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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

War, What is it good for? Absolutely nothing. Capítulo 18

por josé simões, em 14.11.17

 

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Syria's Students: Going to School in a War Zone

 

 

 

 

||| Ó tempo volta para trás

por josé simões, em 12.04.14

 

 

 

Já nem vou pela 4.ª classe como escolaridade mínima e o saber de cor e salteado as linhas de caminho-de-ferro de Angola e as culturas agrícolas praticadas no Brasil, que era um país independente desde 1822, tudo a toque de reguada na palma da mão ou de cana da Índia nos nós dos dedos; já nem vou pelos índices de analfabetismo, por atacado na população e entre os homens e as mulheres, em separado, assim como o ensino separado para homens e mulheres; já nem vou pelo filho do doutor que havia de ser doutor e pelo filho do médico que havia de ser médico e pelo filho do arquitecto que havia de ser arquitecto e pelo filho do engenheiro que havia de ser engenheiro e pelo filho do cavador que havia de ser cavador e pelo filho do pescador que havia de ser pescador e pelo filho do carpinteiro que havia de ser carpinteiro e o do pedreiro e o do padeiro e de todas as artes e ofícios conhecidas à face de Portugal, do Minho a Timor; já nem vou pelo pão-nosso de cada dia que era o assinar com o dedo molhado num frasco de tinta para carimbo, marca Cisne; já nem vou pelos liceus para os filhos dos doutores e pelas escolas industriais e comerciais para os filhos da ralé, abertas contra vontade de Salazar, condicionado pela sua política do condicionamento industrial e porque eram precisos técnicos com mais do que a 4.ª classe e a saber mais do que contar até 100 e assinar o nome num papel selado e fazer trocos de tostões nas mercearias e tabernas, para trabalhar com as máquinas nas fábricas dos Alfredos da Silva e dos Mellos, com dois eles; já nem vou pelos cursos de lavores e de cozinha para mulheres, nas escolas industriais e comerciais para os homens que haviam de ir para as fábricas, higienicamente separadas dos machos por um muro ou por uma rede. Não. Este é o homem que no dia a seguir ao 25 de Abril andou a espalhar a revolução maoista pela universidade, a agredir adversários políticos, a praticar a caça ao bufo e a sanear os professores que até esse dia praticavam "a cultura de excelência" que tantas saudades lhe deixa:

 

«Durão Barroso elogia «cultura de excelência» nas escolas antes do 25 de Abril»

 

 

 

 

 

 

|| O "elevador social" de que Paulo Portas falava na campanha eleitoral

por josé simões, em 28.02.13

 

 

|| Meia auditoria

por josé simões, em 25.01.13

 

 

 

Agora que foram confirmadas, ao nível das condições de trabalho, as ilegalidades em colégios do grupo GPS, falta a coragem política, que este Governo não tem porque vai contra o seu "código genético", para avançar com uma auditoria à "fixação" na obtenção de resultados para os primeiros lugares nos rankings das escolas.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Defender a escola pública, my ass!

por josé simões, em 06.12.12

 

 

 

Como "só" 75% dos alunos conseguia recuperar, em números qualquer coisa como 142 423 no ano lectivo de 2009/ 2010, não vale a pena o investimento. O que importa e interessa ao(s) sindicato(s) é o horário de emprego trabalho da classe o mais reduzido possível, um ordenado alto e a reforma cedo. Traduzido para português técnico, o "vínculo laboral", porque, e ao contrário dos alunos, os stôres não podem ser dispensados, mesmo que alguns 25% não tenham recuperação possível, seja qual for o plano.

 

A escola existe em função do professor, o objecto da escola é o professor, o actor principal é o professor, e tudo o resto é acessório e figurante. Estamos conversados.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| Prioridades

por josé simões, em 17.10.12

 

 

 

Do dinheiro não chega para tudo passou-se, num ápice, ao não há dinheiro para nada. E há casos prioritários para acudir primeiro com o dinheiro que não há para nada. Como por exemplo os milhões para tapar as crateras deixadas abertas no BPN e no BPP pela tralha cavaquista, ou os pagamentos à Lusoponte, ou os pagamentos encapotados à EDP, ou… Há que "aguardar por Janeiro e por eventuais alterações decorrentes da aprovação do Orçamento do Estado".

 

 

 

 

 

 

|| Um Governo de perfeitos incompetentes

por josé simões, em 06.06.12

 

 

 

O dia em que o ministro Nuno Crato assina um despacho a proclamar a revolução na Educação, é o mesmo dia em que o ministro da Propaganda, num intervalo entre ésse éme ésses, vem proclamar aos quatro ventos que a next big thing do colega de Governo é absolutamente inútil porque o rumo já está há muito definido:

 

«Nós temos hoje uma das gerações mais bem preparadas da nossa História, uma geração de jovens competitivos em Lisboa, em Nova Iorque, em Pequim ou em Londres, como é aquela que nós hoje temos, que vencem em qualquer um desses continentes, e essa é a grande virtualidade [sic] que nós fomos capazes de construir com o modelo que seguimos nos últimos anos» [A partir do minuto 13:32]

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| «Sem avisos ou explicitações prévias, a "revolução" […] via despacho»

por josé simões, em 06.06.12

 

 

 

A the next big thing para a educação em Portugal, a seguir a todas as outras the next big thing que aconteceram antes desta. Nós é que sabemos, com excepção de todos os outros antes, que também sabiam e que ficaram lá para trás.

 

[Na imagem "Cultural Revolution, An Opera",Beijing, 1974, by Zhang Yaxin]

 

 

 

 

 

 

|| Mudança de paradigma

por josé simões, em 02.08.11

 

 

 

O Estado já não é uma agência de colocação [massiva] de emprego.

 

 

 

 

 

|| Conta-me como foi

por josé simões, em 27.07.11

 

 

 

Ainda sou do tempo em que os deputados do PSD estavam na rotunda do Marquês para aplaudir a manif dos stôres.

 

(E o comissário Nogueira, todo ele imbuído de sentido de Estado, em reuniões na São Caetano à Lapa. Tristeza...)

 

 

 

 

 

|| Sensação de impotência e sentimento de revolta é o que me vai na alma; dá para passar no exame?

por josé simões, em 27.07.11

 

 

 

Mas, como diz o povo, a culpa também não é deles, é de quem os fez assim:

 

«se deveu ao facto de os alunos terem confundido sensações com sentimentos»

 

(Imagem de Romaric Tisserand)

 

 

 

 

 

 

 

|| Coisas bonitas que haviam caído no esquecimento

por josé simões, em 25.09.10

 

 

 

Do 8 no meu tempo, cantar todos os dias o Hino Nacional na sala, antes de começar a aula, e sob o olhar atento do crucificado ladeado de Marcelo Caetano e Américo Thomaz, na parede por detrás da secretária do professor, ao 80 do pós-Revolução de Abril com o Hino e a Bandeira envergonhados ou banidos da escola.

 

Contra-capa do livro de Língua Portuguesa (Novo Despertar) do 3.º Ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico.

 

 

 

 

 

|| A riqueza dos livros

por josé simões, em 22.09.10

 

 

 

 

 

Eis algo verdadeiramente novo.

Parece que a nova geração de meninos (e meninas, como agora sói dizer-se) higiénica e asséptica, da pornografia na net ao acesso de um click (ai os tempos da revista Gina às escondidas) e das fotos em tempo real das “Porcas no Hi5” (já ninguém espreita o ginásio feminino, e não é por a maioria não ter ginásio…) passa o tempo no recreio a brincar com Bakugans dos pacotes de batatas fritas e a falar da princesa Sherazade e do Carteiro Paulo no Canal Panda e só aprende que «"c..." (órgão sexual masculino), "c..." (órgão sexual feminino) e "f..." (acto sexual)» através do Dicionário Básico de Língua Portuguesa, da Porto Editora, o da capa azul, aquele que custa 5, 5 euros e que tanto indigna meia dúzia de pais que tiveram poder de manobra para chegar às páginas do (ex-)insuspeito Diário de Notícias.

 

Cambada de langonhas (os pais).

 

(Na imagem Brooke Shields por Gary Gross)

 

 

 

 

 

|| Começa hoje a luta dos pais pela estabilidade no emprego e por um mínimo de harmonia familiar

por josé simões, em 13.09.10

 

 

 

 

 

O primeiro dia de aulas começa com uma reunião professor – pais/ encarregados de educação das 09:00 às 11:00 AM. Leram bem: das 09:00 às 11:00 AM. Milhares de pais perderam uma manhã de trabalho porque o stôr larga o serviço às 17:00 PM. São as famílias (e as empresas) e os alunos que têm de flexibilizar/ adaptar os seus horários em função da casta superior da sociedade portuguesa.

 

Obviamente que quanto a isso, do Comissariado para a Educação aka Fenprof, nem um pio.

 

(Na imagem fotograma do filme Band à part, Jean-Luc Godard, 1964)

 

 

|| Lembro-me sempre das histórias contadas pelo meu pai à mesa da refeição

por josé simões, em 07.09.10

 

 

 

 

 

Fazer todos os dias 20 quilómetros ( 10 para cada lado) com a lancheira numa mão – pão, linguiça e azeitonas – e a ardósia na outra, descalço debaixo de chuva ou debaixo de sol, para ir à escola num barraco manhoso na parte de trás da igreja lá na aldeia. O meu avô era um analfabeto, médio rendeiro no Alentejo, e o meu pai andar na escola implicava o esforço de menos um braço de trabalho no campo.

 

Parece que agora os meninos, filhos da geração da fartura que nunca houve, do facilitismo e do venha a nós, vão ter de fazer até 30 e tal quilómetros de autocarro para ir para uma escola toda xpto, com refeitório e ginásio e computadores e tudo. É uma maldade inaceitável as coisas que agora se fazem às crianças.

 

(Imagem de Boris Mikhailov)