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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

"O Rigor" - Do Expresso à SIC

por josé simões, em 26.09.17

 

 

 

[Daqui]

 

 

 

 

A direita dos comediantes

por josé simões, em 31.08.17

 

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Aqueles que à direita andaram, freneticamente, de norte a sul do país de megafone numa mão e de espantalho na outra com a deriva radical de um Governo do Partido Socialista suportado pela irresponsabilidade do Bloco de Esquerda que conduziria, inevitavelmente, o país à ruína e ao terceiro e ao quarto e ao quinto resgate de Portugal que já era a Grécia e do Syriza estalinista-trotsquista nos gabinetes da Rua da Alfândega, são aqueles que lamentam a reforma do responsável, e prenhe de 'sentido de Estado', militante e deputado do Bloco de Esquerda, António Chora, anos a fio à frente da Comissão de Trabalhadores da paz na Autoeuropa. Siga a marcha.

 

 

 

 

E é por isso que o Pinochet foi um gajo porreiro

por josé simões, em 28.04.17

 

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Quem, nestes últimos dias de ressaca europeia às eleições francesas, passe pelo Twitter, pelo Facebook, pelos ainda blogues tradicionais e pelo blogue de tiragem nacional que dá pelo nome de Observador e ler cronistas, comentadores, opinion makers, apoiantes e militantes, dissimulados, envergonhados, descarados, anónimos ou figuras públicas da direita - do 'sentido de Estado' e da marcha do 'arco da governação', mais do que constatar aprende que o problema, o grande problema de uma vitória de Marine Le Pen é a economia, o regresso do proteccionismo, a reposição das barreiras alfandegárias, o encerramento das fronteiras e o travão à globalização. Fora isso tudo bem. E é por isso que Pinochet foi um gajo porreiro.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

Cautela e caldos de galinha

por josé simões, em 21.03.17

 

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Ainda sou do tempo da direita radical [Passista & Portista] fazer campanha activa nos blogues, no Twitter, e no Facebook por Sarkozy e Berlusconi como se de eleições portuguesas se tratasse. Cautela e caldos de galinha.

 

 

 

 

 

Só 3 coisinhas

por josé simões, em 10.11.16

 

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Só 3 coisinhas a propósito do alarido que Trump causou numa Europa a tomar balanço para um Geert Wilders e uma Marine Le Pen, com Viktor Orbán devidamente integrado, um Farage por agora retirado já que Theresa May dá conta do recado sozinha, e um Grillo a esfregar as mãos em Itália.


- "Há que ter cuidado e estar atento ao populismo e aos populistas", insistem nisto depois de quase 20 anos de Paulo Portas à frente do CDS e duas vezes ministro em governos de coligação com o PSD.


- "Há que ter cuidado e estar atento aos radicais e ao radicalismo", insistem nisto depois de quase 5 anos de Passos Coelho primeiro-ministro, com Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque a meias na pasta das Finanças.


- "Há que ocupar o abandonado centro político como resposta aos radicalismo e aos extremismos", continuam com esta conversa depois do renascimento dos radicalismos e extremismos exactamente pela indiferenciação esqueda-direitra-esquerda depois da rendição da esquerda às políticas da direita, iniciada com Gerhard Schröder na Alemanha e com o apogeu na Terceira Via de Tony Blair.


Podem ir pondo as barbas de molho, vox pop, que com o mal dos outros posso eu bem, vox pop também, e porque a mulher dos outros é sempre melhor que a nossa, ainda vox pop.


[Na imagem a primeira página do populista The Sun]

 

 

 

 

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Gostava de ter escrito isto

por josé simões, em 20.09.16

 

 Para a nossa direita os pobres, grupo social em que estão incluídos todos os que vivem de rendimentos do trabalho e pensões, são um peso, os seus rendimentos são um custo e quanto mais ganham menor será a competitividade das empresas. Os ricos são, por definição, investidores, o seu dinheiro é considerado capital que não deve ser sujeito a impostos.


O consumo dos pobres é um desperdício e quanto menos consumirem melhor para o país, se em vez de serem eles a optar pela poupança e forem os patrões a poupar graças a salários baixos melhor para a economia, as poupanças dos patrões são capital, as dos pobres servem apenas para desperdiçar em bens de consumo. É por isso que, por definição, os pobres consomem sempre acima das suas possibilidades e todas as conquistas sociais desde o tempo da escravatura ou da servidão são um grave prejuízo para a competitividade.


Se um pobre compra um carro em segunda mão está a consumir acima das suas possibilidades, se um rico comprar um luxuoso carro topo de gama está a investir. Se um pobre compra um apartamento com crédito está a contribuir para o endividamento do país estimulando o crescimento de um sector inútil para a economia. Se um rico ou um chinês comprar uma vivenda de luxo, está investindo no país e criando emprego, por isso deve beneficiar de isenções ficais, vistos gold e outras mordomias que lhes sejam úteis.


Um chinês que enriqueceu com a corrupção do regime comunista da Ásia, que parte porque noutro Estado-membro da EU lhe oferecem um visto gold com menos exigências é um investidor que foi perdido pelo país. Quando um quadro altamente qualificado, cuja formação custou ao país centenas de milhares de euros, decide abandonar o país a direita elogia-o porque não foi piegas e partiu em busca da sua zona de conforto, dando uma preciosa ajuda ao ajudar a taxa de desemprego a baixar.


Os patrões, são designados preferencialmente por investidores ou empreendedores, os pobres são mão-de-obra, activos ou, em empresas mais modernaças, conseguem ser tratados por colaboradores, isso até que o presidente do banco decide desligar-lhes o computador e convidá-los a assinar uma rescisão amigável.


Se um pobre se esqueceu de pagar uma conta ao fisco é um malandro que não paga os seus impostos e deve ser perseguido por todos os meios. Se for um rico a recusar-se a pagar um imposto é recebido com tapete vermelho nos gabinetes governamentais e tem ao seu serviço uma equipa de advogados, todos eles ex-secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, que assegurarão que entre truques e cunhas tudo farão para que a dívida prescreva nos corredores dos tribunais. Já para os pobres esses tribunais não existem, para ter direito à decisão de um juiz a dívida deve ser superior a 5.000 euros, o pobre leva com a decisão do chefe do serviço de finanças, come e cala.


Esta abordagem da nossa direita tem mais fundamentos no modelo social do feudalismo do que no capitalismo moderno saído da revolução industrial. O prolongamento durante décadas do colonialismo e de um regime laboral apoiado na PIDE levou a que a nossa direita tivesse mumificado ideologicamente. Neste modelo social de capitalismo feudal o progresso não se mede no bem-estar de toda a nação, mas apenas no nível de enriquecimento e felicidade dos mais ricos. Para a nossa direita os ricos devem ser tratados como senhores feudais capitalistas e todos os outros como plebeus proletários que graças à bondade dos outros já não são nem servos, nem escravos.


Os ricos e os pobres segundo a nossa direita

 

 

 

Como a direita mascarou o desemprego em Portugal

por josé simões, em 12.06.16

 

 

 

[Aqui]

 

 

 

 

O idiota útil

por josé simões, em 28.05.16

 

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Depois do maior ataque ao Estado social de que há memória em 40 anos de democracia, perpetrado em quatro anos de Governo da direita radical, depois de todos os retrocesso na saúde, na educação, na justiça, em direitos e garantias, o extremismo e o radicalismo, à direita, continua a ser "centro-direita":


[...] aqui em Portugal queremos fazer do centro-direita o adversário absoluto e fazer da extrema-esquerda o nosso parceiro permanente.


É disto que a direita se alimenta, de idiotas úteis.


[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

||| Tenham medo, muito medooo...

por josé simões, em 16.05.16

 

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Diz a direita que, salvo raríssimas excepções, tem os espaços de comentário e opinião nas rádios e nas televisões todos ocupados em modo 'lugar cativo à sombra' e que, nas raríssimas  que cabem à esquerda, a grande maioria é esquerda no nome que no conteúdo podia muito bem integrar um qualquer Governo 'bloco central' ajudado pelo CDS;
diz a direita que orienta a linha editorial do Diário de Notícias, Correio da Manha [sem til], SIC Notícias, Jornal i, Jornal de Negócios, TVI 24, Diário Económico, Expresso, Correio da Manha TV [sem til], semanário Sol, que me perdoem os que ficaram esquecidos, e ainda passou o blogue O Insurgente a jornal digital O Observador;
diz a direita que a esquerda tem um blogue para "proteger o Governo" – a Geringonça, que pode muito bem vir a ocupar o lugar deixado em aberto pelo Câmara Corporativa que foi de 'licença sem vencimento' Agora é que vão ser elas.. Tenham medo, muito medooo...


[Imagem]

 

 

 

 

||| Por falar em pôr o contribuinte a financiar o ensino privado

por josé simões, em 06.05.16

 

 

"O fetiche da Direita portuguesa não é apenas com homossexuais. Simplesmente, não consegue respeitar as liberdades individuais quando se trata de assuntos que afectam a sua moral social.


Um destes dias, uma amiga comentava no seu Facebook que a direita portuguesa não perde uma oportunidade para mostrar que não é liberal. Liberal no sentido de respeitar as liberdades individuais, entenda-se. Não lhe perguntei a que situação em concreto se referia porque os exemplos são tantos que quase dispensam especificação.


A Direita mostrou que não é liberal quando se discutiu o casamento homossexual, não sabendo respeitar a liberdade de cada um casar com quem quer. Tornou a mostrar que não é liberal quando em 2012/2013 se fez valer da sua maioria para impedir a adopção por casais do mesmo sexo, tendo, numa primeira fase, graças a alguns deputados do PSD, deixado passar a co-adopção. Lembre-se que no caso da co-adopção estávamos a falar de crianças que já viviam, de facto, em famílias com duas mães ou dois pais. Ou seja, tratava-se apenas de dar cobertura legal a uma realidade que existia. Seria impossível a um liberal rejeitar esta lei. No entanto, a Direita, não respeitando as crianças que viviam em famílias “fora da sua norma”, socorreu-se de um estratagema (proposta de um referendo sobre o assunto) para evitar que a co-adopção se institucionalizasse. Naturalmente, já nesta legislatura, a nova maioria de esquerda, com os votos contra da Direita, trataria de legalizar a adopção plena por casais do mesmo sexo. Há assuntos em que a Direita faz questão de sempre estar no lado errado da história.


Mas o fetiche da Direita portuguesa não é apenas com homossexuais. Simplesmente, não consegue respeitar as liberdades individuais quando se trata de assuntos que afectam a sua moral social. Foi assim no ano passado quando quis obrigar as mulheres que recorrem a um aborto a ter consultas psicológicas obrigatórias. E, pasme-se, nessas consultas obrigatórias, as mulheres podiam ter de enfrentar um médico que fosse objector de consciência relativamente à interrupção de gravidez. Isto com a justificação de que o contrário seria “discriminar os objectores de consciência”!


Este ano, quando se discute a procriação medicamente assistida, mais uma vez a Igreja, perdão a Direita, quer impor a sua moral, impedindo que casais de lésbicas ou mulheres solteiras possam recorrer a ajuda médica para engravidar, impedir o recurso à maternidade de substituição, etc. É-lhes impossível respeitar o livre-arbítrio individual, quando em causa está a sua moral.


Foi Margaret Thatcher, a dama de ferro inglesa, que disse: “there’s no such thing as society; there are individual men and women and there are families”. Traduzo: “isso da sociedade é uma coisa que não existe; há homens e mulheres individuais e há famílias”. Mas, para a nossa Direita, é impossível imaginar uma sociedade em que o indivíduo não seja submetido às amarras da sua moral.


As pessoas de direita que alegam ser liberais, percebendo a óbvia contradição entre o que defendem na teoria e o que defendem na prática, costumam encontrar soluções ad-hoc para as suas posições anti-liberais. Por exemplo, o problema da procriação assistida não é o direito em si mesmo que a mulher tem, mas sim o facto de se transformar esse direito numa “obrigação do Estado”. Ou seja, a obrigação que o Estado tem em mobilizar cuidados de saúde que possam responder a este direito. Depois adicionam uns pozinhos de demagogia, falando em listas de espera ou de doentes de cancro que não são tratados a tempo, como se, no global, o nosso Sistema Nacional de Saúde não passasse com distinção em qualquer estudo comparativo internacional.


Confesso que, para minha surpresa, já vi o mesmo argumento ser dado a respeito da eutanásia, que agora tanto se discute. Não se nega o direito individual ao suicídio. Quem quiser suicidar-se que pegue numa pistola e estoire os miolos. Pedir ajuda ao Estado para uma morte mais suave é que não, nem pensar. É a Direita que temos, no papel, muito respeitadora da liberdade individual. Na prática, o indivíduo submete-se sempre à moral social.


Em tempos, escrevi aqui que a nossa Direita era peculiar e que, na verdade, mais do que reduzir o peso do Estado, o que pretendia era mesmo substituí-lo pela Igreja. Dei, na altura, o exemplo da Educação e, nestas últimas semanas, temos observado isso mesmo. O Governo veio anunciar o que devia ser óbvio: que onde houvesse uma escola pública não faria sentido o Estado continuar a subsidiar uma escola privada. É, aliás, o que está na lei; o facto de esta durante décadas não ter sido respeitada por sucessivos governos não é desculpa para continuar a não ser. Numa altura em que todas as poupanças que o Estado possa fazer são bem-vindas, a nossa Direita devia aplaudir.


Mas a Direita, que tanto vitupera os subsídio-dependentes, não aceita. Quer que o Estado respeite a escolhas individuais. Neste caso já não faz mal que seja o Estado a pagar. E, como é bom de adivinhar, o problema não está no facto de se cortar o financiamento do ensino privado. O problema está em se cortar o financiamento de escolas católicas. Repare-se nesta passagem de um artigo de João César das Neves publicado na semana passada no Diário de Notícias: “A medida parece genérica, contra as escolas privadas, o que permite o cinismo de o maior ataque dos últimos anos contra a presença da Igreja Católica na sociedade fingir neutralidade.” Na verdade, o problema é sempre o mesmo, todos os cortes de despesa são bem-vindos, excepto os que afectam a Santa Madre Igreja.


Alexandre Homem de Cristo, aqui no Observador, com a inteligência que o caracteriza, apresenta o melhor argumento possível para defender estes subsídios. Para tal recorre ao exemplo de uma escola pública às moscas, em Paços de Brandão, e ao do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, uma escola de propriedade privada, na mesma zona de residência, que tem 74 turmas financiadas pelo Estado. Diz que se os pais preferem a segunda, então deve-se encerrar a primeira e financiar a segunda. O problema é que a primeira não pode encerrar. Como a escolaridade é obrigatória e o nosso Estado é laico, é obrigação do Estado garantir que existe uma escola laica. Um Estado laico não pode
obrigar uma família a inscrever as suas crianças em escolas de inspiração católica. A implicação lógica é simples: onde há escola pública, não se deve financiar escolas privadas. A não ser, claro, que o Estado deixe de ser laico, como grande parte da Direita gostaria."


Luís Aguiar-Conraria, "Onde está a direita liberal em Portugal?"

 

 

 

||| O palmómetro

por josé simões, em 11.03.16

 

 

 

O palmómetro – medidor do tempo de duração das palmas e da intensidade com que as mesmas são batidas, outrora detido pelos partidos comunistas para lá do Muro de Berlim, é agora propriedade da direita portuguesa.


A eleição da segunda figura do Estado – o presidente da Assembleia da República, aquele que exerce as funções presidenciais por ausência do Presidente ou pelo seu impedimento temporário, pelos deputados como manda a Constituição e não pelos directórios partidários em simpatia para com o partido com maior número de assentos parlamentares, não mereceu palmas das bancadas da direita e foi até tratada de um modo a roçar o insultuoso pelos líderes dos grupos parlamentares do PSD e do CDS.


Um primeiro-ministro de um Governo com mandato da casa da democracia – o Parlamento, para Governar, é um "primeiro-ministro vírgula", em tom insultuoso e várias vezes repetido, mostrando um total desrespeito pelo voto dos cidadãos e, na maioria dos casos, uma absoluta ignorância sobre o funcionamento do sistema parlamentar constitucional português pelos deputados eleitos pelo PSD e CDS.


Manter-se em silêncio e não aplaudir de pé o discurso da tomada de posse do Presidente oriundo do espaço político da direita, antes achincalhado pela direita e pela direita à direita da direita, com direito a alínea e tudo [!] na moção que a actual liderança do PSD levou a congresso, como exemplo do Presidente que, em caso algum devia ser Presidente, é crime de traição à Pátria no palmómetro partidário da direita ex-liberal-actual-social-democracia-sempre-e-Estado-social, e no spin dos paineleiros-comentadeiros televisivos arregimentados. Sim senhor.

 

 

 

 

||| O esquerdalho que antes de ser cata-vento foi do reviralho

por josé simões, em 11.01.16

 

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Por causa stôra de esquerda que o doutrinou e o livrou de andar com um S de Salazar como fivela de cinto nuns calções de caqui e que, decisivamente, contribuiu para que mais tarde o filho do ministro do Ultramar de Salazar e afilhado do Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa se recusasse a combater na Guerra Colonial – Guerra do Ultramar [riscar o que não interessar] engrossando o número dos então refractários do reviralho traidores à Pátria, só absolvidos com a revolução de Abril de 1974.


«Marcelo assume-se candidato da "esquerda da direita"»


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||| É uma questão de cultura, política. Ou de pequenino é que se torce o destino

por josé simões, em 22.11.15

 

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"Eu não estive na Fonte Luminosa, mas estiveram os meus pais por mim. Não tinha idade suficiente para compreender o que estava em causa".


Eu sempre estive em todo o lado, e os meus pais comigo, porque sempre tive "idade suficiente para começar a compreender o que estava em causa". E a minha filha também sempre esteve em todo o lado comigo, a começar logo aos 6 anos nas manifs por Timor, porque também sempre teve "idade suficiente para começar a compreender o que estava em causa". E uns anos mais tarde o meu filho, nas descidas da Avenida no dia 25 de Abril ou, ainda em carrinho de bebé, na primeira gay pride que houve em Lisboa, quando só quem ia eram os paneleiros e as fufas, a maioria de cara tapada, porque também sempre teve "idade suficiente para começar a compreender o que estava em causa". E a "idade para suficiente para compreender o que está em causa" é como a idade suficiente para começar a andar ou a falar. É a diferença entre a cultura política de esquerda e a cultura política de direita. Depois admiram-se.


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||| Vamos continuar a arredondar discursos

por josé simões, em 12.11.15

 

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Entre esganiçamentos e falta de substância, feminina e masculina, maquilhada com discursos redondos e palavrosos, muitas palavras, quantas mais melhor, prenhes de responsabilidade respeitosa, nas bancadas parlamentares que esboçam sorrisos cúmplices ao marialvismo Restaurador Olex do senhor, focamos antes a mira no proto-nazismo, que vai plantando ódio aqui e ali como quem não quer a coisa, com a capa do politicamente correcto.


Eu não sou racista, eu não sou xenófobo, eu não sou machista, eu não sou homofóbico, eu não sou anti-semita e quem disser o contrário é porque é anti-liberal e anti-democrata e não reconhece o “direito de ser” aos outros, delito de opinião.


Vamos continuar a arredondar discursos nestes tempos de intolerância que se avizinham, nos dias do ódio de um direita que, em menos de um fósforo, perdeu a máscara laboriosamente construída atrás de 40 anos de 25 de Novembro, e mostra finalmente o seu verdadeiro eu anti-democrata. "Não rapes a barba, não cortes o cabelo que o Jaime Neves dá-te cabo do pelo", como na versão Blue Suede Shoes na ressaca do PREC.


[Imagem de Max Papeschi]

 

 

 

 

||| 15 dias

por josé simões, em 30.10.15

 

Paul McMahon, “Have a Nice Day,” 1977, printed

 

 

O que estes 15 dias nos mostraram não foi a esquerda radical a entrar na marcha do arco e balão da governação 40 anos depois do 25 Novembro de 1975. O que estes 15 dias nos revelaram foi a verdadeira face, a face anti-democrática da direita radical, escondida em 40 anos a contar do 25 de Novembro.


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