz dos Passarinhos que apregoava "Quem meeeeeeerca os pássaros?"" do insigne fotógrafo setubalense Américo Ribeiro]

 

 

 

 

||| Fim-de-semana

por josé simões, em 08.03.15

 

Viva O Poder Popular - José Afonso.jpg

 

 

Este fim-de-semana foi assim.


Viva O Poder PopularJosé Afonso


[7" vinyl]

 

 

 

 

||| Isto existe mesmo

por josé simões, em 08.02.15

 

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Dizem vocês, ah e tal, desde 2011 que todas as ruas são ruas do fisco por causa do assalto à mão armada ao bolso do cidadão via Imposto Municipal sobre Imóveis, e o coise. Está bem, mas esta existe mesmo e fica em Vila Nogueira de Azeitão – Setúbal.

 

 

 

 

||| Vá lá que a culpa não foi do presidente da Câmara como em Lisboa

por josé simões, em 28.11.14

 

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E também há o Largo da Ribeira Velha que fica na baixa comercial de Setúbal que vá-se lá saber porque é que se chama assim e porque é que há cheias na baixa comercial de Setúbal de cada vez que chove mais que a conta...


E também havia a Ribeira do Livramento que libertava para o rio Sado, onde é agora o Mercado do Livramento [os nomes... os nomes...] o remanescente das águas pluviais, em dias de muita ou pouca chuva, que tomam balanço e velocidade e ganham caudal desde as encostas de Palmela e das encostas dos lados do Convento de S. Paulo, via Rio da Figueira, [vá-se lá saber porque é aquilo foi baptizado de Rio da Figueira...] e que não eram absorvidas pelos solos das pelas quintas ao redor da cidade, onde hoje são os bairros do Montalvão, da Urbisado, da Algodeia, por exemplo, e de onde vinham as famosas laranjas de Setúbal [a água das chuvas, a matéria orgânica das serras, o solo das quintas, não sei se estão a seguir um míni delta do Nilo...] em dias de muita ou pouca chuva.


Depois veio a modernidade e dava muito mais trabalho manter uma ribeira limpa, sem cheiro e sem mosquito, do que dotar todas as casas e habitações de saneamento básico, além do mau aspecto de gente a lavar a roupa e a tomar banho na margem da Ribeira, e os génios das lâmpadas que iluminam Setúbal acharam por bem entubar a ribeira pelo subsolo em manilhas de esgoto, de esgoto que não havia nas habitações, e fazer por cima uma avenida toda modernaça, larga, passeios, duas vias de circulação em cada sentido, com árvores no separador central e tudo e dar-lhe o nome de 22 de Dezembro, “data da creação [sic] do concelho de Setúbal”, como diz na placa toponímica na esquina da avenida para a Estrada da Algodeia, mesmo ao pé do Estádio do Bonfim.


Entretanto ontem choveu e, por um azar do caralho, além de chover como só Noé viu a maré estava cheia e prontes, havia a água no lugar dela e a avenida no lugar da água e as casas todas à volta e a SIC.


E a SIC que, para não estarem sempre a dizer que só reporta em Lisboa em Algés e no Dafundo, mandou equipa a Setúbal, fora das horas de comer peixe assado. Vai daí uma chica-esperta, armada ao pingarelho a ver se tirava um António Costa da cartola setubalense para poder mostrar serviço ao patrão Balsemão, pergunta a um desgraçado na lojeca com água pelas orelhas “acha que foi só cheia ou há mais qualquer coisa?” e o que até então era só um desgraçado com o negócio a ir literalmente por água abaixo responde, já promovido a idiota, com os pés em cima do alcatrão que tapa a ribeira que corre agora por cima do negócio que é seu “há mais qualquer coisa... há as obras inacabadas ali [com gesto largo de braço] e a ribeira lá atrás que não foi limpa”. Qual ribeira c’ um caralho?! E vão os dois, repórter e comerciante, idiotas, à sua vida.


Podia ser pior, podia ter sido culpa da presidente da Câmara Municipal como foi em Lisboa, com a baixa toda impermeabilizada por túneis do metro, parques de estacionamento, condutas de gás, de electricidade e de esgotos, garagens de prédios e hotéis e o diabo a quatro.


[Na imagem do insigne fotógrafo setubalense Américo Ribeiro a Ribeira do Livramento antes de ser Avenida 22 de Dezembro e onde o outro tem o negócio debaixo de água e a da SIC andou a molhar os stilettos]

 

 

 

 

||| Dia 15 de Setembro

por josé simões, em 15.09.14

 

 

 

Dia de Setúbal, de Bocage e de todos os que aqui vivem e trabalham vindos de todos os cantos do planeta.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

||| PUB. Sou eu e é amanhã

por josé simões, em 30.05.14

 

 

 

De Elvis Presley a Arctic Monkeys.

Na Praça Marquês de Pombal, a partir das 23:00 mais coisa menos coisa.