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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Entregues à bicharada

por josé simões, em 11.09.17

 

 

 

No Prós e Contras, o programa mais imbecil da história da televisão portuguesa, na RTP, a televisão pública, apresentado por uma jornalista sem saber ler nem escrever, com apartes e comentários recusados pela produção dos Simpsons para a voz de Homer, esta semana sobre a Autoeuropa, a greve, e a "força sindical por trás" [sic] - trabalho interessante a fazer pela concorrência da televisão pública seria reportagem na Alemanha sobre o que um alemão anónimo pensa de uma televisão que gasta uma noite de segunda-feira a organizar debate sobre uma greve, um trabalhador colaborador da Autoeuropa apontou como "o inimigo" a administração da empresa que lhe dá o emprego e lhe paga o salário que lhe permite pagar as contas. A seguir veio outro senhor queixar-se dos horários e ritmos infernais de trabalho impostos pela administração. Estamos entregues à bicharada.

 

 

 

 

O vómito em forma de televisão

por josé simões, em 25.05.16

 

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Ver Assunção Cristas, a aprendiza-substituta de Paulo Portas à frente do CDS até o querido líder completar a travessia do deserto e haver uma vaga de fundo que clame pelo seu glorioso regresso à liderança, em todos os canais de televisão, a largar o veneno e a plantar a mentira, sem que nenhum dos jornalistas, câmaras de ressonância, lhe perguntasse como é que se faz a "requisição civil" a quem cumpre o seu horário de trabalho e só se recusa a fazer horas extraordinárias...


Numa sociedade justa o empregador criava mais um turno de trabalho e o problema ficava resolvido, mas criar mais um turno de trabalho implica criar mais umas dezenas de postos de trabalho, pagar mais umas dezenas de salários, pagar mais umas dezenas de subsídios de férias, pagar mais umas dezenas de subsídios de Natal, pagar mais umas dezenas de contribuições para a Segurança Social, e menos uns milhares de euros em mais-valia para o patrão e para aos accionistas. E isto não é um país comunista, nem tampouco uma sociedade capitalista redistributiva.


[Imagem de Jan van de Velde, Wellcome Library]

 

 

 

 

A diferença entre lucro e ganância

por josé simões, em 24.05.16

 

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Diz que os armadores perdem dinheiro, que os operadores portuários perdem dinheiro, que as exportações são afectadas, que as importações idem, que as empresas estão a perder milhões, que a economia do país está em risco. Por uma greve às horas extraordinárias. Não é uma greve total, é uma greve às horas extraordinárias. Às horas extraordinárias. Todo um sistema laboral que afecta este mundo e ainda uma parte do outro todo ele assente no pressuposto de que os trabalhadores vão fazer horas extraordinárias. As pessoas deviam pensar nisto. E deviam pensar porque é que a direita radical lamenta não ter conseguido baixar os custos do trabalho para as empresas e porque é que uma das primeiras medidas adoptadas pelo Governo da direita radical foi precisamente baixar o preço da hora e o preço da hora extraordinária. As tais horas extraordinárias que são atiradas à cara dos estivadores todos os dias e a todas as horas pelos comentadores da direita radical – os salários milionários que os madraços da estiva recebem, e no eco que faz na ignorância invejosa de outros trabalhadores, trabalhadores como os estivadores. E as pessoas também deviam pensar nisto.


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||| É uma questão de fezada

por josé simões, em 19.12.14

 

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O fulano que acreditava piamente na constitucionalidade de 4 – quatro – 4 Orçamentos do Estado é o fulano que tem a certeza de que a requisição civil para a greve na TAP é legal. Mete as mãos no fogo e jura pelas alminhas e pela rica saudinha dos entes mais queridos.


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||| E deixar de argumentar como se fossemos todos um bando de crianças?

por josé simões, em 18.12.14

 

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"por determinismos ideológicos e políticos" não pode haver uma greve contra uma privatização ditada pelos por determinismos ideológicos e políticos dos partidos da coligação que compõem o Governo que decreta a requisição civil para defender a economia nacional e o interesse público que deixa de ser prioritário a partir do momento em que a empresa for privatizada, ou nacionalizada por outro Estado, como tem sido norma nestes quatro anos de Governo da direita.


Que fica tudo escarrapachado, tim-tim por tim-tim, no caderno de encargos, isso do interesse público e do serviço público e que não há volta a dar-lhe pela empresa ou pelos investidores ou pelos especuladores que comprarem a TAP. Assim como estava tudo escarrapachado, tim-tim por tim-tim, preto no branco, não havia volta a dar-lhe, no caderno de encargos que era a Constituição da República Portuguesa no capítulo que dizia que as nacionalizações eram irreversíveis.


E deixar de argumentar como se fossemos todos um bando de crianças?


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||| O que é muito pouco, convenhamos

por josé simões, em 16.12.14

 

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A verdade é que as únicas justificações dadas até agora pelo Governo e pelos escudeiros do Governo para a privatização da TAP é porque a dita já vinha numa alínea qualquer do PEC IV, que era tão mau tão mau tão mau para o país que até obrigou o Governo antes de ser Governo a votar contra ele; que já vinha numa alínea qualquer do memorando de entendimento com a troika, assinado e fotografado com um BlackBerry pelo Eduardo Catroga do PSD e por uma trupe de penteadinhos de gravatas Hermès do sentido de Estado e do balão e arco da marcha da governação do CDS com Paulo Portas à cabeça; e porque sim. O que é muito pouco, convenhamos.


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||| Fazer os outros de estúpidos

por josé simões, em 09.07.14

 

 

 

Um Governo de fanáticos, ideologicamente cegos e sem a mínima intenção de flexibilização negocial, mete mãos à obra de aplicar à sociedade uma cartilha política que, além de não ter sido sufragada em eleições, foi escondida dos cidadãos pela omissão e pela mentira e, quando determinados sectores da sociedade reagem em defesa do bem comum, ó da guarda que é "por motivos políticos" que exploram o descontentamento da sociedade. Se calhar a sociedade que se sente enganada e usada pela mentira política que não foi a votos. Fazer os outros de estúpidos é isto.

 

[Imagem de Fred Stein]

 

 

 

 

 

 

||| "A nossa lei da greve é uma lei antiquada, imposta pelo Conselho da Revolução"

por josé simões, em 19.03.14

 

 

 

"A greve é fundamental, as pessoas devem ter direito à greve, mas não é por dá cá aquela palha". Não explicou, também não lhe perguntaram, como é que com uma Lei da Greve dos idos do PREC conseguiu cobrir o país de Norte a Sul com uma cadeia de supermercados, chegar a segundo homem mais rico de Portugal, 609º mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 2,8 mil milhões de dólares, e ainda internacionalizar a empresa para a Polónia e tentar a América Latina.

 

Parece que é preciso aumentar o salário mínimo nacional porque "salários baixos possam contribuir para a melhoria da produtividade das empresas". Pois sim.

 

[Na imagem carga policial sobre familiares de operários grevistas, 1943, Travessa do Baluarte, Lisboa, autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Ler nas entrelinhas

por josé simões, em 25.06.13

 

 

 

A 48 horas de uma greve geral convocada pelas duas centrais sindicais [CGTP e UGT], o melhor, e mais bem conseguido, manifesto de apelo à greve saiu do gabinete do ministro Nuno Crato: quando há justeza nas reivindicações vale sempre a pena lutar, sem medo, por aquilo que se acredita. Dignidade no trabalho.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Um fascista velho. Um velho fascista

por josé simões, em 20.06.13

 

 

 

O sobrinho e afilhado do representante da Acção Nacional Popular na ilha adjacente da Madeira e director do jornal Voz da Madeira, onde se arranjou um lugarzinho para o jovem escrevinhar umas crónicas a enaltecer o fascismo, depois de concluído o curso, à rasquinha e depois de muito tempo, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, confortavelmente hospedado numa casa da Mocidade Portuguesa, dispensado que foi de combater na Guerra Colonial e colocado num quartel da ilha adjacente da Madeira, departamento Acção Psicológica Militar, graças a uma vaga caída do céu e que lhe permitia dar aulas no liceu [há gente com muita sorte na vida], como ia a dizer, o sobrinho-afilhado quer fazer com as greves o que se deixou de fazer com as greves logo a seguir ao dia 25 de Abril de 1974, quando os sobrinhos-afilhados e os seus tios e pais e mães foram metidos no devido lugar.

 

[Na imagem Alberto João Jardim com a t-shirt da organização terrorista FLAMA]

 

 

 

 

 

 

 

|| O derradeiro argumento de um perdedor

por josé simões, em 16.06.13

 

 

 

"Há muitos professores que não querem aderir à greve". E remata que os professores não devem ser pressionados, o economista-matemático que, durante anos, teve coluna num semanário a explicar ao povo as cousas da ciência mas que não conhece a Terceira Lei de Newton.

 

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|| Há coisas que nunca mudam

por josé simões, em 12.06.13

 

 

 

Contava Jaime Serra, um dos protagonistas de uma das fugas mais ousadas e espectaculares de uma prisão do Estado Novo que, após semanas de interrogatórios na prisão, sem a presença de advogado, onde foi submetido a agressões físicas de toda a espécie e crueldade e à tortura do sono, como não havia meio de ceder, lhe deram a ouvir vozes, supostamente da mulher e dos filhos, supostamente na sala ao lado, como chantagem e ameaça. "Se tens amor à tua família é melhor deitares cá para fora tudo ou a seguir são eles", mais ou menos isto, tendo ele respondido que todo o mal que fizessem à mulher e aos filhos era a PIDE, era o fascismo, era Salazar, pelas mãos daqueles agentes, quem o faria e não ele que lutava por uma causa justa.

 

Vem isto a propósito da greve dos professores e da argumentação do ministro da Educação Nuno Crato, do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, do ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, e do Presidente Aníbal Silva, por o princípio ser exactamente é o mesmo: atirar com a greve para cima dos alunos e a responsabilidade dos prejuízos causados para o lado dos professores, como forma de disfarçar e desviar as atenções da opinião pública da incapacidade, e da falta de vontade do Governo, em lidar com o problema de forma racional e honesta.

"O superior interesse dos alunos", diria o Presidente que-foge-dos-alunos da António Arroio depois de ter açulado os alunos dos colégios privados.

 

No avatar Nuno 'Zedong' Crato, a seguir os profs iriam todos para campos de reeducação e não se falava mais nisso, na versão Governo fora-da-lei, dois Orçamentos do Estado chumbados pelo Constitucional, e desrespeito à decisão do mesmo Constitucional na reposição dos subsídios de férias esbulhados aos funcionários públicos, o que dava mesmo jeito era um Tribunal Plenário para julgar sumaríssimamente essa corja. Na falta do tribunal Plenário altera-se a Lei ao jeito do Governo de modo a que não seja necessário um Tribunal Plenário.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Depois "valha-me São Jorge e Nossa Senhora de Fátima!" que lhe chamam nomes

por josé simões, em 06.06.13

 

 

 

Nem foi há tanto tempo quanto isso, foi há 2 anos ["atrás", como agora é moda dizer], decorria a campanha eleitoral para a Presidência da República e o Presidente em exercício, e candidato a Presidente do Governo da Maioria, e de um nicho dos portugueses, não tinha comichões em vir publicamente apelar a que os alunos fossem usados e instrumentalizados como meios para atingir os fins. Era importante e um sinal de vitalidade da "nossa sociedade civil" [devia estar com o pensamento nos Pupilos do Exército ou na Academia Militar...]. Agora, que nem sequer são manipulados por terceiros, é mau, muito mau, a evitar, convoque-se a greve para o dia 10 de Junho, ou para as férias grandes. Mas deixem os da António Arroio de fora, comunistas, anarquistas, e outras coisas terminadas em istas, que se deixam usar e não percebem nada de vitalidade da "sociedade civil".

 

Depois "valha-me São Jorge e Nossa Senhora de Fátima!" que lhe chamam nomes.

 

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|| Tempos que correm

por josé simões, em 01.03.13

 

 

 

Ouvir em todo o lado os responsáveis pelas falências e pelo aumento do desemprego e a destruição de postos de trabalho e o afundamento da economia, com a agenda escondida da terra queimada, destruir tudo para começar de novo, e onde no lugar de pessoas vêem números, a acusarem os trabalhadores, que recorrem à greve, com prejuízo do seu próprio salário, como derradeira forma de luta pela defesa do posto de trabalho e do emprego, de contribuírem para a destruição de posto de trabalho e de empregos e para o afundamento da economia. Awesome.

 

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|| "mas…"

por josé simões, em 15.11.12

 

 

 

Na linha da frente da apologia da ilegalização da greve como um direito encontramos aqueles que dizem que "a greve é um direito, mas…".

 

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