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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

O senhor Presidente do Conselho

por josé simões, em 06.10.17

 

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O Presidente da República recebeu as confederações patronais no âmbito da elaboração do Orçamemto do Estado para 2017. Há aqui qualquer coisa que me escapa...

 

 

 

 

De onde menos se espera sai um comunista

por josé simões, em 18.02.17

 

EL MARTILLO Y LA HOZ. Campesino extremeño en el v

 

 

Esta dívida tem que ser gerível. O problema é que temos uma enorme e pesada mochila às costas, chamada dívida pública, a par de outra, que é a dívida privada. Temos que tratar da dívida privada, reestruturando empresas, capitalizando-as, dando-lhes tempo, tornando viáveis as que são viáveis, mas que têm estruturas financeiras debilitadas neste momento, aliviando o [crédito] malparado da banca simultaneamente, e a dívida pública, que tem o peso de juros que estamos a pagar e tem que ser gerida

 

[Imagem "El Martillo y la Hoz, Campesino extremeño en el verano de 1936", Martín Santos Yubero]

 

 

 

 

A "conjuntura"

por josé simões, em 14.11.16

 

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As pessoas, qualquer que seja a idade que tenham, que façam um exercício de memória e tentem lembrar-se qual a vez em que foi preciso arrancar, a ferros, um aumento salarial, um aumento do salário mínimo, um aumento do subsídio de refeição, um migalha que tenha sido, que não tenham levado como resposta-argumento-justificação um "a conjuntura...", "isto está mau...", "a crise..." e, mais recentemente, em período do economês sem mestre dos tempos modernos, com a "produtividade indexada" e as "contrapartidas do Estado", a chico-espertice de pôr o próprio trabalhador que vai receber a esmola a subsidiar o patrão que a vai dar, a contragosto.


Pensem numa data, só uma, qualquer que tenha sido.


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||| Uma máxima que vale para sempre, desde sempre e em todas as ocasiões

por josé simões, em 07.03.16

 

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É o escudo, inatacável pelo senso comum, atrás do qual se escondem os patrões e os accionistas sem escrúpulos, que o exército de desempregados, mão-de-obra barata e força de pressão sobre quem trabalho e tem emprego razoavelmente remunerado, se dispõe a aceitar como dogma e que serve para manter largas franjas da[s] população[ções] no limiar da pobreza e da sujeição, porque a barriga vazia, a sua e a dos seus, vale o que vale e vale muito. Perguntem aos vossos pais e aos vossos avós e perguntem também o que já ouviam dizer aos pais deles e aos avós dos pais e assim sucessivamente, desde sempre, desde tempos imemoriais e em todas as ocasiões, perguntem.

 

 

 

 

||| Por decreto

por josé simões, em 12.11.15

 

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Por decreto só a mais-valia do patrão via "reforma do IRC".
Por decreto só a mais-valia do patrão via redução do valor da hora extra.
Por decreto só a mais-valia do patrão via redução dos dias de descanso dos trabalhadores.
Por decreto só a mais-valia do patrão via aumento do horário de trabalho.
Por decreto só a mais-valia do patrão via embaratecimento dos despedimentos.
Por decreto só a mais-valia do patrão via estágios financiados pelo dinheiro do contribuinte.

Por decretro só a mais-valia do patrão com as novas contratações com salário pago pela metade para trabalho igual.
Por decreto só a mais-valia do patrão.


"Patrões avisam: salário mínimo não se aumenta por decreto"


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||| Depois não digam que não foram avisados

por josé simões, em 10.07.15

 

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"Mais de dois terços da despesa pública concentram-se justamente nas prestações sociais e nos salários. Temos limitações óbvias do ponto de vista constitucional para lidar com o problema dos salários."


Pedro Passos Coelho, líder do PSD, o maior partido com assento parlamentar, o maior partido da coligação que suporta o Governo, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, candidato, em coligação com o CDS-PP, a novo mandato de 4 anos, tem um "problema" com os salários. Sublinhe-se, caso não tenham percebido nestes 4 anos que passaram, os salários dos portugueses são um "problema" para Pedro Passos Coelho. Depois não digam que não foram avisados.


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||| Da série “Coisas Verdadeiramente Surpreendentes”

por josé simões, em 04.07.14

 

 

 

Um dos segredos para a recuperação económica passava por baixar o preço da hora extraordinária, não porque Governo tivesse um modelo de baixos salários para o país, mas porque estavamos de rastos por causa do "despesismo e da irresponsabilidade socialista" e uma parte, importante, do esforço comum calhava ao suspeito do costume e passava por aumentar a competitividade das empresas a troco de uns dias de salário por ano [o pagode ganha bem e sai cedo, o que é isso?], não para que os patrões e accionistas aumentassem as mais-valias mas porque o dinheiro que cada um, imbuído de espírito patriótico, deixava de receber, depois de entrar na tesouraria das empresas tornava a sair e iria reverter para a economia real e para a criação de emprego e para o crescimento económico a perder de vista.

 

"Patrões dizem que há trabalhadores a recusar fazer horas extra"

 

Curioso, muito curioso. Porque será?

 

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||| Mais rigidez patronal

por josé simões, em 21.04.14

 

 

 

Um sindicato que represente menos de 30% dos trabalhadores do sector pode assinar um contrato colectivo de trabalho que vai valer para todos os trabalhadores de todas as empresas, médias, pequenas ou grandes, desse mesmo sector.

 

Uma central sindical que represente 30%, ou se calhar ainda menos, dos trabalhadores e que é onde os sindicatos que assinaram o contrato colectivo de trabalho e que representam menos de 30% dos trabalhadores estão agregados, pode assinar, em sede de Concertação Social, um Código do Trabalho que vai servir de "Bíblia" a todos os trabalhadores, seus filiados ou não, sindicalizados ou não, filiados noutra central sindical ou não.

 

As portarias de extensão – «que na prática alargam os efeitos de uma convenção a todo um sector, garantindo a sua eficácia» – só vão poder ser publicadas quando a associação patronal que assinou a convenção em causa represente mais de 50% dos trabalhadores de um sector.

 

Viva!

 

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|| O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 09.05.13

 

 

 

O personagem que recebeu 384 mil euros em 2012 para administrar um banco intervencionado pelo Estado, defende que as empresas possam reduzir temporariamente os salários aos seus empregados e também uma "forte redução" das contribuições das empresas para uma Segurança Social. A mesmíssima Segurança Social, cada vez mais descapitalizada, para onde quer enviar, ao arrepio da Lei, os 600 trabalhadores [mais "adicionais"] que tenciona despedir do banco que administra.

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Caiu-lhes definitivamente a máscara

por josé simões, em 30.01.12

 

 

 

E da próxima vez a UGT e o Torres Couto ou o João Proença que estiverem mais à mão assinam, a troco de outra coisa qualquer que não o combate à corrupção ou o feriado do 5 de Outubro, que isso já foi ultrapassado e atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir.

 

"A legislação laboral é só um pedregulho na estrada do crescimento"

 

[Na imagem cartaz de Spartacus]

 

 

 

 

 

 

|| O Esperto

por josé simões, em 24.11.09

 

 

 

«Uma das soluções para atenuar o desemprego dos mais jovens (…) é a substituição dos empregados "mais velhos por desempregados jovens, normalmente mais qualificados, dando-lhes reformas antecipadas"»

 

Esperto - e fazendo jus ao adjectivo (ou será substantivo?) “patrão” - passa a bola para a Segurança Social livrando-se dos “velhos”, limpa as empresas e fica com pessoal novo e a contrato, disposto a tudo para garantir um emprego, e sem os contratos antigos mais respectivos direitos e garantias. Mais um apoio por parte do Estado àqueles que, vai adiantando, não ser seguro retirar.

 

O excelentíssimo Van Zeller já foi condecorado no 10 de Junho? Se não, estão há espera do quê? Se sim, dêem-lhe outra medalha. Já!

 

(Imagem do filme Dr. Strangelove or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964)

 

Adenda: Só para lembrar aos mais distraidos, patrão dos patrões incluído, que o Estado somos nós mais o dinheiro dos nossos impostos.

 

 

 

|| Os impostores que vivem às custas dos impostos dos contribuintes

por josé simões, em 28.10.09

 

 

 

Quem está sempre pronto para receber “apoios estatais”, vulgo subsídios pagos com o dinheiro dos impostos dos contribuintes, e não pode pagar mais 25 – vinte e cinco – 25 euros de salário aos seus empregados por correr o risco da empresa fechar, então é melhor que feche de uma vez por todas e que o dito cujo empresário patrão vá trabalhar por conta de outrem que é para ver como elas lhe doiem.

 

Adenda: «Administradores da Delphi ganham 100 mil euros»

 

(Imagem de Dorothea Lange)

 

 

 

 

|| O Povo, essa corja de ignorantes e irresponsáveis

por josé simões, em 29.09.09

 

 

 

Os cidadãos chamados a decidir, votaram e elegeram um Parlamento, dando sem margem para qualquer tipo de dúvidas, uma maioria inequívoca aos partidos de Esquerda. Eis pois uma interpretação maravilhosa dos resultados eleitorais e de como deverá ser a acção governativa do próximo executivo - governar à Direita:

 

"O novo Governo poderá fazer um acordo com o PSD, contando com a sua abstenção, ou com o CDS-PP de forma mais constante"

 

O que seria do povo português sem a elite iluminada da classe empresarial! Suspenda-se a Democracia; acabe-se com as eleições, e passemos a pedir a opinião ao senhor Francisco Van Zeller e à corporação a que preside, sobre a melhor forma de governar Portugal.

 

Francisco Van Zeller devia parar para pensar sobre qual ou quais as razões que levam a que povo conceda votações tão expressivas a partidos à esquerda do PS. Mas isso talvez seja pedir demasiado a mente tão iluminada.

 

(Na imagem South Carolina, 1956, Margaret Bourke-White's photoessay via Life Magazine photo archive)

 

 

 

 

|| Activos tóxicos

por josé simões, em 07.05.09

 

Limpar as empresas de activos tóxicos trabalhadores com muitos anos de casa. Os efectivos, os no topo da carreira, aqueles com salários mais elevados, porque há por aí uma legião de gente nova disposta a tudo para ter um emprego. E o tudo são os baixos salários, a contratação a prazo e a ausência de regalias.

 

Ontem era necessário renacionalizar uma seguradora, hoje é correr com "a velharia", amanhã…

 

Chega a ser comovente esta preocupação da CIP com os «trabalhadores com mais de 40 anos de descontos e menos de 60 anos de idade». Como dizia o Vasco Santana: Compreendi-te!

 

(Imagem de Nils Jorgensen via Rex Features)

 

Qual foi a parte que eu não percebi?!

por josé simões, em 05.02.08

 

Vinha a conduzir e sai-me Francisco van Zeller no noticiário da TSF. Dizia o presidente da CIP – e cito de cor –, que houve uma cedência aos sindicatos da parte da Comissão do Livro Banco das Relações Laborais. Segundo van Zeller, é necessária mais flexibilização no que concerne aos despedimentos. Por exemplo, uma empresa envelhecida ao nível dos quadros e com dificuldades de adaptação as mercados, deveria poder despedir os “velhos e inadaptados” para renovação da “frota”. Não foram estes os termos usados, mas a ideia base era esta: “despedir por necessidades do mercado”. É deste modo que personalidades da estirpe de van Zeller olham e pensam os trabalhadores – e que até já nem são trabalhadores, mas colaboradores. Consumíveis e descartáveis.
 
Chego a casa e vou direitinho ao sítio da TSF e leio que, “«Tudo o que podemos fazer para facilitar o emprego das pessoas mais velhas é benvindo, porque estas infelizmente na sua juventude tiveram menos oportunidades do que as actuais, havia menos escolarização, menos facilidades e normalmente estão menos bem preparadas em termos de instrução, o que dificulta muito a contratação», defendeu o presidente da CIP”.
 
“Por estes motivos, Francisco van Zeller afirma que faz todo o sentido «prolongar a vida activa», mas é importante que o Governo promova «isenções ou redução dos custos da contratação e da segurança social»”. (Na integra aqui)
 
Uma pergunta inocente: Qual foi a parte que eu não percebi?!
 
(Imagem via Time Magazine)